sexta-feira, 21 de julho de 2017

HOMEM-PAREDE, por ALEXANDRE MEIRA (Poema)



Quem é você Homem-Parede,
que sob estampidos nega tua história,
marchando no caos e alimentando gritos,
cuspindo medo e balas de borracha?

Quem é você que brinca de morte
e liberta orgulhoso os monstros de si?
Que pelo silêncio corta as línguas!
Que pela censura martela os dedos!

Por que não tira logo, moleque,
essa toga, que te faz sem juízo?
Ditando regras se nunca as teve,
brincando de Deus, no Juízo Final!

Já que o terror te saliva,
ou o golpe, sem remorso,
sacia de vez a sede com lágrima,
o choro de pavor da "libertina".

Pois és libertária, sim, a menina do povo,
já mulher parida de alma escarlate,
que briga por teus cegos olhos,
e o olhar de quem nem tem sorte.

Mas esbarra em você 
inocente Leviatã,
cujo cabresto não se vê,
de tua alma charlatã!

Pois aquele que te faz filho
bastardo, pra morrer na luta,
adora te ver felar, 
e tu felas!
Filho da puta!

Te faz de menina sem alma escarlate,
esse fascio vazio que não amedronta.  
Vai, sufoca a criança com o gás
de sua inexorável lacrimogênese,
até apodrecer tua mão covarde 
nascida para erguer,
só por erguer,
a merda de um cassetete.







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