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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Dias de amargura, por Vitorio Medioli.

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Enfrentamos na última semana acontecimentos assustadores e que não espantaram mais por estarmos numa época de calamidade generalizada, em plena overdose de notícias aterrorizantes. Leva ao espanto: será verdade? A que ponto chegamos?
A semana iniciou-se com 59 pessoas exterminadas e 527 baleadas em Las Vegas, pior que filme de terror. No país que não sabe conter e disciplinar a compra de armas, dá nisso mesmo.
Aqui, até as Olimpíadas do Rio de Janeiro, que se encerraram aplaudidas no mundo todo com o discurso de Carlos Nuzman, mostrou tratar-se de um evento inserido nos propinodutos e no mar de corrupção. Parece que, como em outros fantasmagóricos projetos do quilate do pré-sal, do Mundial de futebol, da transposição, dos aeroportos no deserto e de inúmeras obras públicas, por detrás a motivação é criar vórtices, entre urgências patrióticas, para tragar montanhas de recursos públicos. Mais uma do aloprado Sérgio Cabral.
O império da corrupção onipresente revelou mais essa faceta até então desconhecida. Atrás da fachada “Olimpíadas”, mais um esquema para desviar bilhões em recursos amputados das contas de alívio à miserabilidade.
Abateram-se sobre os cidadãos mais revelações e gravações de acertos criminosos que apresentam figuras sem escrúpulos e sem moral, comungando o deslumbre para riqueza e luxo, absolutamente incompatíveis com suas funções públicas.
Não bastasse isso, o incorrigível Congresso Nacional aprovou, e o presidente sancionou, o financiamento público de campanhas eleitorais com R$ 1,7 bilhão. Isso para os partidos bancarem suas eleições de 2018 e sem adotar qualquer medida que diminua os gastos e enquadre em regras austeras as eleições. Coloca-se o povo a bancar as eleições retirando R$ 500 milhões das emendas orçamentárias dos parlamentares, ou seja, recursos destinados às obras aguardadas pelo povo dos Estados e dos rincões. Outro acinte foi não possibilitar o voto nominal de uma matéria dessa importância.
O que se consumou foi a perda de um recurso para inserir mais de 700 mil crianças, hoje excluídas das creches, entre os milhões de não atendidos, exatamente por falta de verbas.
A criação de mais esse fundo é execrável, aprovado anonimamente no apagar das luzes de uma semana sofrida. Mas ficou claro que os mesmos demagogos que condenavam o “distritão misto”, como solução de país subdesenvolvido, conseguiram fazer muito pior: dar a cada um dos parlamentares R$ 2 milhões para se perpetuarem no cargo em 2018 ou levar bolada para casa.
Ainda proibiram as candidaturas avulsas, que constituem um direito nas mais livres democracias, para não se submeter aos esquemas das organizações partidárias. Isso, sim, de país de Terceiro Mundo que tem uma casta incrustada no poder.
Outro capítulo da semana: Cesare Battisti, interceptado tentando atravessar os confins do Brasil. Um assassino que matou pelas costas quatro pessoas e deixou um rapaz paraplégico na Itália. Uma figura que foi protegida, pelo governo brasileiro, para ser subtraída à Justiça de seu país. O Brasil mostrou ser generoso com assassinos perversos, e ao mesmo tempo cruel com sua população mais carente, privando-a de R$ 1,7 bilhão.
Isso tudo para os desavisados não tem relação com a tragédia de Janaúba, com o extermínio de criancinhas queimadas vivas por um desgraçado que se suicidou em seguida.
Entretanto, cada sociedade constrói seu destino com suas energias positivas e infelizmente negativas, seus vícios e egoísmos. Produz os efeitos e seus méritos. Não há evento que não tenha um peso direto no conjunto e especialmente as ações de seus membros mais importantes, dos líderes, das elites da nação. Daqueles que, elevados às alturas, são responsáveis por dar um exemplo.
Nessa época se artificializa e se dissimula, e nosso povo é vítima assim de desleais, de seres vorazes e sem sentimentos. E, quando isso acontece, o destino se apresenta, a Gomorra se aproxima da destruição.
Tirando os poucos parlamentares que prestam, os partidos dominados pela ganância devem ser enfrentados com as armas da democracia. Cassados pelo voto popular. Criando uma corrente que se negue a votar em quem destrói a nação e quem faz uso da verba tirada dos inocentes.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Um banho de luz, por Vitorio Medioli


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A maldade não aumentou, continua a mesma, mas é a intensidade da iluminação que a faz mais soberba. Nunca se enxergou tão nitidamente sua existência.

O Sathya (Verdade) Baba (Santo Homen) explica num texto simples que a luz neste momento se abateu sobre a Terra como uma lâmpada de 100 W num quarto de despejo que contava apenas com uma de 20 W.

Antes a penumbra velava o pó, a sujeira, o mofo, as teias de aranhas, os cupins que agora aparecem com clareza.

De repente o cômodo se transformou em questionamento dos moradores que deixaram o assombro se acumular: “Como é que nunca desconfiei?”.

Os olhos acomodados à penumbra enxergam até os vampiros que antes pareciam pessoas comuns. Os maus cheiros mostram suas causas.

A inundação de luz revela o que antes a falsidade escondia, as fachadas se derretem rapidamente, e os culpados não conseguem disfarçar mais suas traições.

Ficou mais fácil, com a luz, alcançar o entendimento de Deus, o funcionamento implacável de suas leis e compreender como a vida se organiza no reino dEle.

As ondas de luz que atingem o planeta deixam as pessoas mais tensas e depressivas do que nunca. São mais frequentes e persistentes nas pessoas as dores de cabeça, dos ossos e das articulações sem que os médicos consigam definir as origens, caindo assim na vala comum do estresse.

Isso porque as pessoas, para poder receber mais luz, precisam mudar, tanto no físico como no espírito. Precisam, segundo Sathya Baba, começar a limpeza interior, retirar o acúmulo de sujeira que não é mais admissível. Os velhos truques, os medos, as angústias precisam ser deixados para trás, a maior percepção impõe uma transformação.

Os médicos receitam antidepressivos para o paciente “incurável”. Entretanto, são essas sedações que não permitem aproveitar o momento que a humanidade vive para evoluir. São os tormentos tão necessários para a mudança quanto a água para satisfazer a sede. A vida oferece o necessário, a dor possibilita os avanços, força a encontrar o caminho.

Estamos vivendo provavelmente a melhor época da humanidade de todos os tempos, do avanço equivalente a milhares de anos em poucos, da superação dos limites do egoísmo.

A verdade aparece e sinaliza que a hora de arregaçar as mangas, de se dedicar à purificação de nossa vida, chegou para ficar. Até o despejo reclama por asseio.

A consciência da humanidade começou a despertar em massa, numa forma jamais imaginada.

Ler bons livros é uma das fórmulas. Livrar-se da ignorância, do medo e do egoísmo, especialmente dos pensamentos negativos, da falsidade, da dissimulação, e ficar puramente fiéis à verdade. Os erros do passado deverão ser pagos para seguir adiante.

A ciência sabe que algo de imenso e diferente está acontecendo, impelido por forças superiores, e que, para seguir adiante, será preciso mudar nossa consciência.

O que valeu antes não vale mais, as velhas moedas estão saindo de circulação.

As imundícies não serão mais aceitas e toleráveis. Uma humanidade nova está por se estabelecer, e outra em breve se distanciará, segundo o Baba indiano.

A política brasileira espelha este momento com a queda dos biombos, das cortinas que encobriam os malfeitos, a exploração. A luz está cada vez mais forte, secando o mal.

Derretendo os impérios que se fartaram da dor, das injustiças, das maldades.

Na realidade, se nem tudo o que o iluminado Sathya enxerga acontecerá de imediato, resta acreditar que estamos na direção certa para chegar lá.

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segunda-feira, 24 de julho de 2017

O triplex errado, por Vittorio Medioli,

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Se Sergio Moro queria abater Lula, pode ter errado grosseiramente.

Mais que um barato triplex, a economia nacional sofreu e sofre hoje pelas escolhas estratégicas desgraçadas dos últimos dez anos, feitas pelo governo e direcionadas ao interesse das empreiteiras da Lava Jato.

Triplex é nada, uma gota no oceano e, ainda, uma gota equivocada.

Os financiamentos de campanha e as propinas com mimos, que têm no triplex um exemplo patético, parecem estar na base das ruínas do país.

Obras de difícil fiscalização em terras distantes, e, no final de cada uma, superfaturamento e roubalheiras que renderam, além dos 3% para os partidos, uma miríade de coisas erradas. O esquema de Sérgio Cabral mostra que as garfadas poderiam multiplicar-se dependendo da agressividade de personalidades como a dele mesmo e de Eduardo Cunha (próximo delator).

Os 3% eram o pedágio para passar com 97% de recursos públicos rendendo ganhos exorbitantes.

Um metrô em São Paulo e uma Cidade Administrativa em Minas são facilmente fiscalizáveis, mas para o TCU um metrô em Caracas com R$ 3,3 bilhões de aportes brasileiros e um metrô no Panamá com R$ 2,4 bilhões (obras da Odebrecht) ficam fora, para sempre, de qualquer fiscalização tupiniquim.

Mandar dinheiro para lá é a forma de desviar com a maior facilidade, penalizando no Brasil uma população sedenta de saúde, educação e emprego. Como tirar a comida da mesa de um esfomeado para dar lá fora.

Não se tem dúvida da ilicitude subjacente, pois o governo brasileiro baixou o “sigilo bancário” sobre valores de cerca R$ 200 bilhões aplicados no exterior. Absurdo! Lógica de republiqueta do Caribe que blinda safadezas que custaram o sangramento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o FI-FGTS e o Tesouro Nacional, que emitiu fortunas com taxas de 11% e as investiu por 6%. Justamente o que deveria ser aplicado em finalidades sociais e desenvolvimentistas, aqui, no Brasil.

Fora do país seguiu-se a lógica de obras de infraestrutura, no Brasil de farras nos últimos dez anos. Mais de R$ 1 trilhão foram carreados para estádios da Copa, das Olimpíadas, para o pré-sal, que se mostra uma insensatez, para a transposição, para os frigoríficos da JBS, os devaneios da EBX, as loucuras de Marcelo Odebrecht, que deixaram, agora, um punhado de moscas no ar.

Os metrôs que resolveriam a mobilidade urbana de BH e de outras cidades continuam na fila de espera. O de Caracas nunca será pago, é calote na certa. A saúde permanece de baixíssima qualidade, a educação, insuficiente, o desemprego, o mais penoso do mundo.

A transposição do São Francisco, que fez a festa de 14 empreiteiras, já registra três canais estourados pelo sertão afora, e se garante que os 12 milhões de hectares facilmente irrigáveis em Minas e na Bahia perderam essa possibilidade. As águas já se encontram contingenciadas com um corte neste ano de 15%.

Quando se poderia atender a mesma população de melhor forma com açudes, cisternas e poços poupando R$ 8 bilhões que foram jogados ao vento.

O pré-sal, cavalo-chefe do governo de Lula, foi uma escolha arriscadíssima, sabendo-se que o custos de extração de US$ 45 por barril se oporia aos US$ 10 na península Arábica e em outras bacias rasas do planeta.

Dos balanços da Petrobras aflora, já nas primeiras camadas, que R$ 400 bilhões de financiamento, relacionados ao pré-sal, não rendem um centavo e poderão em breve gerar déficit com as cotações do petróleo baixando de US$ 45 por barril.

Nos últimos anos os precavidos fundos árabes pararam de investir em petróleo e entraram numa corrida maluca para abocanhar o promissor mercado das energias alternativas e sustentáveis.

Sol, vento, água, biomassa, lixo e resíduos urbanos serão insumos de primeira importância, como o hidrogênio e as células de energia, que deixarão o petróleo obsoleto nas profundezas da terra.

Realmente essa história de triplex, no contexto do Brasil, joga no escanteio o que realmente conta.

O TRF-4 de Porto Alegre, instância de recurso de Lula, terá muitos argumentos, na esfera estritamente jurídica, para aliviar e até livrar Lula, concedendo-lhe o título de perseguido por um fato marginal e inexpressivo.

Seria esse apartamento a “Elba” de Lula? Só num julgamento político do Congresso.

Aquele carro popular pago por PC Faria, que motivou a cassação de Fernando Collor, não o condenou na instância judicial.

Esse triplex faz um favor a Lula e concede um discurso à militância lulista estonteada.

Moro conseguiu o que não queria.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Agonia, por Vittorio Medioli.

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Chegou-se a um ponto de criticidade que parece improvável o governo de Michel Temer sobreviver. Resistir à queda é possível, mas o custo da resistência se tornará inviável e manterá o país na UTI.

Pesa neste momento o isolamento dele em relação à opinião pública. Bate nele o maior índice de desaprovação da história republicana.

Como uma orquestra que enfrenta o ruído de uma locomotiva e não consegue expressar sua sinfonia, da mesma forma o governo de Temer vive sob os gritos de protestos da multidão e não consegue coordenar seus esforços. Os ministros transitam acochados, desacreditados, e deixam de ser engrenagens que movimentam a máquina da União.

Quanto mais abalado e encurralado um governo, mais cede aos vícios do Legislativo. O momento mais propício para os piores elevarem sua importância.

É claro que o poder constitucionalmente exuberante e inconteste ofusca o pensamento do empossado e o faz resistir além do que seria aconselhável e oportuno para o funcionamento de um governo. Decorrente desse excesso, assistimos nas últimas décadas a demoradas e sôfregas resistências, de Fernando Collor de Mello e de Dilma Rousseff. Caíram Getúlio Vargas, João Goulart, Jânio Quadros. A Presidência da República no Brasil se notabilizou como perecível quase descartável.

Um vice, ao contrário de um titular ungido pelas urnas, assume desautorizado, e não lhe é dado assim muito tempo para mostrar serviço. Deve conquistar a “autoridade presidencial” com ações imediatas de estadistas. O governo do vice precisa de um consenso maior, de realizar mais em menos tempo e com maior eficiência.

Temer, apesar de sua longa experiência, não entendeu o recado da história. Cercou-se de “amigos”, com currículo tremendamente esgarçado, no lugar de figuras competentes, acima de qualquer suspeita e crítica. Mais que uma equipe, convocou uma confraria, que o apoiou no processo de cassação de Dilma. E sempre se soube que quem é bom numa atividade não o é em outra que requeira excelsa competência. Usou apenas critérios políticos, e não técnicos. Em poucos meses viu tombar um atrás do outro os baluartes de sua fortaleza. Pior, em situação vexaminosa.

Deixou cair o desemprego e as atividades econômicas numa profundidade desesperadora.

Não vislumbrou medidas de desenvolvimento, de crescimento. Não chamou para si os setores produtivos e não se deu o trabalho de envolvê-los com seu governo. Não se apercebeu de que, enquanto a economia real estiver sangrando, continuará sendo o país fraco e problemático que já é. Enquanto quem trabalha precisa pedir permissão a quem não entende seu esforço e não sente seu desespero, não haverá solução. O Brasil é uma ditadura cleptocrática nas mãos de insaciáveis especuladores.

Ficou inerte a recessão, permitiu que se continuasse e se acentuasse o sofrimento social, que se ampliasse a miserabilidade no país. Assistiu anestesiado ao crescimento de 3 milhões de desempregados, não se solidarizou com o sufoco, não explicou suas ações. Rendeu-se à fórmula econômica ortodoxa, monetarista.

Meirelles não é um homem de “fábrica”, é, essencialmente, banqueiro (ainda trabalhou para a JBS, fazendo dela a maior tomadora de empréstimos do BNDES e dos bancos oficiais). Suas retinas enxergaram a vida toda o mundo como um fator tendencialmente monetarista e de lucros provenientes da especulação.

Isso não se coaduna com a estreiteza, a fragilidade e o curto raio de manobra de um presidente que entrou no Planalto pelos fundos.

As soluções adotadas para enfrentar a crise foram e são claudicantes, tardaram para chegar aos setores produtivos e a gerar efeitos positivos na vida da nação. Dificilmente daria outro resultado com um banqueiro forjado na especulação sem compromisso com o emprego e a riqueza nacional.

Temer se esqueceu da fórmula adotada por Itamar Franco ao suceder Fernando Collor. Agora parece ter perdido todas as fichas que a sorte lhe ofereceu para se legitimar e justificar a faixa que lhe caiu nos ombros.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Inteligência Artificial, por Vitorino Medioli.

O mundo evoluiu nas últimas décadas numa velocidade cibernética, invadido de soluções incríveis, intuitivas, diretas. Num toque o mundo aparece na tela, e isso, se é natural para quem chega agora, não o é para quem viveu sem televisão e com luz de lâmpadas trêmulas.

Tenho uma foto de meu pai aos 9 anos, em 1917, empoleirado no encosto de um automóvel Packard, o primeiro a chegar dos Estados Unidos à cidadezinha onde morava. Bigodes de um tio virados para cima, mulheres de saias longas, paletós com cem botões e chapeuzinhos com rendas velando o rosto.

Parece que se passaram alguns milênios, e não cem anos.

O homem vem se livrando das tarefas fatigosas. Uma linha de robôs opera 24 horas durante 365 dias do ano, com meia dúzia de técnicos se alternando à frente de painéis infalíveis. Os robôs, programados de uma inteligência artificial, não recebem salários, não vão para casa, não se alimentam e, quando não prestam, acabam numa fundição. Eliminaram assim, na China, uma fábrica com 2.000 empregos.

Isso apareceu na palestra organizada pela Associação Comercial de Minas Gerais, que tratou o tema inteligência artificial. Sabemos que a inteligência não humana se instalou no controle remoto da tevê, no portão de casa, no elevador, nas formas de produzir pães e bebidas, de dirigir um carro, uma moto, um brinquedo qualquer. Tudo está sob a condução de uma inteligência criada no computador.

Na próxima década não haverá motorista para dirigir. Ônibus e caminhões elétricos sairão e voltarão para a garagem depois de atender as missões programadas. Balões sem tripulação levarão carga para qualquer território movidos por células solares.

No telão do auditório passaram imagens lúcidas e assustadoras, como assustador é o ranking das maiores empresas do planeta em 2001, com corporações do setor petrolífero e automotivo nas primeiras colocações; já em 2016, as mais valiosas e poderosas do planeta têm a inteligência artificial: Apple, Google, Microsoft, Facebook, Intel. Em comum, poucos funcionários, uma estrondosa receita e lucros nunca imaginados.

Hoje, duas toneladas de smartphones, que pesam cem gramas e custam US$ 1.000 cada, redundam no valor de um navio de 330 mil toneladas de minério, vendido por US$ 60 a tonelada. O valor de US$ 20 milhões de smartphones cabe com folga na barriga de um avião de passageiros, enquanto a montanha de minério precisa do maior navio cargueiro em circulação pelos mares do planeta.

A queda de valor da matéria se ampliará em relação à inteligência. Até porque os capitais drenados pela inteligência são fantasticamente superiores. Nos US$ 20 milhões de iPhones da Apple, deduzidas todas as despesas, deixam mais de US$ 15 milhões ao produtor. Do outro lado, o navio de minério renderá um proveito de cerca de US$ 4 milhões. Na ordem de geração de lucros, 1 milhão de toneladas brasileiras empatam com duas toneladas de inteligência digital.

Durante a palestra, em meu iPhone, calculei instantaneamente a sombria perspectiva num horizonte que não chega mais a ser belo como antigamente.

Embora não só de startups viverá o homem do futuro, restará para elas o controle do planeta.

De um lado se enxerga um Ícaro da tecnologia voando nas alturas e, do outro, um Sísifo da matéria em seu esforço malcompensado. Se para o primeiro será necessário conter a cota das ambições, para o segundo restará sua ingrata tarefa.

Nunca como agora a distância vem se abrindo entre países, estimulando um fluxo migratório que nem os muros no deserto conseguirão frear.

O Brasil, neste momento, pode se livrar de muita escória que freia sua evolução, uma parte está abandonando o país que vampirizou. O caso de Joesley Batista faz lembrar dom João VI, que, pressionado por Napoleão, carregou seus navios zarpando às pressas para o Brasil, deixando para trás um Portugal em frangalhos.

Êxodo, isso mesmo que o presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco, em outra palestra em Tiradentes, lembrou apropriadamente. O Brasil, que não produz a inteligência artificial, vem perdendo a inteligência humana, pois 2,3 milhões de formados em nossas universidades evadiram, e apenas 400 mil aqui chegaram de fora, dispostos a enfrentar um país com seus 60 mil homicídios, contas e serviços públicos arrasados, burocracia demoníaca etc. Com recorde de corrupção e irresponsabilidade para extirpar, o Brasil investiu aceleradamente os lucros das últimas matérias-primas em Copas, Olimpíadas, transposições, pré-sal, que pouco, ou nada, deixarão de sustentável. Mas construiu fábricas, ferrovias, metrôs, hidrelétricas e portos em países que nunca honrarão os empréstimos do BNDES. Assim não dá.

O processo de desvalorização da “matéria” já era profetizado nos Vedas orientais, como no Apocalipse de são João, e vislumbrado na Grande Síntese de Pietro Ubaldi. Está se realizando, acelerado pela explosão da inteligência artificial.

Essa mesma inteligência mudará os costumes e o próprio homem. Ela o ajudará (apenas para uma parte) a dominar a “Energia Pura” (do filme homônimo)? Sobrarão Ló e sua família, enquanto sua mulher se transformará em sal por ter-se atrasado saindo de Sodoma.

Certamente, a história está se precipitando, e o mal, apenas aparente, poderá ser o bem de nosso futuro.