sexta-feira, 28 de abril de 2017

Cem dias de Trump, por El País.

Donald Trump saúda seus seguidores, no Air Force One, em Atlanta
Os primeiros cem dias da presidência de Donald Trump se caracterizaram por três aspectos preocupantes que, se não mudam as coisas, podem marcar o resto de sua permanência na Casa Branca: improvisação, imprevisibilidade e incerteza.


Trump viu que três de suas principais medidas não puderam ser colocadas em prática, em grande parte por causa da falta de preparo e realismo para transformar fulgurantes promessas eleitorais em medidas efetivas de sua administração.
Em duas ocasiões suas polêmicas medidas imigratórias foram logo brecadas pelos tribunais de justiça. Sem mencionar o áspero enfrentamento que manteve nesse contexto com a procuradora geral do Estado Sally Yates, destituída poucos dias depois de Trump jurar o cargo, após lembrar o presidente que acima de sua vontade está a Constituição. Depois de retirar o projeto, por causa do caos administrativo causado por uma medida adotada a toda pressa, Trump apresentou um novo plano. E outra vez ficou paralisado, até o dia de hoje, pela justiça federal. Em seguida, o mandatário tentou destruir a reforma da saúde introduzida por seu antecessor e aprovar a sua própria. Mas nem sequer foi apoiada pelo Partido Republicano e não chegou a ser votada no Congresso. E tampouco conseguiu a aprovação de um orçamento para construir o polêmico muro na fronteira com o México.
O discurso populista tem uma trajetória curta. Não é de estranhar que o bilionário nova-iorquino tenha o mais baixo grau de aceitação em décadas – 43% – da gestão presidencial nos primeiros dias.
Além disso, Trump introduziu um elemento em sua forma de governar que passa por cima de qualquer procedimento estabelecido, incluindo seu próprio grupo de colaboradores: sua conta pessoal do Twitter. Nas várias noites diante do televisor, segundo ele mesmo revelou, gosta de usar a rede social. E o faz tanto para ameaçar a Coreia do Norte como para pressionar a indústria automobilística, atacar a imprensa, criticar aliados como a Alemanha e discutir com o ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger. Realmente ninguém sabe o que o presidente vai dizer quando ativa sua conta. E não deveria esquecer – como parece que faz com frequência – que cada palavra ativa mecanismos nas Bolsas, Ministérios de Defesa e chancelarias em todo o mundo.
Mas sem dúvida um dos elementos mais desestabilizadores da gestão de Trump é a incerteza sobre o processo de tomada de decisões. Depois desses cem dias na Casa Branca a maioria dos Governos – aliados, indiferentes e inimigos — continua às cegas sobre quem diz o quê e quando. Prossegue a interrogação sobre o verdadeiro papel de Ivanka Trump e seu marido, cujos negócios prosperam em paralelo às gestões governamentais, ou o dos militares nomeados para postos-chave, como James Mattis, secretário de Defesa, e Herbert Raymond McMaster, conselheiro de Segurança.
Com este panorama é muito reveladora – e alarmante – a frase pronunciada pelo presidente em uma entrevista concedida dia destes: “Pensava que seria mais simples”. Ninguém disse que seria fácil. Só ele, durante a campanha

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