sexta-feira, 28 de abril de 2017

ÀS VEZES A DESPEDIDA, por Mália Morgado (Poema).


Às vezes a despedida

Não acontece na farsa da chuva leve,

Com pingos escorrendo, tragicômicos, na vidraça.

Ela vem na nudez do meio-dia,

Como um golpe de facão, a cintilar,

À vista de todos, numa segunda-feira banal,

Com cem mil testemunhas cegas, ensimesmadas,

Pisoteando distraídas esse corpo sem corpo,

Nas solas incontáveis, um resto de eu e você

Se expande pelas ruas

Até não nos reconhecermos,

Até degradar, até transmutar,

Elevando -se, átomo a átomo,

Partículas de ouro a contraluz,

Retornando ao Sol.

Editado em 18/04/2017

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