segunda-feira, 26 de março de 2018

A barbárie chegou, as portas do inferno se abriram e dele saiu o fascismo, por Sergio Medeiros.

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A barbárie chegou, as portas do inferno se abriram e dele saiu o fascismo, que agride, cala, desumaniza...
por Sergio Medeiros
A barbárie chegou...
UM AVISO -...aos que acham que a barbárie cometida contra a caravana de Lula, no sul, ficará restrita aos grandes atos políticos, lamento informar, a barbárie, quando começa, se espalha por todos os cantos e lugares, ninguém esta a salvo....
Lembro bem o começo de tudo isso, foi o momento em que discursos do ódio encontraram espaço e palavras de ordem, onde se clamava por lutadores com facas nos dentes e sangue nos olhos, em que a palavra linchamento passou a ser tolerada para os excluídos, e a tortura e os torturadores foram justificados como heróis.
Discursos que refletiam, e refletem, o ódio mais visceral e anti-humano jamais visto entre nós, e que antes se circunscrevia, praticamente aos discursos entre seus pares fascistas e à internet, às redes sociais(sic)...
A consequência deste exercício de ódio, que se difundiu e viceja cada vez com mais intensidade, é um lugar comum.
Na lição de Sarmiento* (em sua gênese histórica), quando se refere ao gaúcho primitivo... ele, sem peias, conclui. ”É impossível construir uma sociedade moderna com indivíduos bárbaros.”
Pensem, que das palavras a ação é um passo, e este discurso do ódio (que, no sul, trouxe a tona este gaúcho primitivo), disseminado nestes períodos turbulentos, tem consequências nefastas – que se protaem no tempo e em todo nosso espaço de influência - e , quando chega ao mundo real (em contraposição ao virtual), destrói tudo que se possa chamar vida em sociedade, transforma-se em guerra civil.
Talvez, agora, muitos se envergonhem disso (de disseminarem o ódio na internet, sem pensarem no que estavam fazendo ou suas consequências), mas, de qualquer forma, é preciso que saibam, este mesmo discurso, tomado como verdade por indivíduos que - à semelhança dos gaúchos primitivos, agem da mesma forma bárbara -, frente a uma situação de contraposição de idéias ou situações de fato, não refletem e se deixam levar por seus instintos - , pode, em muitas oportunidades, sem motivo algum, apenas e somente pura barbárie, ter como alvo, nós, nossos filhos, pais, familiares, amigos ou quaisquer outros, inocentes.
A linha que separa o comportamento civilizado da barbárie é tênue – e o que impede os marginais, bárbaros on-line, fascistas, ou pessoas desesperadas por não terem comida suficiente ou um abrigo decente para si ou suas famílias, de nos atacarem no meio da rua ou em qualquer outro lugar - e por serem mais fortes, ou terem uma arma, tirarem o que quiserem, nossos pertences, nossa vida - , é uma mera convenção chamada civilidade.
Não deveríamos nunca termos ultrapassado esta linha, porque depois de avançado por demasia neste terreno, talvez não haja mais como contermos a reação em cadeia.
O desemprego e a miséria, decorrentes da ideologia política do grupo que se apossou do poder, está sendo combatido com ódio e força.
O povo humilde, sem emprego, sem moradia e sem pão, e seus defensores, estão sendo reprimidos barbaramente.
Então, que não se esperem flores, uma vez que não semeadas.

...um antigo alerta, infelizmente, talvez seja tarde demais..
Politica e humanidade versus o exercício do ódio da grande mídia e seus partidos associados.
Politica é para ser feita com debate de ideias e não com manifestações de ódio.
A cada dia, a grande imprensa (segundo sua própria concepção – o maior partido de oposição...  a posições de esquerda) para referenciar seus candidatos (do PSDB, DEM, PP, PSL, PMDB), divulga em suas páginas, um discurso do mais brutal e letal ódio ao Partido dos Trabalhadores (direcionado primordialmente a Lula, seu expoente) e a outros partidos de esquerda.
Neste espetáculo, todo dia elegem como seus heróis, políticos ou comunicadores, com discursos vazios de conteúdo, mas cheios de ódio, que com o dedo em riste, à semelhança dos imperadores no Coliseu de Roma, indicam os cristãos a serem atirados às feras, isso, pelo simples fato de serem cristãos (adversários) e impedirem seu acesso ao poder.
Este discurso, promovido pelos profissionais do ódio, (que o usam para se auto referenciarem) é dirigido às pessoas simples do povo, que em razão das condições sub humanas a que as colocaram, se tornam  suscetíveis a tais influencias e instigações.
Isto, para todos, e mais especificamente para nós, sociedade civil em seu mais amplo aspecto (a parte ainda não infectada pelo vírus do ódio), é algo mais que lamentável, é terrível, significa que, nossa humanidade (coletiva), florescerá num período mais distante na história.
Pão e circo.
Eles (os mercadores do ódio) não são responsáveis pela distribuição do pão – nem de seu irmão gêmeo em dignidade, o emprego -, e, talvez por isso, durante algum tempo, de 2002 a 2015, este não tenham faltado na mesa da maioria dos brasileiros (vide a noticia que o Brasil foi retirado do quadro da fome pela ONU em contraposição a recente notícia que voltou a ser incluído).
Entretanto, os donos dos meios de comunicação se esmeram em oferecer um dos circos mais cruéis – nem um pouco diferente das arenas e coliseus em que os cristãos eram atirados às feras.
De suas iniciativas emergem atos inomináveis, linchamentos, discursos do ódio (preconceitos de classe social, contra minorias, racistas, homofóbicos), ou simplesmente tendentes a destruição dos contrários na politica (Partido dos Trabalhadores) – não remetem para um debate de ideias, aonde se identificaria a origem do pão e de sua subtração por tanto tempo à grande população deste país.
Triste conduta de nossa grande imprensa.
Neste cenário, muitas vezes como meros assistentes, torcemos de forma quase desesperançada (e, é preciso que nos ergamos, com mais força e determinação), para que nunca faltasse o pão, pois, o discurso do ódio, encontra terreno fértil nestes períodos de escassez de alimentos, e libera os instintos mais baixos e que levam a desumanização dos “homens”.
O debate sério e politizado (embate de ideias e propostas) eleva a sociedade de patamar civilizatório, entrega, para ser exercido de forma consciente,  nas mãos do povo, seu destino.
Por isso toda forma de ódio deve ser condenada, pois revela o não humano, configura-se em sua negação.
É preciso combater esta politica traduzida e divulgada na grande mídia,  que em seu discurso, traz a semente da violência, da desconstrução do outro pelo ódio, e gera apenas mais violência, permitindo que a generosidade seja atacada como ingênua e exaltando o poder coercitivo, alijado de qualquer razão, como sendo o caminho da pacificação.
Não entendem que violência gera violência, e, os exemplos de torturas inomináveis no período da Ditadura Militar e em linchamentos ocorridos recentemente, comprovam as consequências de tais discursos, libera o que tem de mais abjeto e primitivo em indivíduos, indivíduos estes, que se ressentem da falta dos atributos de humanidade, ou seja, solidariedade, respeito, dignidade, amor, que deveriam ser inerentes a todos, para assim serem chamados de homens.
Infelizmente, nesse teatro, ao contrário dos dramas literários, não há catarse, não nasceremos limpos após estes embates irem ao fundo de nossas almas, isso porque a mentira e ódio que emanam destes ditos “órgãos de comunicação”, envenenam o ambiente e retiram a capacidade dos indivíduos nela imersos, de poderem ter a necessária compreensão de sua própria e intrínseca humanidade e assim exercerem seu livre arbítrio na direção do bem e do amor ao próximo (algo que considero acima de religiões, e que, juntamente com a razão , forma a figura do homem - no plano religioso, considerado como cunhado a imagem e semelhança de Deus).

*“As qualidades mais positivas do “gaúcho”, acredita Sarmiento, são a inteligência natural que demonstra no exercício excelente dos trabalhos rurais, a grande fé em seu próprio valor, que lhe permitiu destacar-se e triunfar nas guerras de independência, sua privilegiada sensibilidade, seu caráter imaginativo e poético (Facundo 63-93). O “gaúcho”, essa semente do argentino do futuro, é, em todo sentido, um ser extraordinário, A sociedade e os maus governantes, com seu egoísmo, conspiram contra ele. Sua personalidade, sem dúvida, também mostra aspectos negativos. Como ser bárbaro é um indivíduo cruel, oscilante, que passa da indiferença a ira, e ao invés de refletir se deixa levar por seus instintos. Segue cegamente a seus chefes, sem pensar. É vítima dos caudilhos. Estes, por sua vez, são os chefes bárbaros, bestiais e egoístas que governam o grupo. Põem suas qualidades bárbaras a serviço de seus próprios interesses. São destrutivos para a pátria. É impossível constituir uma sociedade moderna com indivíduos bárbaros.  (Facundo, Sarmiento)”

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