quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Revolução de 31 de agosto de 2016: o ranger áspero da porta da senzala, por Cassio Vilela Prado.





Novamente, em um dia trinta e um. Dia da Revolução, outrora batizado assim pelos golpistas civis-militares de 1964, agora chamado de impeachment pós-moderno, sem a truculência física e bélica, por enquanto.
Hoje, dia trinta e um de agosto de 2016, cinquenta e dois anos após aquela tenebrosa Rebelião Brasileira Moderna, inicia-se mais uma Revolução no Brasil: o capitalismo mesquinho retorna com todo o seu furor ao Poder.
O pretexto desta vez não foi o perigo do "comunismo devorador de criancinhas", embora no discurso da acusação, nas palavras da destemperada e objetal (melhorar abjetal), Janaína Paschoal – figurinha jurídica usada pelos artífices da farsa revolucionária contemporânea –, faça alusões diretas à Pátria venezuelana e aos "netinhos" da Presidente Dilma, durante a sessão de 29 de agosto de 2016, no Plenário do Senado Federal, onde Dilma se defendeu por mais de quinze horas, refutando todas às acusações a ela impetradas.
O Capitalismo obsceno e impiedoso triunfou novamente, atropelando qualquer possibilidade discursiva "contrarrevolucionária", pois acima das palavras e da ética, as cifras da moeda são imperativas, num país assolado e atolado no mercado de compra e venda do caráter e da dignidade humana. O valor se sucumbiu ao preço.
O Brasil se tornou um grande feirão, vendem-se e compram-se até as almas, não interessa se o comprador é Deus ou o Diabo. Cada qual quer o seu quinhão, desde a pequena banca de frutas até mascate-mor da banca do Banco.
Pobre de nós brasileiros de baixo, que não sonhamos com os paraísos fiscais da Suíça nem do Caribe, muito menos com centros comerciais de Miami para escoar o dinheiro ganho em "escabrosas transações". A nós foi destinado a chibata no lombo com o recompensador pão, circo e álcool tributados. Quem diria, àqueles que sustentam o funcionamento do sistema gerador de lucros para os perversos da pirâmide social soçobram-lhes as migalhas residuais para nutrir as forças de seu trabalho e o veneno líquido para entorpecerem as suas existências indignas, embora insistam em repetir o refrão capitalista: "o trabalho dignifica o homem".
Esse é o circo cujos tristes palhaços riem de si mesmos.
Uma nova Revolução se deflagra hoje, absolutamente consentida pela materialidade mental da infraestrutura brasileira que bradou aos quatro cantos da "nossa pátria tão adorada" intensamente nos últimos dois anos: "Fora Dilma", "Fora PT", "Abaixo a Corrupção".
Ao contrário do que pensa esse povo incontente vociferante – inconscientemente masoquistas – portanto perversos subjacentes às suas histerizações fenomenais em face aos seus algozes hipnotizadores perversamente sádicos, a nova Revolução iniciada hoje é fruto das cabeças cifradas mercantis pensantes. Esse povo que vociferou ululantemente foi apenas o meio utilizado para o triunfo do capital despótico. Agora os dois estão a brindar os seus feitos, os primeiros ajoelhados em frentes aos "patos de plásticos das Fiesps" – o símbolo contemporâneo de sua alienação –, os segundos com as patas sujas de sangue e de ouro, nos seus castelos da Flórida e de Wall Street.
A cobra engoliu o seu próprio rabo, o mato está limpo e seco outra vez.
O barulho da porta da senzala que foi silenciado nos últimos catorze anos já está rangendo novamente. É o sinal da Revolução de 2016 com o seu áspero toque de recolher.
Onde está a pólvora?

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