segunda-feira, 5 de setembro de 2016

EFÊMERO, por Mália Morgado. (Poema)



Às vezes é necessário quebrar velhos porta-retratos
e deixar dissolver a memória que deles escorre.

Paisagens e risos congelados que foram varridos do mapa.

Mãos que não existem, braços ausentes.

O toque flagrado é feito de tinta.

A extinção é lenta, mas firme.

O solo úmido fecundo resseca e quebra
em nacos de barro firme, deslocados.

Aves migram a todo instante.

E há anos não sei o que é ver uma andorinha saltar leve aos meus olhos.

Mas o céu é de um azul límpido.

Tudo o que eu conhecia se foi ou não mais é.

Na imensidão desta cúpula absoluta,
repleta de cor, viva em silêncio,

Meus dedos ensaiam rabiscos de novas histórias.



                                                                                                                                   Mália Morgado



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