segunda-feira, 21 de novembro de 2016

SOB SCORPIUS, por Mália Morgado (Poema).



Sopra Antares um véu diáfano, infravermelho,

Emanações de antigos mistérios, destitui juízos,

Rói uma passagem lenta entre os homens e a noite plena.

Os cães e os selvagens

Nas casas e nas ruas

Uivam,

Uivam,

Orelhas em pé, arrepios.

As pessoas dormem

Ou estão contentes

Com a cegueira brilhante do plasma.

Dorme.

Dorme, Bina, Biel, Bibi.

Dorme, que ignorar é ainda possível.

Dorme com o sorriso suave da esperança,

Mas, na mão debaixo do travesseiro,

Segura nos teus dedos curtos uma lâmina,

Eu vi no escuro algumas sombras ladinas.

Sonha, que sonhos ainda não vigiam.

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