segunda-feira, 26 de junho de 2017

1989, por MÁLIA MORGADO (Poema).

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A criança, como um bambu tenro,
Vergou em sua extensão máxima,
Flexível, mas acossada pelo vento.
Diria-se que foi um ballet de rara delicadeza
Ou apenas natural
Já que a natureza do bambu é vergar
- seria?-
E a força maior é soprar, soprar
Um grande pulmão de lobo,
inclemente,
A bradar seu lugar na pirâmide 
Alimentar.

Cordeiros balem, com pescoços 
Expostos.
Árvores jovens vergam e, sim, 
Retornam.

Crescem tocando o chão e se 
Reerguendo ao céu
(É desta vez que quebrará?)
As microfissuras, ah, esses mosaicos invisíveis.
Histórias em braile...Mentes cegas se recusam a ler.

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