segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Glenn Greenwald: Se não é golpe, é no mínimo um retrocesso.




Jornal GGN - Em entrevista ao programa Democracy Now, nesta segunda (29), o jornalista Glenn Greenwald, do portal The Intercept, disse que mesmo que o impeachment de Dilma Rousseff (PT) não pudesse ser classificado como um golpe, o certo é que o produto imediato desse processo é um "retrocesso democrático", uma vez que a soberania popular foi desrespeitada e uma agenda que foi rejeitada nas urnas em quatro eleições consecutivas foi imposta de cima para baixo.
"Há um bando de criminosos removendo essa mulher que foi duas vezes eleita presidente do País", disse o jornalista. Em outra passagem, Greenwald avaliou que "esse grupo de Brasilia está literalmente brincando com as bases da democracia debaixo de nossos narizes".
"Se não é golpe, é no mínimo um retrocesso, de forma que implementa uma agenda que beneficia um número restrito de pessoas que os brasileiros nunca aceitaram. Na verdade, rejeitaram constantemente [nas urnas]", disparou o jornalista.
Greenwald assinalou que na Europa e nos Estados Unidos, a notícia de que pedaladas fiscais - atraso no pagamento de bancos públicos para melhorar artificialmente as contas do Tesouro - pode derrubar uma presidente eleita com 54 milhões de votos é recebida com surpresa, principalmente porque seria um ato reproduzido por centenas de governantes.
O jornalista avaliou, na entrevista, que Dilma não caiu por crime fiscal cuja existência é controvérsia. Ele citou a "tempestade perfeita" para justificar a queda da presidente: falta de apoio popular, crise econômica e traições na base parlamentar, os três ingredientes essencias ao impeachment.
O golpe na democracia foi desferido com ajuda da elite econômica que quer impor uma agenda "ultraliberal e ultraconservadora" em associação com a classe política perseguida pela Lava Jato e conglomerados de mídia que defendem a pauta desses setores.
Greenwald ainda apontou que a maioria da população rejeita o interino Michel Temer, que precisou se esconder na abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro, numa tentativa frustrada de evitar vaias. E, por isso, pesquisas apontam que o ideal para o povo seria a realização de uma nova eleição. Mas isso não é admitido pelos agentes do golpe, pois o ex-presidente Lula poderia ser o vitorioso.
O jornalista ainda apontou que o Supremo Tribunal Federal foi uma das instituições que participaram, sendo omisso, desse processo. Inclusive com membros trabalhando para livrar alguns políticos das garras da Lava Jato.

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