sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O TESTE DO ESPELHO, POR ALEXANDRE MEIRA.



http://www.revistadavila.com.br/wp-content/uploads/2016/03/Marcelo-Camargo-Folhapress.jpg

Imaginei durante todos esses dias como estaria se sentindo a parte do país que foi às ruas vestida à caráter (apesar de muitos estarem vestidos "à falta de"), nesses dias em que o espírito da Lava Jato, o Pacote Anti-Corrupção, foi engolido pelas velhas raposas de Brasília. Mais do que isso: Renan, o último dos coronéis mostrou finalmente quem manda realmente no país, fazendo vergar simplesmente a Suprema Corte Brasileira! E os apelidos, as alcunhas, a falta de escrupulos, e o assalto institucionalizado na politica vindo à tona com a abertura da planilha Odebrecht? O que dizer, se tudo já fora dito antes? Lembro-me de um "causo" do cabra que constantemente é alertado pelos amigos de que sua amada está sendo infiel, retrucado de pronto por ele, incrédulo, sempre. Até que um dia após acordar ao lado dela, foi calçar os sapatos e percebeu que eram número 44 e não os seus 40. Bruscamente sacudiu-a na cama para que acordasse. Gritou sem se conter: "Amor! Emagreci!"
Não achou graça? Pois é, não era pra ser engraçado mesmo.
Veja, nunca li muito sobre Mark Twain, mas desde muito conheço uma frase dele, que deveríamos levar como um verdadeiro patuá. "É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que foram enganadas". Qual o significado dessa frase hoje, no alvorecer da Era da Pós-Verdade? Após inúmeros golpes os brasileiros ficaram ingênuos demais, ou o Brasil se especializou em nos enganar? Não acredita, faça o Teste do espelho.
O teste é simples. Escolha um espelho grande e bem iluminado de sua casa, vista-se como vestiu-se durante as passeatas pró-Impeachment. Vista todos os adereços, inclusive, além do uniforme da seleção, a bandeira do Brasil, o pato da Fiesp, qualquer pintura no rosto, até mesmo o nariz de palhaço, exponha também algum cartaz que tenha levado com alguma mensagem em específico, mesmo que seja pedindo Intervenção Militar (seja forte). Fique diante do espelho e olhe firme, não pisque. Olhe nos olhos do cara que aparecer ali (clique aqui).
Pois bem, se você passou por essa etapa com certa facilidade tente lembrar que os tais "vagabundos do PT" já saíram do governo, e hoje você tem de lidar com Ministros de Estado fazendo tráfico de influência com a conivência do presidente; com uma PEC recém aprovada que limita apenas os gastos públicos com bens e serviços que mexem diretamente com a sua vida. E só a sua, pois ela livra as relações promiscuas do Estado, não tocando nas transferências aos bancos e nem controlando os juros com a divida publica (o verdadeiro câncer do orçamento brasileiro); com ofato de que você vai pagar sozinho o "rombo" da previdência, uma vez que militares e policiais foram poupados (responsáveis pela maior parte do rombo), além de poder morrer sem se aposentar; e finalmente com a profecia de Romero Jucá sendo cumprida à risca: a pior legislatura do Congresso Nacional nos últimos anos querendo barrar as investigações da "gloriosa" Lava Jato, aquela mesmo que você defendeu aos berros nas ruas. Inclusive abrindo porta para repatriação do dinheiro de parentes no exterior; e principalmente buscando a todo custo ANISTIAR as doações em Caixa 2 para suas respectivas campanhas. Tem mais, lembra das famosas 10 medidas contra a corrupção, só restaram quatro, e ainda com ressalvas. Bem na sua frente! Diante de você. E pior, de uma forma super covarde, tramitada na calada de uma terrível noite de comoção nacional. Lembra deles? Aquele mesmo Congresso que derrubou uma eleita presidente (clique aqui), em nome de Deus, da Família e da Moral, e te fez vibrar de alegria. E você aí olhando para as panelas amassadas. A pergunta que o espelho lhe fará mais cedo ou mais tarde é exatamente a respeito disso: Foi ingenuidade sua ou muita falta de vergonha na cara?
Eu sei, vamos devagar. Entendo que esses últimos dias de tormenta política foram difíceis para todos nós. De certa forma imagino que ao menos tenha sido didático para você. Tudo bem que avisos e alertas não foram poucos, e não só por aqui, mas os ditos pelos Jucás, Machados, Renans e afins... Ta vendo como política feita com ódio e preconceito pode te cegar? Sequer deve ser chamado de política. Acaba sendo tão vazio por dentro que não tarda em rachar e te abandonar no caminho, sob o sol escaldante das verdades verdadeiras. Tão certo quanto a visita da Joalheria à mansão de Sérgio Cabral, é que faltará conteúdo pra encarar a realidade, assim que seu ódio cessar. Não se faz um marujo nadando na piscina, e toda essa artificialidade da política brasileira no melhor estilo BBB, imposta goela abaixo em horário nobre, iria cobrar um preço caro de sua dignidade. Se há uma verdade sobre movimentos de massa manipulados, é que um cardume de sardinhas não é mais inteligente do que uma única sardinha. No final são todas sardinhas. A realidade sempre vai te exigir um pouco mais. Vamos então, meu amigo, nos desarmar. Veja o momento histórico que vivemos: Trump venceu, Fidel já é morto, ou seja, Miami e Cuba, seus maiores exemplos de mundo dicotômico das brigas nas redes sociais já não são mais úteis. A Nova Direita é Trump, a velha direita é o Governo Temer, e a  "Nova Esquerda" nem sequer nasceu. Tudo aquilo que havia de mais inconfessável a respeito do próximo, aquilo que você jamais falaria sob risco de ser considerado estupidamente preconceituoso já virou até lema de campanha presidencial. Você está livre para ser politicamente incorreto. Mas, se você não for um troglodita deve ter percebido como não dói sentir empatia, não? Por isso quero falar com o seu coração agora, porque não há credor mais duro que aquele espelho que te espera. Ouça a minha pergunta, e cuide apenas que seu coração não ceda ao ódio. Nesses dias fascistas é o que mais querem de você. Como é conhecer na prática tudo aquilo que defendeu? Como está sendo essa relação com a lógica ante o futuro que se avizinha? Esteja ou não vestido de verde-amarelo, na orla ou na varanda, com um pixuleco ou uma panela nas mãos, a impressão que fica é que seu reflexo necessariamente exibirá um nariz de palhaço independentemente da vestimenta e dos adereços que utilize. Observe que a história está lhe reservando um banco acanhado e com uma vista muito desprivilegiada do futuro, certo? Pois é, futuro esse que você nas ruas aos gritos achou que pudesse construir ao seu jeito, ao seu modo. Fica assim não, você não está sozinho. Eu quero agora é me sentar ao seu lado.
Sabe aquelas pessoas que confundem a mão direita com esquerda? Que precisam de um relógio bem vestido no pulso esquerdo para se situarem, sobretudo no trânsito, de qualquer acidente passível de ocorrer em função desse tipo de erro banal? Muitos chamam de transtorno de lateralidade, embora o nome técnico não seja esse, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que talvez tenhamos perdido, nestes dias, nossas mais profundas referências. É a sensação de que politicamente estejamos atolados em uma pântano da história sem saber ao certo em quem confiar para estender as mãos. Mas não se recinta de duvidar dos seus cultuados heróis, duvide mesmo, faz bem. Faz parte do aprendizado. É bom inclusive acreditar neles por um tempo para se ter certeza de que eles efetivamente não existem. Associados ao ódio, ao preconceito e ao medo que inundaram as ruas de gritos de ordem, proferidos ora por cristãos convictos, ora por burgueses padrão, os tais herói são capazes de devastar o que resta do ancoradouro de instituições intactas e referências conceituais seguras em nome de um moralismo messiânico. É o que está acontecendo. A mão protetora que te afaga é a mesma que pode te enforcar, e em nome da sua proteção. E depois? Em tempo de pós-verdade na era pós-golpe, que tal encarar o pós-reflexo no espelho de quem foi atrás do canto patriota como se fosse uma vinheta da seleção brasileira em pleno Jornal Nacional. Esse governo ilegítimo está te mostrando com mais profissionalismo e crueldade do que o anterior que entre a imoralidade e a ilegalidade há uma trincheira fedida que não lhe diz respeito. E a espetacular destravada da economia pós-Dilma prometida por esse governo da salvação, acabou de mandar um verdadeiro "fechado indefinidamente pra balanço", conforme os últimos números da economia... em desatre.
Agora, considerando que você é um daqueles cidadãos também perdidos, mas que por educação evita vomitar ódio e preconceito na Internet (até porque para esses, a batalha contra Darwin será mais dura do que contra aqueles que reagirem aos seus absurdos postados nas redes). Cabe registrar a título de esclarecimento que acho muito interessante a hipótese defendida pelo sociólogo Demétrio Magnoli, a quem confesso  ter muitas reservas, mas devo conferir crédito ao que ele discorre acerca das chamadas esquerda e direita no Brasil. Faço isso em homenagem a você, para selar a paz, e para nos salvar do imenso genocídio teórico que foram as discussões sobre política nas redes, nos últimos anos. Segundo Magnoli, há uma deturpação conceitual entre as noções de esquerda e direita produzidos na Europa e os adotados aqui no Brasil, e na América Latina. A chamada Direita europeia nasceu dos valores ligados a liberdade econômica, social e política tendo na defesa da propriedade privada por exemplo um eixo central para inúmeros de seus desdobramentos pragmáticos. Já a esquerda por lá seguiu na construção de valores ligados a defesa da igualdade social e na manutenção de seus direitos vinculados. Por essas bandas daqui, ao contrário de lá, toda a conceituação do que chamamos de "Direita", entre aspas mesmo, ganhou representatividade através da força política das oligarquias, e principalmente com a truculência do Regime Militar. Assim como a "Esquerda" latina também é fortemente identificada com o caudilhismo e suas variadas versões populistas, ganhando cores fortemente nacionalista e antiamericana. De forma que antes de qualquer julgamento de valor sobre ambos os conceitos, partindo dessa premissa apresentada, parece meio ridículo quando aquele seu amigo assume com os olhos brilhando que é de "Direita", ou quando você assiste a discussões paupérrimas, presas a uma dicotomia raivosa que mal se sustenta, no que diz respeito aos seus valores ancestrais. Seguir esse raciocínio binário à risca é entrar em autocombustão instantânea. Imagine: o PT é um partido "comunista", mas durante seu governo o capital especulativo ganhou asas e os rentistas mais do que enriqueceram. O PSDB é uma Social Democracia de centro-esquerda, mas hoje milita uma agenda ultraliberal com matiz conservador radical, e antipetista. O Bolsonaro é um dos "musos" daqueles que se autodefinem como de "Direita", mas é apoiado inclusive por muitos liberais, embora seu pensamento conservador esteja intimamente ligado ao modelo de intervencionismo estatal do Regime Militar. Imagine, ainda, o liberalismo político, que por sua vez, defendeu sempre valores humanistas admiráveis na sua origem, apresenta sua vertente econômica - neoliberal - como bandeira, no Brasil de hoje, da ala mais conservadora da classe média, propagadora de ideias revanchistas, reacionárias e sectaristas. Confuso esse país, não? Uma das explicações possíveis é que há por aqui um amor incondicional às estruturas oligárquicas, ora valendo-se do Estado para agendas proto-fascistas, ora valendo-se do mesmo para agendas populistas, que enviesam profundamente toda e qualquer explicação do Brasil que se paute no binarismo Esquerda/Direita. E mais do que isso, a história política brasileira é a história dos conflitos entre interesses regionais e nacionais, conflitos estes que nunca pouparam a democracia brasileira, abreviando mandatos presidenciais, valendo-se de gambiarras jurídicas e/ou militares, de acordo com o momento histórico, em nome de interesses outros que nunca foram comungados com os interesses  da maioria dos grupos que compõe o diverso tecido social, além de suas minorias representativas. A experiência progressista nesse país é algo muito recente e sofre junto com a democracia tupiniquim os golpes duros do conservadorismo tacanho, do provincianismo e suas violências.
Dá pra perceber agora o constrangimento alheio quando se lê na Internet algo como "o Brasil vai virar comunista como a Venezuela"? Ou o "PSOL quer promover a revolução pra destruir a família"? Ou ainda "A Hillary Clinton é comunista". Pois é, fica fácil também compreender como o consórcio Mídia-Fiesp conseguiu se utilizar desses cérebros brilhantes para sedimentar um terreno sólido de ascensão ao poder, burlando inclusive as vias tradicionalmente democráticas. O pior cenário é quando essa esquizofrenia opta por explicar também o mundo. A recente eleição americana foi literalmente absorvida pelo discurso raso das redes sociais brasileiras, realimentando o fla-flu horrendo da agenda política da ultima década, e radicalizada nos últimos dois anos. Os democratas de Obama e Hillary viraram a "Esquerda" americana e Trump, que nem como genuinamente republicano é visto por seus pares, transmutou-se no baluarte da "Nova Direita". Um verdadeiro ícone para os setores mais retrógrados de nossa peculiar reintegrada província bananeira. Sobretudo para muitos daqueles que emigraram para os EUA nos últimos anos, dentre eles inúmeros em condições irregulares de permanência, e que simplesmente decidiram apoiar a política anti-imigratória de Trump visando os mexicanos em sua maioria. Muitos desses exemplares tupiniquins não se consideram mexicanos, mas esquecem que são imigrantes latinos e que a condição de "classe dos eleitos" que julgam ter no Brasil não é extensiva ao território americano. Mais um exemplo do que o preconceito, o medo e o principalmente o ódio é capaz de fazer com o raciocínio lógico. Mas nesse caso também Darwin mandará aviso prévio. 
Mas que fique claro: Longe de obedecer também ao modelo de esquerda e direita produzido na Europa, a política bipartidária americana é peculiar por que adotou um formato que permite a divisão muito mais clara pra compreensão de sua própria realidade. Conservadores e Liberais compõe o verdadeiro bipartidarismo americano, e não a esquerda e direita que os neopolitizados de todo o mundo querem fazer crer. Uma curiosidade é que se tivesse logrado êxito, Sanders, o principal adversário de Clinton nas prévias teria ajudado a configurar uma nova agenda para os democratas. Uma agenda mais antissistema. Algo que pudesse até fazer frente ao inesperado populismo de Trump. Fato é que a extinta esquerda americana historicamente ligou-se muito mais à conceitos libertários dos anarquistas, em sua origem, ao invés dos modelos marxistas tradicionais que foram absorvidos em sua maioria pelos países da América Latina. Muito em função do Pós-Guerra e do front ideológico aberto contra a então URSS, a esquerda americana assimilou muito do discurso personalista do ideal americano de self made man produzindo uma versão progressista e liberal, extremamente distante de qualquer pretensão esquerdista ancestral. Dessa forma dentro de um tabuleiro onde o mercado e os tais valores liberais dão o tom da disputa, temos tradicionalmente Republicanos e Democratas divergindo entre si apenas no que diz respeito a conceitos morais, políticas de expansão e proteção de mercado, e questões internacionais. Porém a eleição americana de 2016 marcou o Novo Mundo porque foi afetada por toda a avalanche conservadora que varreu a civilização ocidental, danificando inclusive as democracias menos sólidas, dentre elas a brasileira. Mas diferentemente de outras ondas conservadoras históricas, há dentro dessa um elemento antissistema, não racional, que embora necessário e genuíno, manifesta-se de forma profundamente sensorial através da disseminação de valores anti-civilizatórios. Deve ser fácil acreditar, quando dito por alguém, naquilo que se quer ouvir em política. Deve ser sedutor ver no político alguém que fale o que se pensa, alguém que reproduza os preconceitos mais inconfessáveis sem ética, sem medo algum, alguém que faça você libertar o seu ódio reprimido contra negros, índios, latinos, mulheres, gays, muçulmanos. Isso é verdadeiramente sórdido, mas deve ser muito libertador para determinado tipo de pessoas. Porque foi assim que o empresário do establishment, rejeitado até pelos republicanos, valeu-se deste mesmo partido para fazer uma campanha ironicamente anti-establishment e chegar a presidência. De sua boca toda a América ouviu um autentico projeto de higienização dos Estados Unidos, e para isso comprometeu-se a retirar o país do papel de xerife do mundo em nome da recuperação de sua própria economia. Arrancou aplausos da Russia e da China e fez tremer aliados históricos. O Brasil pós-Golpe, a virgem abandonada da vez, ávido pelos dólares americanos prometidos pelos parceiros democratas, precisará se reinventar para conviver com uma nova década perdida, altamente explosiva, dessa vez. Tanto lá como aqui o ódio foi bandeira de campanha. Lá, o típico operário branco desempregado do Rust Belt, com sede de vingança desde que o neoliberalismo financista do Tio Sam levou os seus empregos para a China,  voltou-se contra o colega imigrante. Este, por sua vez, fragmentado em inúmeras identidades, o "precariado americano", cedeu ao medo de perder status, e voltou-se contra seus iguais no sul do país, somando-se, aos montes, ao discurso do Outsider que prega levantar um muro contra a América Latina. Construção por construção, o Brasil também implodiu a própria Democracia para se oferecer de bandeja aos interesses econômicos das corporações internacionais. E cá estamos nós. Talvez por isso você esteja se dando conta de que o projeto Brasil Pós-Golpe, se é que ele existiu como projeto, naufraga humilhantemente em números da economia fazendo arder as ruas novamente. Por aqui o Golpe dentro do golpe é iminente para saciar a sede de sangue de financistas e manifestantes, enquanto a democracia não volta. Por lá, se o projeto de reindustrialização der errado, dependeremos da truculência de Donald Trump que, seguindo a velha cartilha americana, deverá abrir um novo conflito militar no mundo, para que a indústria bélica reerga novamente os USA, e por tabela os atuais peixes-piloto como o Brasil, alem de frear os ímpetos da Eurásia. Ótimo. Quem risca o fósforo? Bem vindo ao século XXI. E você com vergonha de olhar o espelho. Ou se lida com os próprios erros de uma vez, ou pela internet logo, logo você verá como se gesta um estado de insurreição bem na porta de seu condomínio.
Para fechar: Há uma história peculiar de Adoniran Barbosa em que ele cortejava uma bela garçonete por anos sem nunca ser correspondido. É um drama pessoal que serve para nos como uma metáfora. Ela, a garçonete, através de um joguete cruel sempre dava asas as aspirações do apaixonado poeta, para que sem piedade nenhuma as abatesse no final. Assim foi indefinidamente. Até o dia em que cansado de ser humilhado falou para ela simplesmente que a mataria, deixando-a muito assustada. Foi quando ele compôs a música "Iracema", em cuja letra fala do seu profundo amor por ela, porém simplesmente a mata. Na música, claro. Curiosamente a letra a fez se interessar profundamente por ele. Ele, no entanto, passou a despreza-la. O interessante dessa história é saber que o ódio é uma forma de amor corrompida que consome talvez a mesma energia de quem a porta. Talvez seja a hora de arranjar um jeito de matar definitivamente a figura por quem você se apaixonou, esses últimos anos, no espelho. No fundo é uma questão de Ética. Não é o Brasil que nós devemos querer de volta, quando saímos à luta pelo país, mas é nossa própria dignidade. Até as ruas, amigo, quem sabe um dia do mesmo lado.

20 comentários:

  1. Bom Alexandre;

    Só posso achar graça no seu texto. Não porque ele seja realmente engraçado. Ele é triste. Triste, tacanho e cheio de recalque.

    Mas como você foi tão benevolente vomitando o óbvio, indo devagar e didático. Eu vou devolver a gentileza, sendo bem mais sucinto:

    Olha só para você seu trouxa! Você foi na rua de verde amarelo e a roubalheira continua mesmo sem o PT!

    Ahhhhhhhhhhhh.... Vá! Alexandre! Sério? Jura mesmo? Se você não fala que o povo que ficou lá está mais sujo que pau de galinheiro ninguém ia adivinhar! Você tem mesmo uma visão além do alcance.

    O ódio ao PT... Tadinho do PT.

    Engraçado. Não é o pessoal do PT que ODEIA a classe média? Que quer sair na rua de Facão na mão, porque vai ter guerra? (MST feelings).

    Quem é que está sendo ingênuo aqui Alexandre?

    “...Mas, se você não for um troglodita deve ter percebido como é dolorido sentir empatia hoje, não?...“

    Pois é né Alexandre? De onde veio o discursinho de ódio mesmo?

    Só para terminar, podemos pegar seu textinho quilométrico e matar ele assim:

    O povo foi para rua Alexandre, para se livrar da péssima administração que o PT vinha fazendo.

    O resto é devaneio do povo que acha que: Globo, Veja e a Direita malvadona estão unidos com o povo lagarto que vive no centro da terra e que tem um plano de dominação mundial junto com os maçons. Mas você não é desses né Alexandre? Você vê além. É esperto.


    Em última instância, eu adoraria ver o Lula ganhar em 2018, com o pais bem ferrado. Pegar o barco com vento a favor é fácil, vamos ver o quando ele é bom na tormenta. Seria mágico ver o PT sendo obrigado a tocar a reforma previdenciária para evitar a quebradeira do país.

    Ai os palhaços mudariam de lado né?

    “...há credor mais duro que aquele espelho que te espera...”. Você devia experimentar Alexandre. Mas olhe com senso crítico de verdade. Vai te fazer bem.

    E por favor, vamos ser mais sucintos. Para que um texto tão grande, para exprimir uma ideia que cabe em cinco linhas? Menos é mais Alexandre. Menos é mais.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia amigo,
      Bom ve-lo por aqui. Sabia q você apareceria mais cedo ou mais tarde. Fico feliz q tenha vindo.
      Primeiro: Fico feliz q vc tenha lido tudo, mas triste pq nao compreendeu o essencial. Ou a parte q não te interessava. A parte mais doída do encontro com o espelho você pulou. Ela se chama ÈTICA.
      Você enquanto cidadão inflado alcançou as ruas contra a corrupção. Derruba um governo cuja presidente nao teve sequer crime de responsabilidade comprovado. A corrupção continua com um Governo que assumiu A SUA AGENDA. O país piora em números e vc faz o que?? Fica em casa, tergiversando. A isso damos o nome de quê? Vivemos hoje mais do que uma crise política, econômica e social, uma crise de caráter. E vc esteja certo de que contribui hoje da pior forma.
      É óbvio que sabía-se q o PMDB era tão ou mais podre. Claro. Mas quem trabalhou para coloca-lo lá foi você, não eu. Você que solapou a democracia em nome do ódio a um partido. Aqueles que votaram numa chapa Dilma/Temer votaram em um projeto em que ambos deveriam cumprir por ser de vontade da maioria popular. O suplente, Temer, não cumpre qd assume e onde está vc?? Quero saber pq isso diz muito sobre seu carater. Onde está vc, já se olhou no espelho?? Dizer que Temer está lá foi votado é o mesmo q dizer q vc votou no seu suplente de Senador conscientemente. Mentira. Vc sabe disso! Admitir isso é questão de caráter. Só a título de ilustração o último vice a ter votos foi Jango em 60... e mais votos do q o presidente. Fica esperto, leia a historia. Aproveite e Leia O Golpe na Amendoira, texto meu q fala sobre Ética, vai lhe ajudar.
      O discurso de ódio nao nasceu com o PT, mas acompanha a politica brasileira desde muito em maior ou menor grau... udenistas, arenistas, tenentistas, etc e por aí vai. O Brasil nao foi descoberto no ano q vc nasceu. A classe Média a cada período de mobilidade social advindo de governos desenvolvintistas alimenta instintos sectaristas. É histórico. A classe Média odeia também e muito, muita gente escreve sobre isso. Aproveite e leia "O Gol da Alemanha e a Revanche dos Vira-latas" texto meu q fala sobre a Classe Média. Vai entender muita coisa. E vai avaliar o proprio carater. Vc anda precisando. Fazer politica sem Ética, dá em cegueira.
      Agora vamos a cereja do bolo:

      "O povo foi para rua Alexandre, para se livrar da péssima administração que o PT vinha fazendo.
      O resto é devaneio do povo que acha que: Globo, Veja e a Direita malvadona estão unidos (...)"

      Imaginar q Globo nao seja uma corporação com interesses, assim como a Abril, e outras instituições é o cúmulo da ingenuidade de quem simplesmente não conhece a história do próprio pais. E se conhece atravessa uma crise existencial se näo for um troglodita. Acredito q vc nao seja. Mas ou é muito, mas muito ingenuo, ou é profundamente mau carater por que nao pensou em nenhum momento no combate a corrupção, pensou apenas em retirar um governo q o venceu 4 vezes nas ultimas eleicoes. E para isso destruiu a democracia e jogou o país num bueiro institucional, que se nao superar nao tem recuperacao economica. Amigo, minha consciência está tranquila. A sua está nesse dilema ético: Burrice ou Mau caratismo.
      Por isso faço meus textos longos. Procuro enquadra-lo na primeira opção. De boa fé. E como uma boa leitura é feita por camadas vc parou na primeira. Foi muito pra vc. Leia de novo. Quero te ajudar. Mas te adianto que meus proximos textos serão menores. Em sua homenagem. Obrigado por trazer nossas boas discussoes pra cá...

      Abç.

      Excluir
    2. Tenho a impressão que esse pessoal não gosta de textos “quilométricos” por causa dos dois neurônios, que devem entrar em profundas contradições ao se perderam no cipoal das ideias que afloram de seus cérebros.

      Excluir
    3. Fique tranquilo. Enquanto os argumentos contrários se resumirem a tamanho do texto, estilo e outras perfumarias saberemos que estamos caminhando bem, no rumo certo.

      Excluir
    4. Perfeito Alexandre. Escolheu bem a cereja do bolo:

      "O povo foi para rua Alexandre, para se livrar da péssima administração que o PT vinha fazendo."

      Opa!!!! não era por causa das pedaladas? Péssima administração se resolve na urna. Com essa frase acaba de se definir como golpista.

      Outra coisa, acreditar que foi espontaneamente que o povo saiu a rua também é muita ingenuidade.

      Excluir
    5. Só o fato de ser anônimo já diz tudo. GOLPISTA

      Excluir
  2. Nossa Alexandre;
    Continuamos na mesma linha? Verborragia?

    Vamos lá:

    Você fala em ética de boca cheia, mas no fundinho defende o “Governo eleito” que de ético tinha bem pouco né? Então Alexandre? Que dilema hein? Mantemos um governo que está desmantelando o país (seja por burrice administrativa, seja porque não sabe costurar alianças) em nome da ética ou tiramos quem perdeu o controle em nome de uma esperança de salvação? A gente sempre pode esperar o país afundar de vez e morrer abraçado claro. E não me venha falar do governo atual que tem meses, contra anos do outro.

    “...Imaginar q Globo nao seja uma corporação com interesses, assim como a Abril, e outras instituições é o cúmulo da ingenuidade de quem simplesmente não conhece a história do próprio pais...”

    Essa parte é boa. Existem dois tipos de pessoa, para sermos aqui bem simplistas:

    As que sabem que Globo, Abril e companhia são corporações grandes e com interesses e então cabe ficar alerta. E o segundo tipo: As que acham que eles são o “grande satã” e que tudo o que acontece no país é culpa de um mecanismo complexo que visa a dominação global!

    Esse último tipo geralmente gosta de colocar a culpa de tudo que faz de errado na Elite, na Globo e na veja. O que eu considero uma criancice, para não dizer paranoia burra.

    Então, lendo seu texto nós descobrimos quem gosta de ficar tergiversando aqui né?

    Ahhhh essa parte aqui é ótima:

    “É óbvio que sabia-se q o PMDB era tão ou mais podre. Claro. Mas quem trabalhou para colocá-lo lá foi você, não eu. “
    Acho. Só acho que quando você votou na Dilma (se votou) deve ter percebido que estava votado no PMDB junto. Não? Vai me dizer que você estava naquele mar de ingenuidade: Se está com PT então eu confio. Pois é. Não é bem assim né? Abre o olho meninão.

    E essa também:

    “...Você que solapou a democracia em nome do ódio a um partido...”

    Como eu fiz isso Alexandre? Ahhhhh... Como eu não acredito ingenuamente nas bobagens que o PT fala você já assumiu que: Eu sai de cara pintada na rua batendo panela? Desculpe lhe desapontar. Mas essa suposição é só culpa do seu maniqueísmo político.


    Para terminar, porque não gosto de textão E já está ficando grande isso aqui.

    “...O discurso de ódio não nasceu com o PT...”

    Não nasceu com o PT, mas é usado muito bem por ele. Para doutrinar massa de manobra.

    Se você quiser realmente falar de ética, lhe desafio a fazer um texto imparcial sobre ética (ou a falta dela) na política com um todo. Sem poupar ninguém.

    Nesse ramo não há coitados Alexandre. E se você não percebeu isso. O coitado é você. Espero que você acorde.

    Ahhhhh...Sim. A democracia não morreu viu? Ainda teremos eleições. Não precisa de dramalhão.

    Droga escrevi demais outra vez.

    Um último adendo:

    Falando seriamente, sem sarcasmo e em respeito à sua posição eu tenho duas perguntas sinceras para lhe fazer:

    Você acha que a Dilma conseguiria governar e tomar as medias necessárias para voltar a economia par o prumo, sem base política e sendo atacada por todos os lados como estava? Se não. Qual seria o preço para país? É uma pergunta justa.

    Se o PT tivesse ficado no poder, ou se voltar em 2018. Você acha que ele seria capaz de governar sem realizar reformas
    profundas como a da previdência (Não estou dizendo aqui que concordo com a que está em andamento) ou a Pec dos gastos?

    Quero dizer... E falando um pouco aqui sobre ética na política e preocupação genuína:

    O PT tem uma formula mágica? Ou o caminho dele é o das medidas impopulares também? E se existe uma saída, ele prefere atacar o governo atual (legitimo ou não) ao invés de colocar uma proposta séria para ser analisada? Tudo se resume a essa pequenez da busca pelo poder?

    Você pode discordar de tudo o que eu disse lá em cima. Mas tem que admitir que essas são duas questões legitimas.

    No final Alexandre somos todos brasileiros no mesmo barco. Eu eu vou ficar mais tranquilo só quando ver na TV o pessoal de vermelho e o pessoal de verde e amarelo, indo a rua protestar contra a corrupção juntos. o resto é picuinha de futebolística.

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia amigo,
      Não é verborragia. Chama-se dialética estamos avançando. Seremos mais pontuais. Vamos lá:
      Sobre Ética. Aí é o cerne da questão. Você chama e invoca a Ética e a profana uma linha depois. Não defendo o governo A ou B, defendo sempre que governos A ou B DEMOCRATICAMENTE ELEITOS, só podem ser derrubados com um comprovação definitiva de ilícito praticado pelo presidente. Defendo a Constituição, defendo a Lei. Entenda que a nossa Democracia é um acordo de cavalheiros, que só se mantém com muita boa vontade dos agentes. De forma que se um grupo atribui um crime não comprovado ao chefe do executivo em nome de uma teórica "salvação" (juro que ri nessa parte...rs), já não há Ética nenhuma envolvida nisso, primeiro porque tais agentes deveriam se pautar no princípio de constante avaliação de nossas ações individuais para além dos eventuais moralismos em respeito ao coletivo. Isso é uma das bases da Ética e não houve, vide congressistas querendo estancar suas próprias sangrias. Você viu isso. Em segundo porque quem disse que o seu conceito de salvação, ou o de uma classe (classe média, por exemplo) significa necessariamente a salvação, ou a esperança de um todo? Por que a Globo falou? Por que alguma coisa precisa ser feita? Os dias de hoje provam o seu erro, e não por que são meses, mas porque valem por anos. A Hipócrita PEC 55, a covarde reforma da Previdência, todas aplicadas antidemocraticamente e sem contestação, mantendo privilégios.
      Sobre o que vc disse da Globo. Essa tática é velha. Hiperboliza-se algo para parecer inverossímil. Além de ser uma dicotomia de conveniências da sua parte. Um pouco de história do Brasil te daria elementos suficientes para se autoquestionar. As grandes crises políticas do Brasil tiveram papel relevante da imprensa na manipulação de informações. Na últimas: Em 64 a Imprensa escrita avalizou o Golpe que financiou um emissora praticamente a seu serviço a Rede Globo. Essa mesma emissora em 89 manipulou um debate alterando a tendência de votos, e recentemente fez o que fez no bombardeio seletivo do Impeachment. É só não ter preguiça e ler a respeito. Não cabe só ficar alerta. Cabe combater. Nossa democracia nunca será plena com a interferência desses grupos. (continua)

      Excluir
    2. Sobre votar no vice junto do presidente. Essa já foi retrucada na minha primeira resposta. Você pulou convenientemente pra evitar a argumentação. Está lá, procure.
      Sobre um texto falando de Ética. Farei outros, claro, mas acredito que tenha lido o Golpe na Amendoeira. Como Ética é um conceito atemporal você deve ter percebido muita coisa ali que valeria pra história do Brasil como um todo. Releia se puder.
      “Democracia não morreu”. Para essa deixo a resposta do amigo Carlos Alberto F Fernandes Gomes logo abaixo. Muito boa. Não conseguiria expor de melhor forma.
      "Você acha que a Dilma conseguiria governar e tomar as medias necessárias para voltar a economia par o prumo, sem base política e sendo atacada por todos os lados como estava? Se não. Qual seria o preço para país? É uma pergunta justa."
      Sinceramente não. Como foi um Golpe Parlamentar o Congresso boicotaria todas as ações. Mas como questiono e muito as tais "reformas necessárias" te asseguro que nossas gerações futuras estariam em melhores condições de expectativa, uma vez que tais medidas mantenedoras puras e simples de privilégios não teriam passado de forma tão antidemocrática. Mais do q isso. Poderiam no futuro ter confiança na nossa democracia e não ter trabalhar dobrado a fim de resgatá-la.
      "Se o PT tivesse ficado no poder, ou se voltar em 2018. Você acha que ele seria capaz de governar sem realizar reformas(...)?
      Saia do maniqueísmo. A questão não é o PT ou PSDB voltarem em 2018. A questão é que se voltarem ao poder em 2018 pela via democrática estariam legitimados para proporem qualquer medidas, boas ou más, pq teriam sido eleitos para isso e suas agendas teriam sido amplamente debatidas. Não tem como não voltar ao conceito de Ética. O que acontece no Brasil hoje é uma covardia, que é péssima hoje, mas só será sentida de maneira muito cruel e dura pelos nossos filhos e netos. Por isso antes que eles te culpem, faça de uma vez por todas o Teste do Espelho.

      Obrigado por aparecer.

      Excluir
    3. "A questão é que se voltarem ao poder em 2018 pela via democrática estariam legitimados para proporem qualquer medidas, boas ou más, pq teriam sido eleitos para isso e suas agendas teriam sido amplamente debatidas. Não tem como não voltar ao conceito de Ética."
      Tá de brincadeira, né? Dilma passou a campanha inteira escondendo poeira para debaixo do tapete e quando eleita fez absolutamente o contrário que prometeu. Não tem como voltar ao conceito de ética?

      Excluir
    4. E por conta disso atribui-se um crime a ela, que ela não cometeu (falamos disso antes), para que ela saia do cargo; e uma série de medidas que precisariam do aval da população para que fossem aplicadas, são aplicadas duramente à revelia da vontade popular? É isso que vc defende? Que ela errou muito sabemos, mas por causa disso deve-se culpar o povo e retirar dele o poder de decisão durante esse período em que ele será a maior vitima da tal "recuperação da economia"? Precisaremos sempre voltar ao conceito de Ética, pq ninguém fará isso por nós. Precisamos sempre estar atentos, pq se depender dos maiores interessados na queda da Dilma defender a Democracia é menos importante do que "recuperar a economia", seja lá para onde nos leve essa "recuperação".

      Excluir
  3. Caro Alexandre Meira,

    Apreciei o seu texto que penso ir no sentido certo, i. é, ao encontro do ponto nevrálgico do que se tem vivido, em especial neste último ano, na política brasileira. Nunca participei de tais manifestações contra a dita corrupção pois sempre soube que as mesmas nada mais eram do que fruto de ignorância e, sobretudo, de uma profunda hipocrisia -- a corrupção está em TODOS os quadrantes políticos, não é apanágio de um qualquer partido político. Aliás, admito a plena existência de visões políticas diferenciadas, não me considerando inclusive de esquerda ou de direita, visão tão maniqueísta que, quer numa perspetiva europeia, quer numa perspetiva latino-americana, é absolutamente redutora da realidade, isto apesar de considerar bem assertiva a análise que faz na distinção entre ambas realidades culturais. Mas sempre soube o que a aí vinha depois do impeachment, não tendo por isso mesmo sido minimamente surpreendido pela realidade. Por isso, e sobretudo pela quebra das regras constitucionalmente impostas -- o tal «crime de responsabilidade» que não pode ser visto como um mero detalhe sob pena de se instalar o caos --, nunca pude concordar com o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, especialmente nas bases em que o mesmo ocorreu, considerando-o inclusive um monumental erro estratégico e tático por parte daqueles que a queriam depor -- «direita burra», para usar as palavras, neste ponto bem assertivas, de Reinaldo de Azevedo. E mesmo havendo, dependendo da perspetiva de cada um, críticas que se possam apontar ao seu governo, aqueles que a queriam apear do poder por um atalho -- o tal «jeitinho» brasileiro --, não tinham quaisquer respostas para os reais problemas econômicos, não outras que a perfeita desgraça que pude de perto assistir no sul da Europa, em grau profundamente acelerado e devastador face ao que já tinha acontecido em 2015. Basta um pouco de estudo e de leitura, bem como de abertura mental, para se perceber, logo à partida, o perfeito engodo (melhor dizendo, tragédia) que ia ser o Golpe de 2016. Golpe sim, pois não respeitou o disposto no artigo 86.º da CF sobre a necessidade de comprovação da prática, com dolo, de um «crime de responsabilidade» por parte da presidenta eleita, apesar de depois de tudo o que já se viu nada me admirar que mais uma vez a CF seja reescrita pelo STF na sua interpretação fora do seu espírito e letra, pelo menos na forma como a mesma foi escrita e aprovada em 1988. Será a chacota aos olhos do mundo e o isolamento internacional do Brasil, onde com Donald Trump nem o Tio Sam nos salvará. Pena este jeitinho tupiniquim que aos olhos do exterior será sempre, na melhor das hipóteses, visto como uma autêntica republiqueta bananeira.

    [Continua]

    ResponderExcluir
  4. [Continuação]

    Quanto a um dos anteriores comentários, não assinado, onde é referido que a democracia não deixou de existir pois continuam a haver eleições, devo deixar uma singela resposta a quem faz tal afirmação: vá estudar história. Melhor, vá fazer pesquisa histórica, mexendo em arquivos e lendo textos de época. Se o já tivesse feito saberia que TODOS os regimes hoje considerados como tendo sido algum tipo de ditadura, não só NUNCA se descreveram a si próprios dessa forma -- na verdade, costumamos ver associadas aos referidos regimes expressões como «revolução», «movimento restaurador», entre outras similares, com o uso inclusive do adjetivo «democrático» para se autointitularem a si próprios --, como em geral tais regimes SEMPRE mantiveram os principais atos eleitorais, como aliás também aconteceu no Brasil. No caso brasileiro, face a outros congêneres, existem algumas particularidades, mas estas não são assim tão incomuns como a eleição indireta do chefe máximo de governo. Contudo, em momento algum SÃO SUPRIMIDOS TODOS os atos eleitorais nos regimes que hoje designamos de alguma forma de «ditadura». Por favor, antes de ser tão ingênuo e infeliz como o é nesta sua afirmação, estude um pouco de história, não só a brasileira, mas a mundial, e observe aquilo que exatamente aqui descrevo (tenho formação na área, por isso sei do que estou falando).
    De resto, só posso dizer que, para além da hipocrisia e da falta de honestidade intelectual -- a par da já referida falta de ética --, a realidade brasileira aparenta se caracterizar por uma profunda ingenuidade, isto para não usar uma expressão bem mais forte. E isso é algo que profundamente lamento face às potencialidades do que o Brasil, neste início do Século XXI, poderia ser na cena internacional. Afinal, ao invés de progredirmos em frente, voltamos, pelo menos, meio século atrás.
    Obrigado por esta sua excelente reflexão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Perfeito. Irretocável. Sem mais a acrescentar.

      Excluir
  5. Nao consigo entender como tanta inteligencia pode ser a favor da destruicao do paiz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se atribui realmente esse crédito todo a minha inteligência, peço humildemente que desconfie e reavalie sua maneira de ver a política e o país.

      Excluir