segunda-feira, 12 de setembro de 2016

RUA DA LIBERDADE, por ALEXANDRE MEIRA (Poema).


 

                     



Também matei meu professor de lógica.

Tarefa não tao fácil,

estrebuchou muito aos golpes de foice.


Midiático flagelo, 

feito vítima de

suas amoladas convicções.

Aterrorizava ainda pela certeza.

E mesmo agonizando

a preia guinchava

capitulando-me em sua lucidez.



Não preciso mais de certezas 

como guia.

Cego, 

tateei o remorso por dias

e acabei indo a igreja por necessidade.

Quieto ao lado de minha mãe

não gostei do sabor da hóstia,

mas o Cristo ateava mormaço

à ânsia que gritava

o grito que não falava nada,

tal qual foice amolada

por alma imolada 

à força


A loucura tomava conta

por não dar conta

do que fazer com a finada lucidez.

Não me traz mais angústia ouvir

Alice em chamas.

E jamais esquecerei o fedor úmido

da máscara de

ferro.



Morto, 

enforquei-me só, 

na Rua da Liberdade.





Outubro de 2012

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