quarta-feira, 16 de novembro de 2016

PLACENTA, por Mália Morgado (Poema).






Das minhas mãos

Embebidas nesse líquido

Aveludado, carmim

- Como cortinas de um velho teatro

Em constante estreia –

Pari minha mãe,

Minha filha

Minha amante

Às vezes moles como peixe

Às vezes à fórceps

Neste líquido que cheira a ferro e à amora

Segurei suas mãos

Nas minhas

E algumas vezes senti só

Porque éramos duas meninas,

Mas também embalei o choro

Ofereci meu ventre

E descansei no colo

A contragosto de meus próprios braços

Em certas noites.

Em outras girei o móbile

No berço rubro

E dormi com a música

Enquanto rodavam pelúcias coloridas.

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