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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Igor Grabois: Guerra híbrida agora se volta para eleger Geraldo Alckmin


Reprodução de vídeo


28 de julho de 2018 às 14h20
Por Igor Grabois, especial para o Viomundo
O mundo passa por uma nova revolução tecnológica.
Crescentemente, serviços são realizados online, a produção se torna mais flexível em sua cadeia de suprimentos e de apoio, as comunicações em tempo real são a norma.
Novas formas de produzir e obter informações habitam o nosso cotidiano.
Esse processo, comumente chamado de indústria 4.0, impacta as relações internacionais e a política.
E traz novas formas de atuação diplomática e militar.
O conceito de guerra híbrida foi formulado em 2010 por estrategistas estadunidenses.
Nesse conceito os combates convencionais, envolvendo tanques, aviões, mísseis, são apenas uma faceta da guerra, cada vez menos frequente.
Ganha importância a guerra da informação, em um desdobramento muito mais complexo do velho mote das operações psicológicas.
As novas tecnologias da informação, baseadas na internet, permitiram um novo raio de ação na disputa de corações e mentes entre os povos dos países que a estratégia dos EUA chama de “potências hostis”.
A guerra híbrida é, em essência, uma guerra cibernética, não apenas para a destruição de sistemas e infraestruturas digitais.
Mas com uma ampla gama de ações táticas nas mídias digitais: espalhando boatos, estimulando bolhas de opinião, alimentando culturas de ódio e criando um ambiente hostil para a ação política de governos e partidos tidos como inimigos.
Seu objetivo é a ruptura do tecido social, da coesão nacional e da vontade de resistir.
As chamadas primaveras árabes e a atual situação da Ucrânia são exemplos dessa nova forma de guerra.
O Brasil é alvo de uma estratégia de guerra híbrida.
Envolveu a cooptação de membros do judiciário, a criação de grupos de extrema-direita financiados por ONG’s ligadas à comunidade de informações e aos altos círculos financeiros dos EUA, a utilização da mídia tradicional e das mídias digitais em larga escala, como o Facebook e o Whatsapp.
Esses ataques cibernéticos remontam ao ano de 2012, em uma espécie de evento-teste, como boatos como o fim do Bolsa-Família.
Se intensificaram em 2013, tiveram um recrudescimento nas eleições de 2014 e atingiram seu ápice em 2016, nas semanas que precederam o impeachment.
Esses movimentos foram captados pelos serviços de inteligência da Turquia e da Rússia, pelo que se tem notícia.
O resultado é conhecido. A iniciativa dos BRICS implodiu, quando os países-membros preparavam um sistema financeiro alternativo ao FMI e ao Banco Mundial.
As iniciativas da UNASUL e do CELAC também foram paralisadas.
O Brasil perdeu toda, simplesmente toda, influência na África e na América do Sul.
Os aliados do Brasil estão sendo perseguidos e presos em seus países.
O país tem as suas principais empresas ameaçadas de desnacionalização.
Nossas riquezas naturais, em especial o petróleo do pré-sal, alvo de saque de capitais especulativos.
O país foi expulso dos setores do comércio internacional em que se destacava, como proteína animal e serviços de engenharia.
A indústria é destruída de maneira deliberada. Ao povo, miséria e desemprego.
O Japão e Alemanha tiveram um tratamento bem melhor durante a ocupação após a segunda guerra.
O Brasil foi derrotado sem que se disparasse um único tiro.
Essa obra não seria possível sem a colaboração de uma parcela das classes dominantes brasileiras, que se consideram parte de uma elite internacional, sem nenhum tipo de compromisso nacional.
E contou com uma estratégia política e de comunicação muito bem planejada e financiada.
A guerra híbrida ainda não chegou à sua conclusão.
A operação cibernética continua em ação, não apenas por parte dos círculos anglo-americanos.
O atual objetivo é evitar que o povo eleja um governo popular e nacionalista. Há ações de interferência nas eleições de 2018.
Deve-se lembrar que mais de 70% do tráfego da internet brasileira passa fisicamente por território estadunidense.
A informação, cada dia mais, chega aos brasileiros mediada pelos gigantes Google / YouTube e Facebook / WhatsApp.
O debate da sucessão presidencial se iniciou tão logo Dilma foi derrubada. Desde então diversas candidaturas forma lançadas e retiradas.
A cada protótipo de candidato apresentado, dados foram registrados, comportamentos e reações foram observados a partir da interação nas redes.
Os dados processados são utilizados para embasar estratégias políticas e de comunicação das candidaturas do campo conservador.
Querendo ou não, contribuíram para isso a quase candidatura de Luciano Huck e a aventura de Bolsonaro.
Esse esforço irá desaguar no candidato escolhido pelo capital financeiro e seus aliados internacionais: Geraldo Alckmin.
Frente a esse aparato, as forças de esquerda se encontram despreparadas.
Quantos ativistas, bem-intencionados, não colaboraram para a popularidade digital de Bolsonaro?
A barbaridade de suas declarações era dirigida justamente a esse público que, cedendo ao apelo irresistível da crítica e compartilhamento, gerou enorme alcance de suas mensagens de forma gratuita.
O arsenal de cascas de banana digitais é extenso: pesquisas falsas, tretas entre forças de esquerda alimentadas por páginas e perfis de direita, movimentos de bloqueio de opiniões divergentes consolidando núcleos duros, mitos do tipo “pobre de direita” etc.
Assim se cria um isolamento digital que se configura em um isolamento real.
Isso porquê a atuação nas redes não é estanque da esfera offline, a vida vivida.
É parte da dinâmica social do atual estágio do desenvolvimento capitalista.
Essa assertiva vale tanto para o campo da esquerda quanto para as forças da reação.
A interação social pela internet reflete o que há de mais avançado na formação social capitalista e, cada vez mais, condiciona as demais mídias.
Não é mais possível fazer política de modo eficaz sem dominar a linguagem e mecânica das redes.
A tarefa dos brasileiros é recuperar o nosso país. Essa tarefa é de largo fôlego.
Passa pela vitória das forças populares as eleições de 2018 e pela reconstrução do tecido social brasileiro esgarçado pelo regime golpista.
Envolve a elaboração de programas capazes de mobilizar a população, pela articulação política e por medidas operacionais que levem em conta as novas arenas de luta.

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