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terça-feira, 4 de junho de 2019

O ataque da ignorância contra a razão: a defesa da universidade pública e a conjuntura.


"Ao que parece, Bolsonaro não articula mais uma maneira de ficar, mas uma justificativa de por que deve sair."

Manifestação no domingo 27 de maio de 2019 na avenida Paulista, em São Paulo, onde ocorre uma exposição aberta dos cartunistas Angeli e Laerte. Foto: Matheus José Maria.

Por Mauro Luis Iasi.

No último dia 15 de maio vimos uma Greve Geral da Educação, que mobilizou milhares de estudantes, professores e funcionários das Universidades Públicas, dos Institutos Federais, da educação básica e até de instituições privadas de ensino. Tal mobilização se deu em resposta aos cortes nas verbas de custeio das instituições de ensino, que o ministro (inimigo) da Educação eufemisticamente chama de contingenciamento. Para acrescentar um toque de perversidade o presidente miliciano chama os manifestantes de “idiotas úteis”, manipulados por “militantes”.
O principal argumento para os cortes encontra-se na afirmação de que a economia não cresceu conforme o previsto, sendo, portanto, necessárias adequações. O ministro Abraham Weintraub, em depoimento no Congresso, acrescentou que tal previsão teria vindo do governo Dilma/Temer, procurando se isentar da responsabilidade, e ocultando propositalmente que o orçamento em vigor é na verdade do usurpador Temer (apoiado histericamente pelas forças políticas que agora governam e que prometeram o Éden do crescimento com o afastamento da presidente eleita em 2014).
O fato é que as universidades públicas vêm sendo “contingenciadas” em seus recursos há muito tempo. O Fórum de Pró-Reitores de Planejamento e Administração das Instituições Federais de Ensino Superior já alertava em 2017 que estávamos vivendo um agravamento da situação orçamentária nas universitárias, pelo crescimento do número de alunos ao mesmo tempo que encolhiam os recursos. Em 2017, o valor em reais por aluno era 42% menor do que o de 2011, passando de R$ 2496,77 para R$1757,13 nesse período. Neste quadro, a ANDIFES cobrava uma correção nas verbas que, além de não vir, agora foram reduzidas.
No entanto, trata-se de algo muito maior que o mero equilíbrio orçamentário. Trata-se de um ataque contra a concepção de universidade e de ensino público. É preciso, na lógica do governo miliciano, desqualificar a universidade apresentando-a como um lugar improdutivo e desnecessário de desperdício de recursos e promotor de “balbúrdias” e orgias. Além do “saneamento” nas contas do Estado promovido pelo guru do ultraliberalismo, o ministro Paulo Guedes, e o claro favorecimento à lógica privatista da educação, defendida por sua irmã, Elizabeth Guedes (vice presidente da Associação Nacional das Universidades Privadas), as universidades estão na mira do rancor governista por motivos políticos e ideológicos.
A tese estapafúrdia propagada pelo astrólogo do apocalipse sobre a existência de um suposto “marxismo cultural” que teria dominado todo o sistema educacional, os meios de comunicação e as forças armadas, encontra nas universidades um ponto central. Essas instituições teriam se tornado o centro da formação de militantes e da lavagem cerebral da juventude para destruir os valores fundamentais da sociedade ocidental e da cristandade. Os verdadeiros e valorosos pensadores conservadores e direitistas teriam sido perseguidos e hostilizados no ambiente acadêmico pela ofensiva deste mítico “marxismo cultural”.
É evidente que há uma relação de determinação entre esses dois aspectos, de maneira que os cortes de gastos públicos para manter os sagrados pagamentos dos juros da dívida e a sangria de recursos para o capital financeiro constituem o essencial, ao passo que o ataque ideológico serve de legitimação para tanto. Entretanto, acreditamos que, nas condições do atual desgoverno, o ataque às universidades e à educação é muito mais que uma mera cortina de fumaça.
As classes dominantes brasileiras precisam operar um ataque brutal aos trabalhadores e a maioria da população para garantir as condições de valorização do capital nas condições atuais. Isto implica a reversão de direitos e garantias que cumpriram um papel na reprodução social em períodos passados e agora precisam ser desmontados. O simples corte, no entanto, provocaria uma reação muito grande, de forma que operasse em dois planos: no sucateamento paulatino que vai inviabilizando as instituições de ensino e sua desmoralização.
O segundo plano, a desmoralização (não só do ensino, mas de tudo que é público) obedece, também, à lógica de blocar a base social de sustentação do desgoverno, mobilizando-a contra inimigos “imaginários” enquanto servem de fato para implementar os verdadeiros interesses dos reais inimigos da maioria da população e da classe trabalhadora.
Antes de tudo, é necessário afirmar que a universidade no Brasil nunca foi hegemonizada por nenhum marxismo (cultural ou qualquer outro). A necessária defesa da universidade pública contra seu desmonte não pode obscurecer o fato de que essas instituições são e sempre foram e eminentemente conservadoras na forma e no conteúdo. Mesmo com a saudável democratização do espaço universitário com a ampliação do acesso de camadas populares e segmentos para os quais este espaço era praticamente vetado (como pobres, negros, indígenas, camponeses, etc.), a vida acadêmica prima pelo elitismo, pela forma meritocrática ou quase aristocrática, pela seleção de currículos e saberes que respondem muito mais às necessidades da ordem burguesa e a reprodução do capital do que às demandas reais da maior da população.
A UFRJ, só para dar um exemplo, fica de frente para uma das maiores favelas do Brasil, o Complexo da Maré, à qual é ligada por uma ponte que foi batizada de “Ponte do Saber”, que é irônica e simbolicamente de mão única (saindo da universidade para a favela). Há muito tempo os interesses das grandes corporações lotearam os espaços universitários pela porta das parcerias, fundações e outros meios, capturando laboratórios, pesquisadores e estruturas para os colocarem a serviço das pautas e dos interesses empresariais.
Evidente que há honrosas exceções nas diferentes dimensões do ensino, da pesquisa e da extensão que buscam reflexões críticas, saberes e práticas voltadas às necessidades da classe trabalhadora e à compreensão de nossa sociedade e do mundo contemporâneo, a formação profissional de qualidade e à produção acadêmica de excelência. Mas todos concordarão que seria absurdo afirmar que essa vertente é determinante no mundo universitário – pelo contrário, sobrevive subordinada, como poucos recursos, preterida na distribuição de verbas e recursos materiais, bolsas, assistência estudantil, etc.
Manifestam-se na instituição universidade as mesmas contradições que marcam a carne da sociedade brasileira: as desigualdades entre homens e mulheres, brancos e negros, cidade e campo, ricos e pobres, assim como outras que poderíamos enumerar à exaustão.
Ao defender a universidade pública, é necessário todo o cuidado para não idealizarmos esta instituição transformando-a em algo que ela não é. Ela é um espaço de conflito e de contradições, mas também é o espaço de onde vem 95% de todas as pesquisas científicas em nosso país, a maioria absoluta das teses e dissertações defendidas, onde se realizam trabalhos de extensão de grande significado e onde se formam profissionais das mais diferentes áreas de atuação. No entanto, sabemos que o campo das pesquisas e da formação profissional está longe de ser neutro do ponto de vista dos interesses de classe que dividem nossa sociedade.
O ataque à universidade é parte da pauta do obscurantismo reinante e serve de coesionador da base retrograda que deu a vitória eleitoral ao presidente miliciano. Fazem parte dessa frente de batalha a desqualificação da filosofia e da sociologia, a crítica aos intelectuais e artistas, entre outras iniciativas obscurantistas como nas pastas que tratam da família, dos povos indígenas, do meio ambiente ou da política internacional. Mas contra quem é necessário coesionar essa base?
Temos que estar atentos para um deslocamento importante. Evidente que é contra a esquerda, os ativistas, o “marxismo cultural”, mas há uma outra disputa em curso – esta entre os segmentos que compõem o governo. Claramente Bolsonaro não era a primeira alternativa da ordem burguesa e do grande capital monopolista. Parece evidente que ele não estava (e ainda não está) preparado para governar. Acrescente a isso o fato de que a personalidade do presidente é fonte de constantes instabilidades. Não creio que se trate de uma disputa, como se tem desenhado, entre duas alas: a “olavista” e a militar.. Nos parece mais preciso descrever o governo como composto por três segmentos: o de sustentação do presidente (que inclui os seguidores de Olavo de Carvalho, o fundamentalismo religioso e a estrutura miliciana que envolve sua família), os militares (que não são, como o presidente gostaria, sua base ou seu grupo de pertencimento) e os ultraliberais bancados pelo “mercado”.
A convivência não deve ser fácil. Os militares se incomodam com o fato de que deram aval a algo que de fato não controlam e que é fonte inesgotável de constrangimento e vergonha alheia. A área chamada técnica tem lá seus problemas pois pilota um programa de “reformas” que dificilmente produzirá os efeitos esperados na retomada da economia e do emprego e depende de uma sustentação política que dá claras mostras de incompetência para administrar a base do próprio governo. Moro, que gostaria de se incluir nesta área “técnica” é fonte de mais instabilidade, pois é odiado pelo Congresso que parece estar disposto a derrota-lo em tudo. O presidente não tem liderança e capacidade para unificar tudo isso que ele julgava ser homogêneo, mas que a cada dia se mostra não ser. O antipetismo, tão útil para ganhar as eleições, agora não serve para nada.
Pelo menos até agora, o presidente parece pensar que pode coesionar esses segmentos na medida em que fale diretamente com a base social por cima das mediações políticas que o Estado burguês lhe oferece. Para tanto, precisa manter mais um clima de campanha do que de governo e acaba acirrando a crise ao invés de controlá-la. A ofensiva contra a universidade faz parte deste script que pode incendiar as condições de governabilidade e agregar o tempero das ruas que faltava para fritar seu mandato.
O documento que o próprio presidente divulga, em que se diz obstaculizado pela “classe política” e por interesses que controlam o Estado, é menos uma tática política pensada e mais uma justificativa que tenta encobrir sua própria incapacidade. Isso, no entanto, não impede que produza o resultado esperado em sua base de apoio. A grande dúvida do momento é se a operação em curso para substituir o incomodo mandatário poderá ser feita sem grandes custos políticos e sem abrir brecha para uma oposição de esquerda ou centro esquerda que possa criar problemas para a agenda de reformas do capital. Parece claro que a direita quer se livrar de Bolsonaro para realizar sua agenda, mas como reagirá a estrema direita e sua base fanática?
Poderá o presidente destapar a panela do descontrole e movimentar o fanatismo em sua defesa? Mas, desta forma não romperá definitivamente com os segmentos substantivos de seu governo (militares, representantes do sagrado mercado e base parlamentar) para quem a estabilidade e a garantia das reformas é a prioridade estratégica? Haveria espaço para um governo bonapartista que fosse capaz de se impor contra o Estado sem destruir a si mesmo? Os indícios apontam para mais um blefe. Está se formando um consenso pelo seu afastamento que pode ser selado pela linha da investigação que o associa às irregularidades no mandato de seu filho eleito senador e, por esta via, às supostas vinculações com as milícias e, quem sabe, ao assassinato de Marielle. Ao que parece, ele não articula mais uma maneira de ficar, mas uma justificativa de por que deve sair.
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Mauro Iasi na TV Boitempo

No Café Bolchevique da TV Boitempo, Mauro Iasi apresenta conceitos-chave da tradição marxista a partir de reflexões sobre acontecimentos da conjuntura política e social recente no Brasil e no mundo. Se inscreva no canal aqui e venha tomar este café conosco!
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Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas. Na TV Boitempo, apresenta o Café Bolchevique, um encontro mensal para discutir conceitos-chave da tradição marxista a partir de reflexões sobre a conjuntura.

terça-feira, 28 de maio de 2019

O governo Bolsonaro morre pela boca, por Carlos Wagner


Publicado originalmente pelo blog Histórias Mal Contadas.
No dia 15, os estudantes, professores e funcionários das universidades e instituto federais ocuparam as ruas reclamando contra o corte de verbas do governo federal. (Foto: arquivo pessoal).
Nas conversas entre os repórteres, é comum aparecer o relato sobre um tipo de entrevistado para o qual corremos nas ocasiões em que os noticiários estão pobres de manchetes: a fonte que não tem freio na língua e diz o que pensa, sem se preocupar com a repercussão que suas palavras causam, devido ao posto que ocupa no governo. Todo governo, seja municipal, estadual ou federal, tem em suas fileiras esse personagem. Mas jamais tinha visto, em 40 anos de profissão de repórter, um governo como é o do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), com tamanha abundância desse tipo de personagem. Não por outro motivo que se fala nas redações que o governo federal “morre pela boca” e que ele não precisa de oposição para dificultar a sua vida. Ele se complica por conta própria.
O fato mais recente. Os números não foram comparados. Mas, pelo que foi noticiado, o número de pessoas protestando contra o contingenciamento de verbas para as universidades e institutos federais foi igual ou superior ao dos protestos de 2013, que ficaram conhecidos como Manifestações dos 20 centavos. Até então, a oposição não tinha conseguido reunir mais de algumas dezenas de pessoas protestando contra o governo Bolsonaro. Os três últimos presidentes da República fizeram contingenciamento de verbas para o ensino. O que houve de diferente no caso do Bolsonaro? A história é conhecida. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou que três universidades federais terão cortes em suas verbas devido a balbúrdias. A declaração do ministro foi interpretada como uma retaliação ideológica.
As declarações sobre a balbúrdia teriam sido um balão de ensaio para sentir o pulso da opinião pública sobre o que estava para vir? Se foram, nunca vai se saber. O fato é que, logo que foi anunciado que haveria contingenciamento de verbas para todas as universidades e em todos os institutos federais, de imediato o contingenciamento tornou-se sinônimo de corte e as ruas se inundaram de protestos. No auge dos protestos, Bolsonaro chama os manifestantes de “idiotas, inúteis e massa de manobra”. Foi a cereja do bolo. Weintraub substitui no cargo o ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez, que era um “desastrado”. Weintraub é o que nós, repórteres, descrevemos como “boca de conflito”: tudo o que ele diz vira confusão.
Citei esse fato recente. Mas há dezenas de outros fatos – todos disponíveis na internet – de pessoas do primeiro escalão do governo falando bobagens que viraram manchetes nos noticiários. Incluindo o próprio presidente e os seus filhos. Passados os primeiros quatro meses do governo Bolsonaro, eu entendo o desespero dos colegas americanos, logo no início da administração do presidente Donald Trump. Lembro que, na ocasião, falei com um velho repórter, que conheci nos anos 1980 e que hoje trabalha em Washington cobrindo Trump. Ele o definiu em uma única palavra: “louco”. Entendi a dimensão do que ele falou quando li o livro de Michael Wolf chamado Fogo e Fúria.
No Brasil, em uma leitura nos conteúdos de todos os noticiários e nos comentários dos principais comentaristas políticos do país, fica claro que nós, jornalistas, ainda não conseguimos entender o governo Bolsonaro. Vejamos: tudo o que o governo toca vira confusão. No início, avaliamos que as confusões eram para desviar a nossa atenção dos problemas sérios do país, tipo desemprego, segurança pública e outras questões estruturais. Acredito que é muito mais do que isso. As confusões criadas por Bolsonaro e seus ministros e ocupantes do segundo escalão do governo têm a ver com o desconhecimento da máquina administrativa do país. Têm a ver com o fato de considerarem apenas militares da reserva como pessoas capacitadas intelectualmente e de honestidade ilibada para ocupar postos no governo. Têm a ver com a imperícia política de transitarem entre os parlamentares.
Por que as redações dos jornais não estão fazendo a avaliação correta do governo? Há muitas respostas para essa pergunta. Mas há uma que resume a situação. As demissões em massa das redações desqualificaram a produção jornalística. E os que ficaram estão com uma enorme carga de trabalho, salários baixos e convivendo com a ameaça constante do desemprego. Dos meus 40 anos de profissão, 30 e poucos vivi dentro da redação de um grande jornal. Sei como as coisas funcionam. Na nossa profissão, escrever, falar, registrar em vídeo é a parte mais fácil da notícia. Interpretar as informações recolhidas para a matéria é a parte mais difícil, porque requer tempo para pensar, conhecimento de causa e muitos telefonemas. Tudo o que não temos hoje. É simples assim.

Os dez posts mais compartilhados no Facebook sobre as manifestações de 15 de maio, por Observatório da Imprensa

Os dez posts mais compartilhados no Facebook sobre as manifestações de 15 de maio
Por Monitor do debate político no meio digital em 21/05/2019 na edição 1038
  
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Depois de ser surpreendida pela abrangência das manifestações em defesa da educação, a direita reagiu. Durante todo o dia, os protestos contra os cortes na educação foram o assunto dominante. Páginas de esquerda defenderam a educação pública e repercutiram as mobilizações de rua. Páginas de direita, por outro lado, acusaram os protestos de serem partidários e defenderem “Lula livre”. Abaixo os 10 posts mais compartilhados:

1. Kim Kataguiri – Metade dos estudantes que foram protestar não sabem a diferença entre corte e contingenciamento, e a outra metade na verdade não são estudantes.
50 mil compartilhamentos

2. Quebrando o Tabu – “É natural, é natural, mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados de massa de manobra”, disse Bolsonaro na porta do hotel de Dallas, onde ficará hospedado. Dezenas de Universidades com verbas cortadas, pesquisadores sem bolsa, abandonando pesquisas de anos, professores perseguidos, escolas caindo aos pedaços, e quem reclama contra isso é “idiota útil usado como massa de manobra”. Ninguém precisa nos convencer, presidente. O problema tá aqui, e tá muito claro pra todo mundo. Um presidente deveria ouvir a população, não ofendê-la.
35 mil compartilhamentos

3. Nando Moura – É pela “educassaum ÇIM!” Pode acreditar, abiguinho!
33 mil compartihamentos

4. Kim Kataguiri – Em defesa de educação/ Lula Livre
27 mil compartilhamentos

5. Carla Zambelli – Pelo ‘Brasil inteiro’, manifestações exibem nada além de pequenas marolas vermelhas de sindicatos, associações e partidos de esquerda.
25 mil compartilhamentos

6. Quebrando o Tabu – Idiota útil para tirar o idiota inútil
24 mil compartilhamentos

7. Paulo Eduardo Martins – Bandeiras de Sindicatos, faixas de partidos de extrema-esquerda, camisetas e bandeiras “Lula Livre”. Pois é, entre as pautas defendidas hoje estão a não aprovação da reforma da Previdência, a não privatização de estatais deficitárias e – pasmem – a soltura de um criminoso condenado.
24 mil compartilhamentos

8. Enio Verri – URGENTE: Bolsonaro chama estudantes que estão protestando contra o corte de verba na Educação de “idiotas” e “imbecis”
24 mil compartilhamentos

9. Rua Direita – Só a educação trazerá conhecimento. Mas, por enquanto, trazeu só militantes analfabetos mesmo.
24 mil compartilhamentos

10. Alcides Ribeiro – As camisas são vermelhas; as bandeiras são de sindicatos; os gritos são de Lula Livre; Alguém acredita que a greve é pela educação?
19 mil compartilhamentos



Como é feito o levantamento dos dados:

O “Monitor do debate político no meio digital” é um projeto que busca mapear, mensurar e analisar o ecossistema de debate político no meio digital. A primeira ferramenta que desenvolvemos recolhe todas as matérias de política brasileira de 118 fontes de 82 veículos de comunicação. Atualmente, podemos analisar o número de matérias produzidas e o número de compartilhamentos e comentários de cada matéria, por veículo e por categoria agregada; podemos também fazer análises quantitativas das palavras utilizadas nas manchetes e na descrição (lead ou resumo da matéria).

A lista consolidada de fontes que utilizamos nas últimas coletas é a seguinte:

–  Jornais impressos: Folha de S.Paulo, Valor Econômico, O Globo, O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense, Extra, O Dia, Zero Hora, Gazeta do Povo, Estado de Minas e O Tempo
– Revistas impressas semanais: Veja, Exame, Carta Capital, IstoÉ, Época
– Portais: R7, G1, UOL e Terra
– Revistas e jornais impressos mensais: Revista Fórum, Le Monde Diplomatique, Brasileiros, Caros Amigos
– Jornais digitais: Nexo, BBC Brasil, El País Brasil, EBC, HuffPost Brasil, Congresso em Foco, InfoMoney, Jornal do Brasil, A Pública, Ponte, Fluxo, Global Voices, Plus55, Observatório da Imprensa
– Imprensa e comentário alternativo de esquerda: O Cafezinho, Carta Maior, Pragmatismo Político, Jornalistas Livres, Opera Mundi, Outras Palavras, Jornal GGN, Diário do Centro do Mundo, Rede Brasil Atual, Viomundo, Tijolaço, Portal Vermelho, Socialista Morena, Brasil 247, Democratize, Blog do Rovai, Escrivinhador, Sul21, PassaPalavra, A Nova Democracia, blog Maria Frô, Geledés, Agência PT, Diário Liberdade, Rede de Informações Anarquista, Canal Ibase
– Imprensa e comentário alternativo de direita: Pensa Brasil, O Reacionário, Correio do Poder, O Implicante, O Antagonista, Folha Política, Spotniks, Gazeta Social, Crítica Política, O Financista, Rádio Vox, Revolta Brasil, blog do Rodrigo Constantino, Folha do Povo, Política na Rede, Reaçonaria

Acreditamos que essas fontes cobrem a maior parte da informação política do Brasil, tanto a jornalística como a de opinião. Entre as nossas limitações conhecidas, não coletamos as matérias da revista piauí, do site Folha Centro Sul, do site Mídia Ninja e dos principais jornais impressos de Fortaleza e Recife.

A classificação acima foi feita da seguinte maneira: agrupamos os principais jornais diários impressos, as revistas semanais impressas, as publicações impressas mensais e os grandes portais. A maior parte das publicações restantes pôde facilmente e intuitivamente ser agrupada como imprensa e comentário alternativo de direita ou de esquerda. As publicações que julgamos que não podiam facilmente ser agrupadas pela orientação política colocamos sob a categoria “jornais digitais”. Embora essa classificação seja algo arbitrária, acreditamos que é um instrumento de análise útil. De qualquer maneira, como nosso levantamento apresenta os dados também por veículo, qualquer usuário pode reclassificar os resultados utilizando outras chaves analíticas.

Além dessas fontes, incluímos cerca de 400 páginas entre as maiores e mais relevantes que tratam de política no Facebook. A análise da comunidade de leitores dessas páginas indica que elas se estruturam em dois pólos: anti-petistas e anti-anti-petistas. A lista completa das páginas e a classificação obtida pela análise estão disponíveis aqui.

Não é só mais um clichê pela democracia, por Carlos Nascimento Marciano.

 
  
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Publicado originalmente por objETHOS.


Estudantes e professores de institutos federais e universidades fazem manifestação na Avenida Presidente Vargas em protesto contra o bloqueio de verbas da educação. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Quantas pessoas unidas são necessárias para considerarmos digna uma manifestação? Bom, depende, e não só de quem conta. Parece apenas uma questão matemática, mas, na mensuração do que é benemérito na luta por direitos, faz-se necessário considerar nesse cálculo não apenas o número de participantes, e sim, principalmente, de que lado você está no tema que é defendido por quem vai às ruas.

Na última quarta-feira (15), em mais de 200 cidades houve manifestações contra o “contingenciamento” de recursos para a educação. Estudantes, militantes e simpatizantes à causa ocuparam as ruas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Com faixas, cartazes e gritos de guerra, as vozes ecoaram no horizonte democrático, cada vez mais frágil e hostil diante da divergência de pensamento.

Não há como negar que, nos últimos anos, as manifestações ganharam força como ferramenta para expor a indignação com o governo vigente, mas então por que destacar essa última, se já houve outras, talvez até com mais participantes? Ora, porque o jornalismo está aí para isso, para noticiar os fatos, acima de tudo para incomodar em prol da boa reflexão.

Ao contrário das manifestações de 2018, a do dia 15 não precede um processo eleitoral, seu foco não apoia um candidato ou outro, mas se insere em um contexto político cujas ações cada vez mais parecem desconexas ao bem da nação. Governantes e governados apoiadores parecem não olhar para frente. Insistem em ressaltar os erros do passado para legitimar suas futuras falhas, a destilar seu ódio político para deslegitimar qualquer opinião contrária.

Questionar o governo virou sinônimo de ser comunista, a imprensa que não é chapa branca está espalhando fake news, as universidades públicas que prezam pela liberdade de cátedra e não punem professores opositores merecem ter os recursos retidos.

Ao contrário do que muitos pensaram, os manifestantes do dia 15 não eram baderneiros, massa de manobra ou “idiotas úteis”, para usar as palavras do próprio presidente. Estavam na manifestação estudantes, simpatizantes e educadores que prezam pela saúde intelectual dos jovens; pelos laboratórios de referência que atraem intercambistas do mundo todo; pelo acesso democrático à educação sem distinção de raça, religião, orientação sexual ou renda familiar; pelas pesquisas reconhecidas internacionalmente como ao ser finalista em uma competição de Harvard ou ganhar o prêmio máximo na maior feira de Ciências do mundo ou ainda sair na frente no tratamento contra microcefalia.

É fato que nem toda universidade é um mar de rosas, que existem, sim, performances, pesquisas e descasos com o patrimônio público que deixam muito a desejar. Mas será que a solução está mesmo em apenas acusar os antigos governantes sem destacar alguma solução? Em “contingenciar” recursos sem ao menos deixar claros quais os critérios adotados? Em divulgar nas redes as pichações de foices e machados como símbolos da balbúrdia, mas ignorar os desenhos das suásticas, os dizeres de morte aos gays e os cartazes exaltando a KKK com sua supremacia branca?

Não foi só pelos recursos na educação pública que os manifestantes foram às ruas no dia 15, foi também para zelar pela integridade dos alunos e professores diante do discurso armamentista; pela preservação da liberdade em dialogar e estimular o pensamento crítico do aluno frente à Escola sem Partido; pela garantia de trabalhar destilando amor naquilo que faz e gozar de pelo menos 30 anos de aposentadoria sem se preocupar se terá ou não dinheiro para comprar remédios ou viajar com a família.

O governo eleito com a bandeira de ser a nova política, sem conchavos e amarras, está cada vez mais preso à velhas desculpas, ao conservadorismo, à discriminação de quem é ou pensa diferente. As universidades públicas têm, sim, problemas que devem ser enfrentados, mas também conquistas que merecem ser ressaltadas. Não se conserta uma parede apenas criticando o construtor anterior que fez o buraco; é preciso comprar os materiais adequados, realizar os ajustes e, no fim, com as benfeitorias de ambos os construtores, a casa estará sólida e digna de admiração.

Reconhecer as falhas anteriores para melhorá-las é válido; ater-se a elas para justificar as escolhas não planejadas é descaso, é desprezível. Tudo indica que as políticas educacionais hoje não tratam de planejamento, mas sim de uma rixa ideológica e partidária que não favorecerá lado nenhum. Foi isso que os manifestantes de instituições públicas e privadas quiseram mostrar no último dia 15; é isso que o governo precisa entender para além de seu egocentrismo.

Falta-lhe humildade, ou, melhor dizendo, humanidade para reconhecer que “contingenciar” investimentos na educação de um país para reestruturá-lo é o mesmo que abrir espaço em um terreno ateando fogo na nossa própria casa sem sair com a família de dentro dela.

‘NOSSA PÓS-GRADUAÇÃO VAI DEFINHAR’: CORTES DEVEM ACABAR COM METADE DOS CURSOS, por Lucindo José Quintans Júnior

Estudantes protestam contra o corte orçamentário do governo Bolsonaro, em 6 de maio, no Rio de Janeiro.
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Estudantes protestam contra o corte orçamentário do governo Bolsonaro, em 6 de maio, no Rio de Janeiro. Foto: Mauro Pimentel/AFP/Getty Images
Estudantes protestam contra o corte orçamentário do governo Bolsonaro, em 6 de maio, no Rio de Janeiro.
15 de Maio de 2019, 0h02
UM PROFESSOR AMIGO MEU, que leciona em uma universidade francesa, me perguntou, de forma perplexa e incrédula, como o Congresso Nacional e as próprias Forças Armadas do Brasil permitiam que as universidades fossem atacadas com tantas calúnias e mentiras. Respondi, igualmente perplexo, que não há resposta racional para esse fato ou, pior, há uma lógica perversa no ataque.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou em uma entrevista que a Universidade Federal de Sergipe é um exemplo de ineficiência e que não tem pesquisa. A declaração é completamente falsa, mas a veiculação de embustes não é uma exceção no governo de Jair Bolsonaro. O próprio presidente disse recentemente que “(…) nas universidades, você vai na questão da pesquisa, você não tem, poucas universidades têm pesquisa, e, dessas poucas, a grande parte está na iniciativa privada, como a Mackenzie em São Paulo, quando trata do grafeno”, mostrando o completo desconhecimento sobre a ciência e a tecnologia produzidas no país por ele governado.

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O Brasil é atualmente o 14º maior produtor de trabalhos científicos do mundo, segundo revela o recente artigo “Fábricas de Conhecimento”, publicado pelo Jornal da USP. Das 50 instituições que mais publicaram trabalhos científicos no país nos últimos cinco anos, 44 são universidades, sendo que 36 federais, sete estaduais e apenas uma particular.

Nesse ranking, a UFS, instituição com mais de meio século de existência e da qual sou docente há quase 13 anos, ocupa a 36ª posição como produtora de ciência do Brasil e está na 27ª entre as universidades federais, o que demonstra de modo inequívoco sua qualidade e importância dentro do cenário nacional. A UFS tem 58 programas de pós-graduação e detém cerca de 88% das matrículas de pós-graduação de Sergipe.

Sem aviso prévio, a Capes tirou a bolsa de milhares de alunos que se preparavam para iniciar suas pesquisas.
Além dos 30% “contingenciados” pelo MEC em 8 de maio, a Capes anunciou dois novos cortes, ambos sem aviso prévio. O primeiro eliminou cerca de 3,5 mil bolsas de pós-graduação em todo o país. Os PPGs da UFS perderam 13 bolsas de mestrado, duas de doutorado e três de PNPD, o que gerou um prejuízo de R$ 1,15 milhão, se levarmos em conta apenas um período de três anos.

A Capes considerou como “ociosas” bolsas que estavam em processo de cadastro de alunos ou sem vinculação no período de abril. Esse é justamente um período em que as bolsas estão sendo atribuídas aos pesquisadores. Ou seja, elas não estavam “ociosas”, mas, sim, passando de um aluno a outro, em um processo que pode levar alguns dias ou semanas. A Capes sabe disso. Sem aviso prévio, tirou a bolsa de milhares de alunos que se preparavam para iniciar suas pesquisas no Brasil inteiro.

Como se não bastasse, nessa mesma medida, anunciou um corte linear, que chamou de ‘Fase 2’, de 70% das bolsas de PPGs com duas avaliações nota 3 e um corte de 30% dos doutorados com duas avaliações nota 4 pela avaliação quadrienal. Pontuações 3 e 4 são atribuídas a cursos novos ou em consolidação, em uma escala que vai até 7. De acordo com a Capes, as bolsas serão recolhidas à medida que os titulares forem concluindo os cursos – em dois anos para mestrado, e quatro para doutorado. A retórica da Capes ao anunciar os cortes foi a “qualidade” dos PPGs.

95% da produção de conhecimento no Brasil ocorre em universidades federais.
A pós-graduação da UFS é considerada jovem pelo próprio SNPG e está em franco processo de consolidação. É comum os cursos de pós terem nota 3 e 4 nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que têm maior carência de recursos e onde as assimetrias da pós-graduação vêm sendo reduzidas somente nas últimas décadas. A medida desconsidera essas diferenças entre os estados brasileiros, a distribuição de doutores pelo país e os impactos sociais dos PPGs nas regiões. Esses programas jovens teriam boas oportunidades de subir de patamar se esses cortes não ocorressem. Só na UFS, essa fase afeta diretamente 32 cursos de mestrado e dez cursos de doutorado. Ao final desta fase, 156 bolsas de mestrado e 38 bolsas de doutorado deixarão de existir. A medida mata por inanição 32 dos 58 PPGs da UFS (55%).

A chamada “Fase 2” é desmonte da pós-graduação brasileira porque implanta mudanças estruturais que destroem princípios históricos e basilares do SNPG. O sistema trouxe importantes avanços ao longo das últimas décadas, estabelecendo critérios que levam em conta o processo de consolidação do programa, a avaliação periódica e a redução das assimetrias regionais. As universidades respondem por cerca de 99% de todo o conhecimento gerado no Brasil, sendo as públicas responsáveis por cerca de 95% deste total. Os PPGs produzem grande parte dessa valiosa produção científica que a famigerada fase 2 quer agora aniquilar. A imensa maioria dos programas com nota 5 para cima estão em universidades públicas. Elite da nossa pós-graduação, os programas nota 7 também.

Fora o ‘contigenciamento’ do MEC, os sucessivos cortes no orçamento do MCTIC também afetam os PPGs e a ciência brasileira.
Em valores absolutos, a medida gera um prejuízo colossal aos PPGs da UFS e à própria economia sergipana, que perderá, direta ou indiretamente, recursos da ordem de R$ 9,7 milhões, por ano.

O bloqueio anunciado pelo MEC também afeta o pleno funcionamento dos dois hospitais universitários da UFS 100% SUS, inclusive com serviço especializado para crianças com microcefalia, uma ameaça à saúde da população sergipana sem precedentes na história do estado.

Fora os cortes do MEC, os sucessivos cortes no orçamento do MCTIC, que chegam a mais de 48% apenas neste ano, impactam também os PPGs e toda ciência brasileira. Apenas na UFS, vários projetos de pesquisa já estão sofrendo com os cortes no MCTIC e serão fortemente prejudicados por esta última ação da Capes e o bloqueio de 30% anunciado pelo MEC. Os projetos envolvem temas prioritários para o Nordeste, como as doenças negligenciadas como o Zika vírus, chikungunya e dengue; investigações sobre segurança pública, feminicídio e violência doméstica; além das pesquisas sobre recursos hídricos e energias renováveis.

 A universidade deveria ser um dos principais sustentáculos do processo de recuperação econômica do Brasil.
Apesar do cenário catastrófico e de terror, setores importantes da sociedade vêm se mobilizando em favor da educação, da ciência e da tecnologia. A parte reflexiva e coerente do próprio Congresso Nacional cobra explicações mais convincentes que a repartição dos chocolates.

A própria SBPC questionou o governo sobre quais são, afinal, as metas do governo para a ciência no Brasil. O governo está anunciando que os cortes são baseados em “metas” “não cumpridas” que até agora não foram definidas. Na verdade, temos ainda dúvida sobre se as medidas anunciadas são acontecimentos desconexos ou um projeto de desconstrução dos pilares de uma sociedade civilizada, como educação, ciência, tecnologia e inovação. A universidade, especialmente a pública, deveria ser um dos principais sustentáculos do processo de recuperação econômica do Brasil, e não a ‘Geni’ da vez.

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