sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

OLIGARQUIA X LIBERDADE: O ALVORECER DA ERA PÓS-ILUSÃO, POR ALEXANDRE MEIRA.

Resultado de imagem para democracia ferida



Nunca foi tão rápido o evanescer de uma ilusão. Durou exatamente doze minutos de fogos inebriantes em uma orla lotada de gente de branco. Você que esteve lá, em pensamento ou de corpo presente, se entregou com verdade e teve fé, foi levado a acreditar até o último segundo. Só que veio no dia seguinte a boca amarga da ressaca, e com ela os olhos inocentes ainda gravados das belas imagens. E foi através deles que o Brasil te acordou com um massacre de boas-vindas. Sessenta detentos foram executados em brigas de facções rivais em um presídio privatizado no norte do país. "E eu vou lá defender bandido?" Algum dentre os ilibados "homens de bem" pode ter se perguntado em voz alta. Não, considerando que se tenha inaugurado um conceito novo: "A Chacina do bem". Do contrário, se você segue valores humanistas e acha que o igual direito a vida é um princípio básico para manutenção da civilização, consideraria defender bandido ir para a orla de Copacabana, vestindo a camisa da CBF com uma faixa "Somos todos Cunha". Pois é, tal qual o massacre do Carandiru em 1992 (coincidentemente durante outro período de fortíssima instabilidade política), uma nova era dos massacres parece estar sendo inaugurada em 2017, como um desdobramento soturno da maior crise Ética que o país atravessa em sua história. Como está sendo difícil encarar o espelho (clique aqui), o caldo que entorna nestes novos velhos tempos é o caldo quente da intolerância. Pensa que acabou? Não. Saberíamos mais tarde, ainda no mesmo dia primeiro do ano, que os filhos do ódio nesse país começaram a produzir suas obras-primas: um misógino assassino de Campinas matou dez pessoas além de sua própria família, como retaliação a diferenças quanto a guarda do filho. Como cereja de um bolo macabro deixa uma carta aberta de exaltação plena ao preconceito, típico desses tempos de Internet, e ao ódio, sobretudo, às mulheres. Os milhares de apoiadores nas redes talvez sejam hoje a demonstração mais funesta de que um pensamento genuinamente fascista faz-se hoje perceptível e iminente. O que era um discurso politicamente incorreto de anos atrás, transmutou-se em um forte vetor de preconceito social e anti-minorias em 2016, para consequentemente abrir este ano aos passos largos de incivilidade, engrenando uma marcha inexorável rumo a destruição. Ah! Esqueci, meu leitor: Feliz 2017.


É bom que se diga de antemão: Não vivemos em uma Democracia. Simples assim. Podemos assegurar que temos Instituições complexas, eleições muito bem feitas, briosos servidores encampados na tarefa de produzir um espetáculo de mobilização social que encanta o mundo. Temos tudo isso, mas fora isso, não temos mais nada. E não é por desprezo às pessoas, não, muito pelo contrário é para elas que me dirijo. Mas é necessário dizer que o que há é apenas a casca, como numa cidade cenográfica muito bem construída e surpreendentemente crível, por onde se passeia confortavelmente iludido. Mas a essência, o recheio, a carne, esse conteúdo imprescindível não há. Frágil também é a ilusão da Democracia brasileira, como um castelo de cartas que não se cansa de desmoronar. Ou melhor, sempre recém-desmoronada. Isso porque elas, a Democracia e suas sutilezas, não se perderam agora ante a brutalidade política de 2016. Elas, como numa epifania,  apenas se tornaram cristalinas e compreensíveis em toda sua ausência, e de uma só vez. Nunca foi tão elucidativa embora dolorosa uma desilusão. Este ano de 2017, pois, recém parido, nasceu livre, selvagem, sem limites, sem qualquer forma de superego para frear seus impulsos primais. Talvez assim seja até melhor para ser visto, admirado, contemplado, odiado e sobretudo compreendido, tal qual 2016, só que sem qualquer inocência e manifestação de fé. "Estamos em guerra!" Os historiadores do futuro dirão ainda. Mas muitos, independente de serem historiadores ou não, já nos alertaram antes. Há uma entrevista antiga, às vésperas da publicação do seu primoroso "Ensaio sobre a Lucidez", do célebre e saudoso escritor José Saramago, que  dentro de toda sua genialidade antecipa com maestria aquilo que os analistas políticos de hoje começaram a assumir com um pouco menos de pudor. "Mas... que Democracia?" Na obra, especificamente, o autor questiona suas bases frágeis ao nos apresentar, sob uma ficção, a eleição em um país imaginário, no qual há a surpreendente vitória dos votos em branco, ao invés de uma vitória de um candidato proveniente do espectro político. A consequências não poderiam ser mais assustadoras. Os discursos da mídia, do governo e o surto autoritário que nasce desse evento hipotético desencadeiam os questionamentos ferinos do autor às nossas instituições. Democracia, para quem? Nada mais atual, não?


"Temos os juízes, tribunais, temos todo o esquema montado. Este esquema é formal. Mas até que ponto se permite que esse sistema seja substancial? Vivemos dentro de uma bolha, que eu chamo de bolha democrática, onde tudo funciona perfeitamente."


O que Saramago quer nos dizer é que os modelos que regem hoje as sociedades democráticas do ocidente não passam de democracias de papel machê, porque só obedecem a poucos comandos de fato, e de pequenos grupos. Há um mais importante a ser destacado, que age de fora para dentro: É o mega sistema financeiro internacional, que ganhou um novo impulso a partir da década de 70 com a crescente atividade especulativa se espalhando pelo globo. O que estamos vendo nos últimos anos de um modelo de globalização nos estertores é a quebra de toda a estrutura jurídica interna dos Estados Nacionais que resistem a uma agenda rentista (não política) global gerando muita, mas muita instabilidade. É o estrangulamento de fora pra dentro do modelo social-democrata no Ocidente. Isso se dá de tal forma que os Estados mais frágeis, ou seja, com democracias mais suscetíveis aos sismos das placas tectônica dos conglomerados financeiros, ou se submetem a uma agenda rentista de especulação ou se fragmentam. Em 2016, sob uma análise macro, vimos que os Estados Unidos se movimentaram estrategicamente frente a insurgente frente eurasiana de mercado. A bem sucedida parceria Sino-russa que se agiganta cada vez mais emplacando Tratados internacionais que redimensionam as rotas comerciais do planeta, obrigaram os Ianques a reagirem para assegurar seus mercados. Chineses e Russos parece que compreenderam definitivamente a favorável composição geográfica que dispõe em relação ao resto do mundo. E o que se viu por estas terras tupinambás foi simplesmente um reflexo desse jogo, um efeito colateral. A democracia brasileira foi golpeada por uma apropriação política de demandas sociais setorizadas (clique aqui), apoiada externamente como uma forma de se desestabilizar não só o Brasil, mas os Brics, recompondo a América Latina como um mercado eminentemente americano. Para isso vimos uma demanda autentica contra corrupção, conduzida histericamente por setores jurídicos e de mídia propensos a uma agenda antinacional, enquanto uma chuva de dólares transbordava as contas de movimentos ditos apartidários para que lotassem as ruas. E claro, gratuitamente retroalimentado por um forte sentimento revanchista de setores da classe média. O rascunho de um pensamento vira-lata, que se reproduz na nossa estrutura social e encontra eco nas mais conservadoras oligarquias regionais, ganhou cores vivas e verniz ironicamente patriótico. Essas oligarquias regionais e políticas, que encampam o verdadeiro movimento reacionário brasileiro, sequestram nossa pretensa democracia intermitentemente durante nossa história, e representam interesses antinacionais por puro provincianismo. São por si só a marca do conservadorismo e do atraso político brasileiro.



Se há algo a ser combatido, nobre leitor, em nome de nossa mesmo que utópica democracia, é a nociva rede parasitária das oligarquias regionais em nossas instituições políticas. Quase sempre, por suas heranças históricas ligadas a privilégios e escravagismo, vendem-se aos interesses que melhor alimentarem esse mecanismo de expropriação do Estado. Mesmo que os interesses sejam contrários aos interesses da população. Veremos agora como elas se especializam e se tornam as maiores fiadoras da corrupção de nossa representatividade popular.


Por terem raízes históricas, as oligarquias tentam nos fazer crer que vivemos em plena exuberância institucional e que tudo que ocorre dentro dessa bolha, parafraseando Saramago,  é manifestação de nossa democracia. Não passa de uma belíssima história de ficção. Basta rever a história política de países com democracia frágil como a nossa, assolada pela ação de oligarquias regionais como a América Latina, e suscetível a golpes intermitentes, militares, jurídicos, etc. Por isso é importante que saibamos reconhecer as oligarquias no tecido social e político brasileiro, e suas manifestações, para entendermos que pouco a pouco a democracia nos vais sendo roubada. Esse fenômeno, embora mais agudo nessas terras, é visto também nos países europeus, e também nos Estados Unidos. A Democracia desliza vagarosamente para um regime oligárquico, criando uma nata sobre o qual o capital financeiro pode se apoiar com mais solidez, e onde o povo já não tem mais poder de decisão direta. A oligarquia é uma forma de democracia que só funciona para os oligarcas, conservadores, e os intimamente ligados às estruturas de Estado. Os oligarcas se transformaram numa espécie de intermediários da vontade popular, só que a serviço da casa grande. Uma vez que se puseram de acordo com os interesses de mercado vigentes, eles impõe suas decisões. Passe a observar com curiosidade as crescentes tratativas acerca da implantação de um sistema parlamentarista no país. O nosso Congresso Nacional é o nosso Parlamento. Relembre que em 2016 houve um golpe político promovido pelo Congresso. Imagine seus poderes agigantados. Nossas estruturas de representação e instituições não instrumentalizam nossa democracia porque a potência financeira detém um relevância desmedida em comparação como a manifestação do voto. Basta ver o sistema de financiamento empresarial de campanhas vigente até as últimas eleições. Não há autoridade pública ostensiva contra esse verdadeiro sequestro da democracia. O que vale mais, o seu voto ou sua doação de um milhão de dinheiros para os fundos de um partido, ou candidato? Os poderes públicos dependentes dessa estrutura viciada nunca tomarão uma decisão que prejudique seus interesses econômicos cada vez mais globais. Esses interesses, também, diga-se de passagem, pertencem uma outras oligarquia, só que de natureza financeira, e internacional. Devemos assumir que aqueles que têm as rédeas do poder político do Estado não mais tomam decisões em benefício do interesse geral. Você pode até duvidar se um dia já tomaram, mas que hoje nossa capacidade de resistir sem a força do Estado Nacional é infinitamente menor, hoje, isso é.


 Veja, para entendermos melhor as entrelinhas, no Brasil o que vimos até hoje é uma estrutura de facilitação e favorecimento de famílias que compõe o espectro político para se perpetuarem no poder. Historicamente esse apoio entre famílias e representantes do Estado ficou conhecido como coronelismo: o título de "coronel" nasceu no período imperial, mas com a proclamação da República "os coronéis" continuaram com o prestígio social, político e econômico que exerciam nas vizinhanças das localidades de suas propriedades rurais.


Eles sempre exerceram uma política de troca de favores, mantinham sob sua guarda uma enorme quantidade de afilhados em troca de obediência rígida nos currais eleitorais. 


A ação política dessa forma se consolida através dessa redes de favores, e através de práticas como clientelismo e patronagem. Uma família que transite nesse meio, com uma organização mínima consegue ao mesmo tempo estar inserida no campo político, ter capital e contatos "úteis". É um desastre anunciado para qualquer democracia no mundo. Note que a cada legislatura nova, democraticamente eleita, vai aumentando a proporção de políticos que têm conexão de parentescos entre si.

É interessante, ao se constatar isso, observar o pensamento do filósofo Jean Baudrillard no que diz respeito a Teoria dos Simulacros. Segundo ela a realidade deixou de existir, e passamos a viver a representação da realidade, difundida, na sociedade pós-moderna, através da espetacularização feita pela mídia. Radicalmente irônico, mas com fundamentos, Baudrillard defende a teoria de que vivemos em uma era cujos símbolos têm mais peso e mais força do que a própria realidade. Desse fenômeno surge os “simulacros”, simulações malfeitas do real que, contraditoriamente, são mais atraentes ao espectador do que o próprio objeto real. Atraente de tal forma que o objeto real simplesmente deixa de existir dando ao Simulacro o poder de conferir realidade, por ter substituído o real. Uma estrutura para-realidade sustentada principalmente pela força massacrante da mídia. Compreendamos nossas instituições nessa Era da pós-Verdade? Podemos garantir que existe a Polícia? O que dizer de nossa Justiça (clique aqui)? O que dizer de nosso presídios sob controle... de quem? O que dizer das grandes manifestações democráticas pelo país, de suas estruturas eleitorais funcionando plenamente em dia de sufrágio, convencendo até os menos incautos de que tudo caminha com o máximo de normalidade dentro da bolha mais convincente. Basta termos eleições para sermos uma democracia?

 Note que sempre houve uma necessidade premente de o Brasil se consolidar democraticamente. Só que contrariando nossas conquistas, temos hoje mais de 50% de nossas instituições político-representativas viciadas, 328 dos 649 congressistas brasileiros atuais tem entre si laços políticos e familiares. Imagine o que é o nepotismo para uma estrutura administrativa qualquer, agora projete isso ao máximo de nossas Instituições públicas, nossas estruturas de representatividade e expressão da vontade popular. Isso pode ser até mais visível no Legislativo, mas também ocorre em grande proporção no Executivo, no Judiciário e inclusive no afamado Ministério Público. Não respire, pois na legislatura vigente, para ilustrar outro exemplo, apenas oito dos 40 deputados com menos de 35 anos não vêm de família com tradição política. Só se elege hoje, nesse país, quem é profissional da política, quem tem muito dinheiro, ou quem já é eleito e tem muito apoio da máquina pública.

É importante destacar que com base nesse interessante estudo da UnB, publicado no segundo semestre de 2015, analisou-se os 983 deputados federais eleitos entre 2002 e 2010 e concluiu-se que, no período, houve um aumento de 10,7% no número de deputados ligados consanguíneos de famílias de políticos, atingindo o ápice de 46,6% em 2010. Logo após a última disputa eleitoral de 2014, a ONG Transparência Brasil também divulgou outros números em que concluiu que 49% dos deputados federais eleitos em 2014 tinham pais, avôs, mães, primos, irmãos ou cônjuges com atuação política – o maior índice das quatro últimas eleições, atingindo quase a maioria absoluta. Como poderíamos não achar que nossa democracia seria abatida com uma composição política dessas? Há uma estrutura de privilégios sociais e econômicos sendo representada e não uma demanda da população. Há, também, entre essas famílias, estratégias para conservação dos espaços de poder, com indicação de filhos ou parentes que muitas vezes são obrigados para ocupar essas posições, muitas vezes contra as próprias inclinações. Para simples manutenção e privilégios. Qual seria o ressignificado de desilusão caso a sociedade brasileira compreendesse a profundidade dessa composição parasitária de poder?

O que é importante e que o verdadeiro legado por essas famílias são os contatos com financiadores, com controladores de currais eleitorais, e uma teia de apoiadores que disputam outros cargos. Essa rede de favorecimentos é um recurso que dá aos "herdeiros" uma série de vantagens nas disputas eleitorais”. Outro dado preocupante é que nas três últimas eleições gerais a diferença do número de beneficiados pelo parentesco entre a chamada direita e na esquerda brasileiras aumentou. Os herdeiros conservadores distanciaram-se na margem numérica sobre os progressistas, outrora de 13% para 22,5%, quase o dobro, em 2010. O que coincidiu não só com o distanciamento do Partido dos trabalhadores das demandas populares, mas com o perceptível aumento de bancadas como a ruralista, a da bala, e a evangélica na Câmara no mesmo período.  

É angustiante essa desilusão por que além de nos levar a questionar a validade de uma experiência democrática que cada vez tem se demonstrado utópica, chegaremos ao ponto de questionarmos se há liberdade de fato aonde não há democracia. Somos verdadeiramente livres se não formos capazes de assumir as rédeas de nossos próprios destinos individualmente, enquanto povo, enquanto nação? Há uma frase do economista Milton Friedman, que apesar de ser um dos mais notórios representantes do neoliberalismo norte-americano, é curiosa por que ela elucida como as estruturas políticas viciadas pelas oligarquias (poderia ter incluído as oligarquias financeiras também) asfixiam não só a democracia, mas o exercício da própria liberdade:

"Liberdade política significa ausência de coerção de um homem pelo seu compatriota. A ameaça fundamental a liberdade é o poder de coagir, esteja ele nas mãos de um monarca, de um ditador, de uma oligarquia ou de uma minoria momentânea”. 

Conservadorismo e Liberdade não costumam andar de mãos dadas na história. Há entre eles uma relação inversamente proporcional. Já vimos que a maioria dos deputados federais com menos de 40 anos é de família política. O que precisamos entender é que essa "Juventude" herda não só o capital, mas a visão de mundo e as pautas conservadoras de suas famílias. Assim, temos jovens políticos que defendem o que os avôs já defendiam para simples manutenção e velhos privilégios. Na verdade o que os novos ventos da política advinda dessa estrutura tende a apresentar de novo são adaptações de velhos discursos aos novos tempos, que via de regra não fazem mais nada além de modernizá-los: "Quero o meu Brasil de volta!". De qual Brasil estamos falando? É preciso identificar as atraentes pautas inovadoras das oligarquias.com em tempos de redes sociais. Nada como uma bandeira do Brasil e um "revoltado online" para que se achar que alguma coisa precisa ser feita. O credor depois será o espelho. Tal sistema eleitoral e político é estruturado de tal forma viciada que muitos partidos e legendas novas moldam-se ao funcionamento das velhas oligarquias para sua própria sobrevivência.

Uma última análise é sobre a oligarquização da política que não se manifesta só no Congresso Nacional, mas reproduz-se também em Assembleias Estaduais, Câmaras de Vereadores, nos Poderes Executivo e Judiciário e principalmente, e não menos importante, na mídia. Essa é uma constatação que talvez seja o que há de mais nocivo dentro de toda esse processo de corrosão da Democracia: O papel da Mídia. Pois trata-se do papel daquela rádio no interior onde o candidato tem a sua base garantida. O estudo no texto citado como da UnB é coordenado por Luís Felipe Miguel, e constatou que, entre 2002 e 2010, um em cada quatro dos eleitos que tinham parentes políticos apresentava vantagem também no capital midiático, quase 50% a mais do que entre aqueles sem elos familiares. A mídia ganha papel de destaque na manutenção do cenário, para credibilidade do simulacro, até que o objeto real tenha se esvaído por completo. No fim só a mídia lhe dará a noção "real" de Democracia e Liberdade que você anseia, e com o tempo, por conta dessa simbiose, você mal perceberá que está a serviço dela e não ela a serviço de você. Democratizar o acesso à mídia e ao capital midiático é uma missão a ser cumprida neste século. Estamos atrasados nisso também.

Já que o assunto é o Brasil na era Pós-Ilusão em meio a sua cruzada moralista, cabe aqui um conto indígena muito famoso nas culturas do tronco Jê: Havia uma guerreira belíssima chamada Naiá. Sempre ouviu história de que a Lua era um homem belíssimo que em certas noites levava belas mulheres para que se transformassem em estrelas. Foi o bastante para que Naiá se apaixonasse. Passou a desprezar os homens da tribo e não havia ninguém que a fizesse desistir de querer ser a eleita pelo Deus Lua. Naiá imprimiu uma verdadeira cruzada atrás dos seus objetivos e saia todas as noites pela mata atrás de seu amor. O que era amor virou obsessão. Por diversas as vezes a aldeia socorria Naiá em surtos na mata olhando para a Lua, o que deixou seus pares muitíssimo tristes. Velhos diziam que Naiá desprezava seus iguais e que o Deus Lua ficava triste, e que jamais a escolheria. Mas Naiá prosseguia, alguma coisa precisava ser feita, ela também tinha direito a ser eleita como estrela. Até que uma vez, atordoada pelo brilho da Lua na madrugada, ela chegou a beira de um lago e ao ver o reflexo brilhante achou que o Deus Lua banhava-se por ali. Naiá não se conteve: Mergulhou fundo, e quando viu que era uma ilusão não teve forças para voltar. Sua aldeia chorou quarenta noites com a perda de sua guerreira mais bela.

Com o coração apertado o Deus Lua ofereceu a tribo, bem no centro do Lago onde Naiá se fora, a mais bela Vitória Régia como lembrança de que todo sonho por mais genuíno e verdadeiro que seja, não deve ser baseado em inocência ou desprezo, caso contrário traz devastação e dor.

Feliz 2017, e que dessa vez ao menos nossos sonhos durem um pouco mais do que nossas ilusões.


12 comentários:

  1. Bom…,

    Portanto, visto que agorinha chegou o amanhecer do 1º domingo de 2017, vamos vestir-nos, tomarmos o café da manhã — de preferência um capuccino –, e vamos trabalhar no PC para ter dias melhores, tendo sempre o capacete e a espada à mão.

    Os nossos inimigos já sabemos! São a picaretagem, a baranguice, a cafonice, o Kitsch, a breguice e a mentira publicitária das velhas e velhos de Mídias Sociais do Petismo.

    Embora, por outro lado, já tenham sido privados daquela imagem ilusória de invencibilidade que tinha sido criada por João Santana, e feito tanta gente tornar-se isentona e alienada, postando coisinhas infantis e oba-oba em sítios como o G+ e Facebook. E, daí, esquecendo totalmente de falar mal do PT.

    Todos esses bregas e essas bregas, que são categoricamente a favor das forças financeiras das trevas, vão continuar passivas e isentonas em 2017! Como se nem o ano 2016 tivesse acabado e passado. Afinal, sabemos, petistas têm Natal e reveillon ruins e antiquados. O ano 2016 foi o da vitória. Essas asseclas do Petismo estão longe de ser derrotadas. A baranguice é tal qual ERVA DANINHA, cresce a minuto. Portanto fiquem de OlhOs bem abertos!

    MAS, MESMO ASSIM, SERÁ UMA NOITE NÃO SOTURNA E SIM SOLAR E ALEGRE!

    O que queremos dizer é que a luta continua. Mas será uma luta mais alegre e mais solar, porque vemos divisões e dúvida no coração do inimigo, e vemos as primeiras luzes do sol, depois de uma longa noite de 13 anos de toda espécie de baranguice.

    ¿Por quê? ¿Por que dizemos que será uma luta mais alegre?

    Porque afinal a analfabeta política, de 50 milhões de votos, foi dado-lhe um ponta-pé na traseira pensante que ela leva sobre o pescoço, naquele glorioso ano de 2016.

    Por mais que possa parecer estranho e paradoxal, se milhões de brasileiros encontrarem mais coragem para se opor à máquina infernal que os aprisiona, a encontrarão também os milhões de cidadãos estadunidenses, que têm demonstrado que não querem mais ser soldadinhos de chumbo dispensáveis ou vacas leiteiras. Claro que estou a falar de gente pensante, e não de bregas, nem de universitárias de unidades decadentes do interior brasileiro e muito menos estou a debater a respeito de i-sen-to-nas.

    E, por mais estranho que pareça, mudando um pouco de assunto, um engraçado irlandês meio alemão que construiu um império hoteleiro, poderá, agora, jogar suas cartas no grande jogo. Digo lá nos Estados Unidos da América (país esse que nos permite está escrevendo nesse Newsletter nesse exato momento, o inventor da Internet).

    Não sabendo para que lado ele vai jogar exatamente, mas tendo em vista aqueles que tudo fizeram para impedir sua eleição, desejamos, desportivamente, poder apreciar a sua devida revanche! Dia 20 é a posse. Corajoso, que fala o que pensa, sem picaretagem fingida. Sem o fingimento do politicamente-hipócrita-correto.

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    1. Ponto de interrogação invertido no início da pergunta. Característica da língua espanhola. Vieste de lá ou o tradutor do texto se confundiu?

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    2. Amigo, obrigado pelo texto, mas permita-me discordar, em partes:

      "Os nossos inimigos já sabemos! São a picaretagem, a baranguice, a cafonice, o Kitsch, a breguice e a mentira publicitária das velhas e velhos de Mídias Sociais do Petismo."

      Mesmo que o chamado "Petismo" possa ser considerado um dos principais problemas brasileiros nesse próximo ano, considerá-lo um fim último é por demais ingênuo. Por desconhecimento do que são as chagas brasileiras históricas e de que formas elas resistem ao tempo. A desigualdade social brasileira reverteu direção recentemente e ameaça transformar o país novamente em uma Belíndia. Desconsiderar isso também é uma prova de que o horizonte do condomínio fechado de alguns não é suficiente para dar conta do país com essas dimensões e complexidade. Falar mal do PT é uma coisa, agora, reconhecidos seus erros, devemos atermo-nos às vitórias, que existiram sim, como em qualquer período histórico, para que não as percamos. Isso pq se há algo que a onda conservadora gafanhotesca atual demonstra é que não se persegue mais os erros (inúmeros e gravíssimos) do PT, mas seus acertos. Isso é covardia não com o PT, mas com quem se beneficiou das vitórias. Situar um discurso de país sobre um mero antipetismo bobo é não deixar de brincar de carrinhos mesmo quando na idade adulta.

      "MAS, MESMO ASSIM, SERÁ UMA NOITE NÃO SOTURNA E SIM SOLAR E ALEGRE!"

      Registrar ainda que será uma noite alegre simplesmente porque não temos mais a Dilma na Presidência é outro ato falho que denuncia o primarismo de quem vê o Brasil com a profundidade de um Big Brother Brasil. A irrelevância de Dilma para a atual crise é diretamente proporcional a dispensabilidade da necessária Democracia para qualquer país. No caso do Brasil, não é a Dilma, nunca foi a Dilma, ou o PT, a serem salvos, mas o Direito de que toda manifestação popular através do voto seja preservada e respeitada, algo que no Brasil é dificílimo de se manter, dada nossa história de golpes. De tal forma, que o que sobrou da derrubada desse imaterial acordo tácito que se chama Democracia é hoje o reiterado uso da força e o desequilíbrio institucional infindável. Ou seja, simplesmente o que vemos hoje nas ruas: massacres, minorias perseguidas, feminicídios, fascismo nas fachadas, etc... Não enxergar essa piora do quadro civilizatório como uma noite longa e fria, e sobretudo triste, explica mais sobre quem assume essas palavras do que de quem as questiona.

      "Corajoso, que fala o que pensa, sem picaretagem fingida. Sem o fingimento do politicamente-hipócrita-correto."

      E por fim você demonstra o Deus ao qual serve. Nada mais previsível: o retrato da infância moral de uma geração imediatista, antiética e profundamente utilitarista, que assumidamente justifica os meios pelos fins, idolatrando populistas que dialogam com os sentimentos mais abissais e primitivos que carregamos em nós, presos, pelo bem da civilização e da solidariedade. De forma que apenas os espíritos mais reativos e primais conseguem ver isso como alimento de sua horda. Obedecendo a manifestações de massa ao toque de propagandas de TV.

      A noite brutal só é feliz pra quem é por essência avesso ao dia. Ao animal da noite. No fim derretem todos ao calor do sol da democracia e da verdadeira liberdade.

      Uma pena que conheça cada vez mais pessoas assim. Porque o Brasil é maior, muito maior que isso.

      A esses espíritos, um boa sorte. E que não sofram muito com os primeiros raios da manhã.

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    3. Eudes, o teclado dele não deve estar configurado.

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  2. O bilionário João...


    O PT é ENGANA-TROUXA.

    E todo o PETISMO é pura picaretagem. E seus satélites (PCdoB PSOL etc. -- ou seja: não são independentes). Além de praticarem Lavagem Cerebral, via a Grande Mídia Petista, compreende? ¿Compreende, mesmo??!

    Não é difícil. Basta ler com calma e devagar. E conhecer o contexto… Por exemplo, você conhece o bilionário João?… O demiurgo João?… Por que será que o PeTê jamais (eu disse: ja-mais) fala de João, o bilionário?

    Sabe quem é o bilionário João?

    Atenção! Se você não compreendeu, leia com cuidado, de novo, esse texto-resposta.

    Mas resumindo bem:
    
Nossa solução para 2017 é a «Coração Valente©» sim, professora de Língua Portuguesa e Doutôôôôra em Economia pela enciclopédica USP (antro de ESQUERDA-CAVIAR). Sabe quem é «Coração Valente©»??? Nossa Ilibada Mãe. Se não, aí é lógico que você não irá entender nada!

    E devido a isso tudo nossa EDUCAÇÃO de BASE é a melhor da América, sabia?

    Sabe o que é ILIBADA?...

    Ela é sábia e inteligente e é a única capaz de resolver o problema do Brasil, compreendeu?

    Lembre-se, ela é também nossa deusa. deusa do Petismo. É ela a solução!

    deusa essa criada por João, o bilionário, cujo nome santificado é a «Coração Valente©».

    O bilionário João Santana agora está preso pelo vilão do lado escuro MORO. Moro esse que a nossa religião ensina que é uma intidade do Mal. Se a nossa religião falou, então ele é do Mal mesmo. Todo dia sai nos blogs (que são nossas Santas Igrejinhas, ao qual lemos, só e apenas! Não lemos mais nada. ¡Tudo no Universo é PiG!).

    Sabe quem é Moro? SABE MESMO?...

    Sim! Ela foi indicada por Nosso Amado Chefe, mas criada pelo bilionário João. Honra a nossa brega deusa petista!

    ¿Sabe quem é Nosso Amado Chefe??

    Apelo:
    Volta Coração Valente©. Nossa Baranga Amada.
    
¡Volta logo BREGA Mãe sábia da Língua Portuguesa ilibada, nossa solução para 2017! Nossa PresidANTA InocentA.

    Eu aprecio muito é análise de discurso midiático, imagem publicitária e mitologia utilizada na política. E o PT muito bem sabe utilizar tais táticas de guerrilha. Não sejamos ingênuos.

    E brincar e ser criança é excelente, pois toda criança é "gelatina" (mente maleável e flexível) enquanto o adulto se petrifica (não maleável) no Petismo.

    P.S.:
    O PT não aprecia liberdade... Apenas uma liberdade restrita. Para um grupo, tribo.

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    1. Poderíamos desfiar um novelos de problemas daquilo que chamam hoje de Petismo. Poderíamos descrever em inúmeras linhas os erros de uma presidente que não soube prever que uma nova visão de futuro precisava ser apresentada aos recém ascensos da Classe-Média. Poderíamos debater sobre a oligarquização petista que deu azo ao contramovimento conservador extremamente raivoso, mas... estaremos apenas falando de PT, entende?

      Em cada época, nesse país, a cada crise posta sempre opata-se pelo caminho mais violento. Todas as saídas das crises políticas brasileiras são no sentido de resolver problemas mantendo privilégios, quando são os privilégios e sua manutenção que produzem crises políticas, advindas de crises financeiras e vice-versa. Vivemos de salto em salto de galinha e a cada discurso de país que leio que reduz os problemas de uma história de país a uma partido me dá muita pena.

      A linguagem figurada da ironia não pode ser usada pra reproduzir um discurso equivocado que tão ou até menos equivocado que se fosse dito diretamente. Sem subliminaridades. As vezes vejo isso no próprio pensamento do que chamamos de esquerda. Reproduz-se os mesmo vícios oligárquicos, ransosos, conservadores, só que voltados para o outro lado do front.

      As vezes acredito que não se precisa de muita elaboração em teorias de comunicação sobre como se condicionar um pensamento e formar opinião. Não. As ovelhas se oferecem para o corte, muitas das vezes. Isso tem a ver com um sentimento de não-pertencimento. Um anti-coletivismo, mais do que um antinacionalismo ou individualismo radical. Muito se lê em alguns lugares que o Moro poderia ser um agente ou alguém infiltrado para desestabilizar o país, da Cia talvez.
      Acho Graça. Uso o exemplo do Moro pq é o que anda mais em voga. O curioso é que há nisso uma ingenuidade embutida, embora pareça advinda de vigilantes atentos. Lidamos em nossa política e em nossas intituições com pessoas hoje que não tem nenhuma predisposição Ética. Vários exemplos, é só abrir os jornais. De tal forma que em defesa de uma idéia fixa certos homens fariam certas coisas incondicionalmente. Até por que para ser "Agente da Cia" precisar-se-ia de pagamento, e sinceramente acredito que muitos desses caras, por falta de escrúpulos que seja, destruiriam o próprio país simplesmente de graça. Em nome de uma idéia fixa. É mais simples do que pensamos.

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    2. Parabéns pela calma e sangue frio do debate Alexandre. Eu não teria essa paciência toda. Só pelo linguajar (ilibada, brega, Moro, esquerda-caviar, presidanta, midia petista, pt, petista, pt, petista, pt, pt, pt) já dá pra ver que o cara nutre seu pseudo intelecto com revistas de grande circulação, noticiários onipresentes, jornalões de oligarcas e sites "antagônicos" e "misesiáticos". Típico midiota que caiu na armadilha maniqueísta da mídia na qual o PT é a personificação do mal e causador de tudo de ruim que ocorre no país. É de uma cegueira surpreendente.

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    3. Obrigado meu amigo. É bom poder contar com sua solidariedade.

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  3. Excelente texto, Alexandre, parabéns e não se incomode com certos que não conseguem pensar por conta própria, eles ficarão pelo caminho repetindo velhas e odiosas cantilenas que não os levarão a lugar nenhum, "morrerão" envenenados pelo próprio ódio e pelo atrofiamento do cérebro em desuso. Os vermes contaminam um corpo, mas não deixam de ser apenas VERMES!

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    1. Obrigado, Mônica. Não me incomodo. Acho bom quando aparecem aqui pra conversar, e não gritando asneiras nas redes. No nível da argumentação educada a verdade vai aparecendo e certas calças golpistas vão ficando mais arriadas...rs
      Mas vlw,abç!

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  4. Obrigado pelo texto!
    Em 1993 um monarquista de nome José Maurício, ligado também a TFP (unha e carne)me disse que Harvard iniciara uma "onda conservadora", pois constatara(?) o fracasso da liberação das mulheres, das relações de chefias com subalternos e outras considerações que não mais me recordo.
    A subalternação de grupos de direita do Brasil não tem fim...
    Obrigado pelo texto. Aprendi muito!

    Rogério Bezerra em Florianópolis.

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