Marcadores

Mostrando postagens com marcador HÍBRIDA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HÍBRIDA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Amazônia na guerra criptografada: bomba semiótica do "Sim!" e a vidraça quebrada, por Wilson Roberto Vieira Ferreira

 quarta-feira, agosto 28, 2019  Wilson Roberto Vieira Ferreira



Enquanto a esquerda “campeã moral” vive mapeando arrependidos que deixaram de apoiar Bolsonaro, a “esquerda namastê” (com luxuoso apoio do programa “Papo de Segunda” do canal GNT da Globo) comemora a “diluição da polarização” ao ver a atriz Maitê Proença nos protestos contra a queima da Amazônia, ao lado de Caetano Veloso e Sônia Braga. Desarmada intelectualmente, a esquerda não consegue decodificar a criptografia da atual guerra simbólica, dentro do redesenho da geopolítica do aquecimento global na qual a Amazônia torna-se o principal alvo dos países ricos. Com a questão ambiental tornando-se foco da grande mídia, as manifestações começam a dançar a música tocada pela Guerra Híbrida: a “bomba semiótica do Sim!” e a tática da “vidraça quebrada” – como criar consenso imediato numa estratégia de terra arrasada intencionalmente criada pelo Governo para a opinião pública aceitar no futuro a intervenção externa. Se quer vender a bomba, em primeiro lugar deve vender o medo. 

Causou repercussão nas redes sociais e blogs progressistas fotos e vídeos da atriz Maitê Proença em manifestações no Rio de Janeiro contra Bolsonaro e a destruição da Amazônia, ao lado de figuras como Caetano Veloso, Sônia Braga e Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente do governo Lula.
Maitê foi aquela atriz da Globo que invocou os “machos selvagens” para apear do poder a então presidenta Dilma Rousseff, além de franquear apoio à candidatura Jair Bolsonaro (“ele é autêntico”, dizia), além de ter sido cotada a ministra do Meio Ambiente pelo próprio capitão da reserva. Por isso, causou frisson ao aparecer em protestos ao lado de comunistas e progressistas.
Para aquela esquerda que se considera campeã moral, ela é mais uma arrependida tardia. Para a chamada “esquerda namastê” (cujo termômetro é o programa da GNT “Papo de Segunda” que estimula esse tipo de esquerdismo que a Globo adora), uma evidência positiva de que a polarização política do País estaria “diluindo”, como comemoraram nessa segunda o ator João Vicente e o filósofo Chico Bosco.
Mas o discurso da atriz no Instagram para justificar sua presença na manifestação foi emblemático: 
A marcha pela Amazonia foi linda! Foi de união. Foi solar e amorosa. O mundo repercutiu as imagens. Não havia a chatice binaria. O foco era a #Amazonia e era o planeta. Manifestantes gritaram suas palavras de ordem, como sempre acontece em qq ato popular. Pq o pensamento é livre, independente, e não tem so dois lados. As grandes causas precisam da voz de todos q se importam”. 
Como esse humilde blogueiro vem insistindo, Bolsonaro é previsível e está seguindo à risca aquilo que prometeu: “antes de construir é preciso destruir muita coisa”, vaticinou. O que é assustador é o misto de ingenuidade e teimosia da esquerda, intelectualmente desarmada para decodificar a guerra semiótica criptografada dentro da qual se encontra hipnotizada. 
Ainda está à espera de um Alan Turing capaz de quebrar o “Código Enigma” de uma guerra simbólica que embaralha eventos e informações num caos de dissonâncias que ocupa diariamente a pauta da grande mídia.


A viragem da grande mídia

Mas antes de voltarmos ao sintomático discurso da atriz global, vamos a algumas outras evidências.
Nesses oito meses de destruição sistemática guiada pela agenda econômica neoliberal, manifestações de rua contra a Reforma da Previdência ou em protesto contra os cortes na Educação resultaram apenas em “marolas” que apenas atiçaram as milícias digitais e a guerra culturalista da direita. 
Enquanto a oposição parlamentar sequer convoca o povo para ir às ruas.
Manifestações de rua pela “Educação” e contra “Reformas” são tidas como “partidarizadas” para a opinião pública. Porque organizado por organizações sindicais e estudantis.
 Porém, a guinada começou no dia 19/08 quando a tarde virou noite do Estado de São Paulo. Resultado do “rio voador” de fumaça soprada das queimadas amazônicas. De início, e como sempre, a grande mídia iniciou a blindagem dos acontecimentos relatando tudo como um fenômeno natural, dentro dos blocos de meteorologia e previsão do tempo dos telejornais. 
Até o instante em que o presidente da França Emmanuel Macron convocou os países do G7 para discutir a “emergência na floresta amazônica”.
Repentinamente, a grande mídia deu uma virada e transformou o tema na pauta principal das manchetes e escaladas televisivas. E passou a dar destaque às bravatas e retrocessos do discurso presidencial.

Tarde paulistana virou noite: para mídia, queimadas amazônicas eram um fenômeno meteorológico...

O curioso é que, apesar dos escândalos no Governo Bolsonaro crescerem em escala exponencial (denúncias de milhões de reais movimentados por laranjas do PSL, conexões dos filhos do presidente com milicianos suspeitos de matar Marielle Franco, nepotismo, enterro da Lei de Acesso da Informação, ataques a jornalistas, cala-boca no Coaf  etc.), parece que somente a questão da crise do meio ambiente (crise anunciada desde a campanha eleitoral e a nomeação do advogado Ricardo Salles para a pasta de Meio Ambiente) poderá ser capaz de se transformar em fator mobilizador de manifestações e protestos mais intensos.
E, somente, a partir do momento em que a grande mídia transforma a questão em uma agenda, a agenda ambiental.

A bomba semiótica do “Sim!”

E aí voltamos ao discurso da atriz Maitê Proença. Um discurso repleto de positividade com expressões como “solar” e “amorosa” oposta à “chatice binária” ou a questão ambiental que “não tem só dois lados”.


Estamos diante daquilo que em postagem anterior chamávamos de “bomba semiótica do Sim!” - estratégia linguística surge da tática da busca dos “temas globais de consenso”: temas de fácil adesão, porque ninguém pode dizer “não!”. Porém, são temas colocados de forma fragmentada, descontextualizada e, principalmente, despolitizada – clique aqui.
Falar sobre preservação do meio ambiente cria consenso instantaneamente na opinião pública. Quem pode ser contra a uma agenda tão “do bem”? Claro, Jair Bolsonaro!
E por que? O mandatário tem vários motivos, sejam ideológicos, midiáticos ou táticos dentro da sua estratégia de guerra criptografada.
Primeiro, porque arregimenta suas milícias físicas e digitais, sem falar nos 30% do eleitorado de extrema-direita que o apoiam incondicionalmente. Minoritários, mas capazes de fazerem muito barulho e atos violentos. 
Ser contra a agenda ambiental é lutar contra o politicamente correto e os globalistas, todos produtos conspiratórios da esquerda. Combater o “mi-mi-mi” ambiental é defender a pátria dos comunistas internacionais que pretendem colocar as mãos em nossas riquezas. Isso é o seu discurso para elevar o moral da sua tropa.
Segundo,  ocupar diariamente a pauta midiáticas com informações desconexas, contraditórias, com muitas idas e vindas: afirmar que as queimadas são naturais e que as fotos de satélites da NASA são manipuladas; depois admitir a catástrofe, mas que não aceita ajuda externa; depois admitir a ajuda financeira do G7, desde que Macron peça desculpas por ele ter supostamente ofendido sua esposa... depois, denunciar uma conspiração das ONGs  por deliberadamente tocarem fogo na floresta: “no dia em que eu demarcar as terras indígenas os incêndios acabam!”, acusa Bolsonaro.


A “vidraça quebrada”

Essas constantes mudanças têm um evidente tom criptografado que nos conduz ao terceiro motivo, tático: criar o efeito da “vidraça quebrada” – jogar a pedra na vidraça, sair correndo, bater na porta da casa atingida para vender um alarme anti-roubo. 
Em outras palavras: criar o fato consumado (a incapacidade de o País lidar com a questão amazônica) para, definitivamente, criar condições para a intervenção externa. Com o apoio da opinião pública, sob o efeito da explosão semiótica da bomba do “Sim!”.
Convém lembrar que há muito Bolsonaro vem defendendo a entrega da Amazônia para exploração a um país mais “competente”: os EUA – “hoje em dia a Amazônia não é mais nossa... pelas suas riquezas, biodiversidade... por isso devemos nos aproximar de países democráticos com poderio nuclear como os EUA... para explorar com parceria...”, afirmou em 2016 – clique aqui.
Também convém, mais uma vez, citar Paulo Nogueira Batista, economista ex vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS:
O de abrir o flanco, no médio prazo, para uma intervenção estrangeira no Brasil. Isso pode soar alarmista (...) não podemos, de forma alguma, perder de vista a importância que se atribui no exterior à questão ambiental e, em especial, à Amazônia. E nessa atenção que a Amazônia recebe há uma mistura perigosa de preocupações legítimas, relativas a repercussões climáticas globais, com a tradicional cobiça das grandes potências pela vasta reserva de recursos naturais valiosos e crescentemente escassos que temos na região Norte do País. (“Brasil em Perigo”, Jornal GGN, 12/08/2019 – clique aqui).
No redesenho da geopolítica atual pela questão do aquecimento global, desde a guerra híbrida que atingiu o Brasil para a derrubada dos governos trabalhistas, o País vem sendo alvo preferencial dos interesses dos países ricos.
Principalmente quando sabemos que uma das decisões da recente reunião do G7 foi preparar uma Conferência Internacional sobre a Amazônia, a se realizar no outono do Hemisfério Norte.
Sob o discurso da soberania e da Pátria acima de tudo, o governo Bolsonaro é essencialmente entreguista. Como um militar que vive danaguerra, ele só pode existir e respirar numa atmosfera de permanente beligerância e mobilização. Por isso, ele e a elite que o apoia pela agenda neoliberal, nutre um profundo ódio pelo País. Que considera cronicamente inviável por razões históricas, étnicas, raciais e genéticas.


Por isso Bolsonaro somente governa para sua própria família, milícias e incita a radicalização para ter apoio das hostes do extremismo de direita. Ele adota a estratégia sobrevivencialista de terra arrasada: somente quer saber dos seus, porque o resto já está perdido.
Essa guerra criptografada não é um know how bolsomínio. Seria exigir demais da mentalidade da caserna nacional. É o modus operandi alt-right, diretamente vindo dos EUA. 
Enquanto a esquerda namastê e aquela que se acha campeã moral não perceberem que estão dançando a música tocada pelo clã Bolsonaro (a bomba semiótica do “Sim!” e a tática da “vidraça quebrada”), mais uma vez o tic-tac do mecanismo posto em ação desde as “Jornadas de Junho” de 2013 continuará preciso, sem falhas.
A esquerda deve, isso sim, aproveitar a oportunidade de um tema tão consensual como o meio ambiente ter sido colocado na pauta da grande mídia e politizar os discursos das manifestações para serem menos “solares” e “amorosos”.
A esquerda campeã moral até vislumbra a possibilidade de um impeachment de Bolsonaro pela absoluta improbidade administrativa do Governo lidar com a questão amazônica. Esse é o permanente wishful thinking paralisante da esquerda.
Talvez deveria prestar mais atenção ao que tem a dizer o grupo anônimo de ativistas franceses, o chamado “Comitê Invisível”: “Não se trata de derrubar um governo, mas de tornar um país ingovernável” – leia Motim e Destituição Agora – Comitê Invisível, N1 Edições – clique aqui
E deixar de sempre apenas falhar melhor.

Guerra criptografada: capas da Piauí, temores da Globo e Míriam Leitão e trolagem do livro em branco, por Wilson Roberto Vieira Ferreira




Editorial de “O Globo” acusa que Bolsonaro é um “risco para o País”. Ao mesmo tempo, para a jornalista Miriam Leitão, Bolsonaro é um “empecilho para a retomada econômica”. A capa da revista Piauí satiriza os dons de chapeiro de Eduardo Bolsonaro que o “credenciam” a ser embaixador nos EUA. Enquanto isso, as esquerdas se assanham, achando que a “ficha tá caindo” na grande mídia que, desesperada, tentaria se descolar de uma figura tóxica. Simultaneamente é lançado o filme “Eu Sou Brasileiro”, drama de “superação” e autoajuda com muitos atores globais, protótipo do tipo de filme que Bolsonaro quer ver a Ancine fomentar... São instantâneos da atual guerra semiótica criptografada que, como de costume, as esquerdas não conseguem fazer uma leitura, a não ser aquela que a grande mídia e Bolsonaro querem que elas façam. Mas há sinais de inteligência semiótica que as esquerdas deveriam prestar atenção: a trolagem do livro “Por Que Bolsonaro Merece Respeito, Confiança e Dignidade?”, com 198 páginas em branco.

Em editorial do jornal O Globo publicado nessa quarta-feira intitulado “Descontrole de Bolsonaro afeta relações externas” (14/08/2019), o diário carioca enquadra o presidente como uma variável indesejável e perigosa para a Nação. 
O texto qualifica as novas quebras de decoro do presidente como um fator de risco para o País. Fala sobre “Má educação”, “fixação escatológica”, “má educação e inconveniência” de alguém que “não se adequa à liturgia e representatividade do cargo que passou a ocupar.
E fecha texto alertando: “o presidente se torna um risco para o País”. 
A jornalista Miriam Leitão (cuja única crítica que conseguia formular ao candidato Bolsonaro era de que “nada se sabe sobre seus projetos de economia”) agora é mais enfática: para ela, o capitão da reserva virou “empecilho para a retomada da economia brasileira”. Por que? Porque estabelece prioridades como cortar o cabelo e furar reuniões com chanceler francês, atacar a Alemanha e insultar argentinos.
“É com erros assim que Bolsonaro vai erodindo a confiança na economia”, dispara a veterana jornalista que acreditava que bastaria a presidenta Dilma fosse tirada do Poder pelas pedaladas fiscais para o “mercado” renascer das cinzas, tal como uma Fênix.
Bolsonaro pode ser criticado por qualquer coisa, menos pelo seu “sincericídio”: em toda sua vida política e, principalmente na campanha eleitoral, jamais escondeu o que pensa. Suas atitudes toscas e intempestivas sempre foram propositalmente disparadas para câmeras e microfones. Afinal, ele se tornou um meme vivo que, como tal, não se rege pelo princípio de sedução como na velha propaganda política.
                  Memes não seduzem. Memes “mitam”, “lacram”.


Memes não seduzem, lacram...

 Enquanto era conveniente para afastar Lula e o PT (afinal, sobrou apenas ele mesmo para desempenhar esse papel), editorialistas e colunistas da grande mídia silenciaram. 
Ou fizeram até mais, para protege-lo de si mesmo: ao perceberem que a última esperança branca era uma figura irremediavelmente tosca e autoritária, resolveu poupá-lo ao máximo, com a estratégia do discurso indireto - locutores, apresentadores, repórteres e colunistas passaram a falar por ele para esconder do resto do público o discurso bárbaro. Afinal, como uma espécie de meme ambulante, as lacrações de Bolsonaro eram apenas para consumo interno dos convertidos à camisa amarela que urravam por “golpe militar constitucional” nas domingueiras.
Tudo isso demonstra que vivemos um acirramento da guerra criptografada, que cada vez mais confunde o público. E principalmente as esquerdas.
O objetivo dessa estratégia semiótica é criar a aparência de que a grande mídia está jogando Bolsonaro ao mar, de que esgotou a paciência com suas escatologias (afinal, falar de “cocô dia sim, dia não” saído da boca presidencial não pega bem para as crianças na sala diante da TV) e de que, com apenas oito meses, esse governo parece com os dias contados. 
E as esquerdas continuam andando a reboque da pauta da grande mídia. E, por isso, se assanham: comemoram que a mídia “está abandonando a criatura” ou exultam de que “tá caindo a ficha”, com aquele tom de campeão moral: “eu bem que falei!...”.

As capas da Piauí

                  Agora observe abaixo algumas capas da revista Piauí cujo tema recorrente é Bolsonaro e seu clã:



São capas das últimas edições: números 151, 152 e a última desse mês de agosto, 155. 
Repare, atento leitor, o apuro artístico das capas da revista Piauí. São marcadas por intertextualidades como alusões, paródias, pastiches ou paráfrases.  Todos esses recursos linguísticos são agora colocados a serviço da guerra semiótica diversionista: essencialmente, desviar a atenção do distinto público.
O filho Eduardo Bolsonaro, aspirante a embaixador cujas credencial ventilada é ter sido chapeiro nos EUA, figurado numa paráfrase do quadro “O Embaixadores” (1533) de Hans Holbein; ou Bolsonaro caracterizado com um tiozão depravado nu, dentro de um overcoat, são exemplos dessa caprichada sátira. À primeira vista, parece que a Piauí é crítica, transgressiva – uma revista corajosa e independente que não poupa o próprio presidente. 
Junto com o restante da grande mídia, a revista parece também querer se descolar da figura tóxica de Bolsonaro. Mas dentro da perspectiva da guerra criptografada é simples cortina de fumaça. Por que será que todo esse esmero e criatividade artística intertextual da Piauí não relaciona o clã Bolsonaro com sua agenda neoliberal posta em prática a toque de caixa? 
Por que, ao invés de overcoats e chapas com hambúrgueres, não vemos referência a entrega dos campos de petróleo da Petrobras, a destruição do ensino público superior, a ausência de qualquer política econômica que gere empregos e inclusão, a destruição das garantias sociais e direitos trabalhistas, a venda da Eletrobrás e a entrega da Base de Alcântara aos EUA?
Ora, essa é a agenda da elite rentista brasileira. E Piauí foi criada pelo filho do banqueiro Walther Moreira Salles.
Não! Se o País está tecnicamente num quadro de recessão econômica, não se deve à política neoliberal de rifar o Estado para empurrá-lo do mínimo para o “líquido” – sobre esse conceito, clique aqui
                  Para as Capas da Piauí e editoriais da grande mídia, tudo se deve à “falta de decoro”, “má educação” e “fixação escatológica” que não infunde “confiança ao mercado” de um presidente egresso do baixo clero parlamentar.


Agenda neoliberal nunca foi boa de votos no Brasil

A “Síndrome de Vida de Inseto” das esquerdas

A elite sabe que a agenda neoliberal nunca foi boa de voto ou conduziu um candidato à vitória eleitoral no Brasil. Por isso, desde o golpe de 2016, Temer ou Bolsonaro serviram como pivôs de uma guerra semiótica criptografada para ocuparem o papel de “bois de piranha”, enquanto o saco de maldades das “reformas” é enfiado goela abaixo. E o anestésico é o gás do riso: as mesóclises mal colocadas nos discursos parnasianos do Temer; ou as escatologias e tosquices “lacradoras” de Bolsonaro.
As esquerdas, na sua “Síndrome de Vida de Inseto” (as esquerdas têm almas tão carentes e sedentas por atenção, assim como os artistas da trupe de circo explorada pela pulga-empresário P.T. Flea, na animação Pixar Vida de Inseto), sentem-se tão perdidas e sem agenda própria que se entusiasmam com um suposto arrependimento da grande mídia diante da própria criatura que pariu.
                  Carentes e sedentas por atenção, as esquerdas caem nas ilusões da vertigem criptografada das informações dissonantes, contraditórias em um conjunto midiático caótica – ora a grande mídia morde, ora assopra...



O “drama do Bem” Eu Sou Brasileiro

Se Bolsonaro acusa a Ancine (Agência Nacional de Cinema) de fomentar com dinheiro público agendas da “ditadura gay” e “comunista” e já projeta a censura na produção audiovisual brasileira, nessa semana foi lançado o filme que certamente é o protótipo daquilo que o presidente vislumbra como o futuro do cinema: o drama “do bem” Eu Sou Brasileiro.
Dirigido e escrito por Alessandro Barros, é um filme de autoajuda alinhado ao frame de nove de cada dez telejornais, quando se refere aos perrengues dos brasileiros nessa recessão econômica – logicamente, produzida unicamente pela figura “inconveniente” de Bolsonaro.
Um relato de “superação” (bem ao gosto das reportagens quando tratam de personagens das periferias das grandes cidades), depois que um acidente sabota os sonhos do protagonista se tornar um jogador de futebol profissional. Com um elenco de atores da Globo, segue o espírito de produtos globais como a telenovela A Rainha do Pedaço – o culto ao empreendedorismo e resiliência do brasileiro “que nunca desiste”.
“Na intenção de dar a volta por cima, Léo vai para o tudo ou nada!”, exorta a sinopse do filme.
Síndrome de vira-lata (jogador da quarta divisão já sabe que só se dará bem na Europa), psicologia de botequim (a ex-paquita Letícia Spiller fazendo uma psicóloga, de óculos para inspirar alguma credibilidade, destilando clichês de autoajuda) e a participação do ex-jogador Cafu tentando elevar o moral com a fala-clichê “brasileiro nunca desiste”, compõem o quadro de um filme não explicitamente político-ideológico como a série O Mecanismo ou o filme Polícia Federal – A Lei é para Todos.
Mas uma produção destacada para reforçar o imaginário nacional de conformismo e alienação, principalmente nesse momento agudo de guerra criptografada. 
                  Um mix de niilismo (o país é cronicamente inviável) com otimismo (mas o brasileiro nunca desiste) – uma síntese do espírito do tempo no qual o cinema brasileiro será obrigado a se alinhar: manter a patuleia alegre enquanto caminha para o abismo. 



A trolagem do livro com páginas em branco

Ocasionalmente surgem aqui e ali vislumbres de inteligência semiótica, na tentativa de fazer a oposição se descolar da agenda da grande mídia. Principalmente, por meio de “media prank” (pegadinhas) e “cultural jamming” (trolagens).
Desde que o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (cansado das críticas diárias do historiador Marco Antônio Villa na rádio Jovem Pan sobre sua agenda) fez uma pegadinha trocando sua agenda pela do governador Alckmin na Internet (com resultado desmoralizador para Villa, clique aqui), este Cinegnose vem alertando para a necessidade de uma estratégia de comunicação pró-ativa das esquerdas – inspirar-se nas estratégias semióticas irônicas que já possuem décadas de ativismo – clique aqui.
A ocupação do infame tríplex do Guarujá pelo MTST e a Frente Povo Sem Medo em 2018, criando uma saia justa para a grande mídia (clique aqui); ou a estratégia de cultural jammingdo autoproclamado presidente do Brasil, o ator José de Abreu (clique aqui), são exemplos isolados de uma estratégia de guerra semiótica irônica que poderia ser potencializada contra a atual guerra criptografada.
Nessa semana foi divulgada mais uma tática isolada bem-sucedida de trolagem: um livro disponibilizado na Amazon que provocou a ira de leitores – sucesso de venda entre bolsomínios. O livro “Por Que Bolsonaro Merece Respeito, Confiança e Dignidade?”, cuja sinopse diz: “a pergunta que não quer calar o Brasil. Em meio ao turbulento momento em que vive o País...”. Gerou protestos e reclamações na página da Amazon.
  Isso porque o livro contém 198 páginas em branco e apenas duas com texto. É a própria essência da tática do cultural Jamming: embaralhar o fluxo de informação que eleva o moral das milícias digitais de Bolsonaro.
Com a repercussão nas redes sociais, o autor Willyam Thums (nome ou codinome?) mudou a sinopse e destacou “livro-sátira” como alerta aos incautos “leitores”.
  Loucos pelo seu “mito”, os bolsomínios não se contiveram e deram chiliques na Amazon e nas redes sociais. 
Tudo pode parecer politicamente conspícuo: simples entretenimento. Mas com certeza a formação de um GIS (Grupo de Inteligência Semiótica) como assessoria para variar e multiplicar ações de pegadinhas e trolagens, certamente causaria instabilidade no atual contínuo midiático. A esquerda jogaria no próprio campo simbólico do oponente: a guerra criptografada de embaralhamento das informações. 
Se é que a esquerda parlamentar tem vontade política para tanto. Parecem preferir viver a reboque da agenda midiática do seu suposto rival. 

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Perdida na guerra semiótica, esquerda agora ataca Tabata Amaral, por Wilson Roberto Vieira Ferreira

Perdida na guerra semiótica, esquerda agora ataca Tabata Amaral
 sexta-feira, julho 12, 2019  Wilson Roberto Vieira Ferreira


“Freak out!”... Chiliques! Decepção! É assim que parte da esquerda está reagindo ao alinhamento da deputada Tabata Amaral à aprovação do texto-base da Reforma da Previdência na Plenária da Câmara. Muita gente se sentiu “traído”, “decepcionado”. Desesperada, desarticulada e sem conseguir entender até agora a atual guerra semiótica criptografada do clã Bolsonaro, a esquerda viu na jovem deputada uma corajosa heroína progressista que humilhou um e enquadrou outro ministro da Educação de um governo truculento. E até acreditou que a reforma não passaria, diante de uma suposta “crise de articulação” do Governo. Bombardeada por informações taticamente dissonantes e contraditórias, está hipnotizada, assim como a serpente de um encantador hindu. Agora descarregam o ressentimento na jovem deputada que sempre foi coerente e alinhada ao saco de maldades neoliberal. Ela é um Juan Guaidó de saias na atual guerra híbrida... Ou acham que Paulo Lemann estaria investindo em fundações que supostamente formariam novas lideranças progressistas?

“O projeto é impopular e não passa no Congresso... vai dividir a base aliada... como explicar isso [uma Reforma impopular] para a população? (líder do PT no Senado, Humberto Costa)
“Pode voltar pra casa, Guedes. A reforma da previdência não vai passar” (líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta).
“Reforma deve passar, mas meio desidratada” (Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central).
“Crise de articulação política” de Bolsonaro com o Congresso, cravava até a imprensa corporativa. 
Paulo Guedes veio a público, “rechaçando crise com Bolsonaro” e negando hipótese de ser “afastado”. 
E por fim, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, supostamente às turras com o presidente, no calor da também suposta “deterioração” do Congresso com o capitão da reserva, acusou que o Governo “é uma usina de crises”. Afirmação repercutida tanto pela grande imprensa e blogosfera progressista, cravando enfaticamente que “nos últimos dias a relação entre Bolsonaro e Maia se deterioraram”. 
Acreditava que o Governo ruiria por si mesmo.
A esquerda parece acreditar em qualquer coisa - historicamente, desde que um militante comunista foi calado por um propagandista nazista em 1933 em um debate no Palácio dos Esporte em Berlim; e, nacionalmente, desde que a esquerda institucionalizada e no Poder acreditou que jogando alpiste para a Classe C, a faria se tornar eternamente grata, até vê-la engrossando as hostes de classe média com camisas amarelas nas ruas, levando Bolsonaro ao Governo.
Os números acachapantes da vitória na votação do texto-base da Reforma da Previdência no Plenário da Câmara dos Deputados (379 votos a 131) na última quarta-feira, em primeiro lugar mostra que até aqui, desde as grandes manifestações de 2013, o “tic-tac” da cadência da guerra híbrida e seu resultado (o impeachment de 2016, reformas do saco de maldades neoliberal etc.) continua preciso. Como um relógio suíço.



Sem resistência
Por que? Porque o verdadeiro “Mecanismo” não enfrentou, até aqui, qualquer resistência. Não só por causa do whishful thinking de uma oposição parlamentar que, por ser uma esquerda institucionalizada, precisa ser profissionalmente otimista. Assim como o PT jurídico, às voltas com o incorrigível kantianismo – como se algum a priori ético ou jurídico universal fosse libertar Lula.
Mas principalmente, porque as esquerdas estão mesmerizadas, assim como a serpente hipnotizada pela forma e movimento do som da flauta de um artista de rua hindu. É o som executado pela guerra semiótica criptografada do clã Bolsonaro – simplesmente as esquerdas estão perdidas no jogo de dissonâncias, contradições, especulações, ditos e contraditos, desmentidos e retrocessos. 
Um jogo de guerra semiótica (emulando a mesma estratégia de Trump nos EUA) de tomar para si a pauta midiática e ditar o ritmo do “debate” – aqui, como lá, os presidentes sempre estão sob especulações de impeachment, diante das suas improbidades administrativas. 
Como observa criticamente o linguista Noam Chomsky, vejam as primeiras páginas dos jornais dos EUA, supostamente opositores: É só Trump! Trump! Trump! 
E aqui no Brasil, é só Bolsonaro!... ou as “caneladas” de algum filho, ministro desvairado ou napoleão de hospício apoiador – sobre isso, clique aqui.



Pobre Tabata Amaral...
No meio de mais uma derrota humilhante (até o último momento, a oposição acreditava em “divisões” na base por suposto atraso dos lotes extras de dinheiro para emendas aos congressistas que apoiassem a Reforma), as esquerdas escolheram um bode expiatório para descarregar o ressentimento: a “pobre” deputada Tabata Amaral.
O que apenas confirma a intensidade do transe hipnótico das esquerdas sob a flauta do clã Bolsonaro – depois da deputada humilhar o então ministro de educação Velez e enquadrar o atual, Abraham Weintraub, na Comissão de Educação da Câmara, virou uma espécie de musa para os progressistas: a garota que enfrentou a truculência machista própria do atual Governo.
Mas... Oh! Decepção... fechou a favor da Reforma da Previdência. E ainda, Tabata comemorou uma suposta “vitória da bancada feminina” nas redes sociais. 
Seja por desespero, carência ou ansiedade por querer achar algum personagem que lave a alma de uma esquerda que só apanha, a jovem deputada virou alguma espécie de heroína progressista ... mas afinal, qual a surpresa! Por que tanto “freak out”, críticas e chiliques? 
Afinal, suas ideias ditas progressistas para a educação (“boas práticas educacionais” e “qualidade” a partir de “soluções” vindas de diferentes cidades pelo país afora) aparecem em um tipo de discurso dotado com a inflexão dos gestores do setor, como se as políticas públicas fossem suprapartidárias, sem a “sujeira” da “política”, uma  “voz jovem” sem os “velhos vícios”, e assim por diante... Algo assim como o espírito do “Gente Que Faz” da Globo...



Juan Guaidó de saias
Ela é jovem, bonita, bem articulada, e com um currículo invejável traçado por uma inteligência privilegiada e bem-sucedida. Esse humilde blogueiro sabe que esta analogia pode parecer estranha ou bizarra... Mas Tabata Amaral não passa de uma Juan Guaidó de saias. 
Calma! Vamos tentar explicar.
Ambos são “invenções” dentro da estratégia da guerra híbrida no xadrez geopolítico norte-americano de criar “jovens lideranças” na América Latina, em particular nos países onde seriam semeadas as “primaveras”.
Tanto Guaidó como Tábata vieram de famílias pobres, e exalam o appeal do “self made man (ou woman)”. Guaidó foi um dos cinco líderes estudantis venezuelanos selecionados em 2005 para um curso em Belgrado, Sérvia. Financiado pelo Centro de Ação e Estratégias Não-Violentas Aplicadas (Canvas) – tendo por trás CIA, Instituto Republicano Internacional e o Instituto Nacional Democrata para Assuntos internacionais. Um dos cursos para criar jovens líderes mundiais dentro das teorias do cientista político Gene Sharp sobre mudanças de regimes políticos a partir da luta não-violenta - mais detalhes, clique aqui.
Enquanto isso, Tábata formou-se em Ciência Política e Astrofísica na Universidade de Havard (EUA) como bolsista do Estudar – fundação criada por Paulo Lemann para formar novas lideranças no País. Suíço-brasileiro, Lemann é um dos 50 homens mais ricos do planeta. A princípio avesso à política, coincidentemente em meio ao ápice da ascensão de governos de esquerda no continente, Lemann, por assim dizer, “despertou” para a necessidade de formar jovens líderes para “transformar o modelo de atuação dos parlamentares e chefes do Executivo”.
O modus operandié muito similar. Porém, com uma diferença de propósito final: Washington espera que Guaidó leve a Venezuela não para a Democracia, mas para o colapso imediato para por as mãos nas maiores jazidas de petróleo do mundo.
Enquanto com Tábata Amaral, os objetivos estão mais à frente: cumprido o papel do atual governo de extrema direita (enfiar a fórceps as medidas neoliberais exigidas pela banca financeira – com as quais Tábata está alinhada, como vimos – inevitável, tendo uma Fundação de Lemann e Havard como background) evitar no futuro a volta de governos trabalhistas, progressistas ou de esquerda. Como? Formando jovens lideranças com cabeça feita em universidades norte-americanas para que “transformem a atuação de parlamentares e executivos”.
Para depois serem colocados em postos-chave: ou como candidatos competitivos em futuras eleições ou, simplesmente, para semear futuras “primaveras”.
Isso, caso a elite se canse, mais uma vez, da Democracia e Estado de Direito em um país igualmente rico em jazidas de petróleo.



Esquerda prisioneira das redes sociais
Portanto, por que a surpresa? Por que tanta decepção com uma figura que costumeiramente posa em fotos ao lado de FHC, governador João Doria Jr. e outros luminares da “velha política” que tanto julga ser a alternativa?
O preocupante de tudo isso é que as esquerdas parecem prisioneiras da sintaxe das redes sociais na qual a extrema direita capturou o debate (?) político. Assim como Bolsonaro e seu clã “lacram” ou “mitam” nas redes sociais, as esquerdas buscam desesperadamente vídeos de personagens que igualmente “lacrem”. Novos “mitos”.
Na guerra semiótica é até uma estratégia interessante, já que é necessário combater o oponente no seu próprio campo simbólico. O problema é que as esquerdas estão caindo na armadilha do encantador de serpentes:
(a) Não entenderam até agora a lógica da guerra criptografada – os constantes mentidos e desmentidos, “caneladas” e voltas para trás criam o agendamento midiático no qual a oposição ou é reativa, ou é enganada pelo clima de suposta crise que parece enfraquecer o Governo. O que alimenta seu incorrigível wishiful thinking. Ou “otimismo profissional parlamentar” que tenta justificar o seu próprio papel de “oposição”.
(b) Mais assustador: no afã de postar nas redes sociais vídeos de personagens que “lacram” em cima da direita, as esquerdas estão se tornando mitômanas – está reagindo mais pelo fígado do que pela mente. Isto é, não se informam sobre aqueles que desejam apoiar ou querem repercutir. 
Afinal, será que Paulo Lemann investiria tanta grana para formar jovens líderes progressistas?

terça-feira, 14 de maio de 2019

Tino conspiratório da guerra semiótica de Bolsonaro é lição para a esquerda, por Wilson Roberto Vieira Ferreira




A esquerda sempre foi kantiana. Enquanto historicamente a extrema-direita teve um, por assim dizer, "tino conspiratório". Se a esquerda sempre foi regida por um kantiano imperativo categórico da racionalidade universal da Razão, do Direito e da Ética, ao contrário, a extrema-direita é movida pela urgência de enfrentar conspirações, desde a propagandística queima pública dos livros pelos nazistas em 1933. É o élan que sempre faltou para a esquerda. Mais preocupada em ser levada a sério pela elite pensante e ser aceita na Casa Grande, a esquerda sempre rechaçou as teorias conspiratórias como paranoia irracional. Bem diferente (como demonstra o início do governo Bolsonaro), a extrema-direita pula imediatamente na jugular da Educação, Ciência e Conhecimento para enfrentar as conspirações dos “marxistas culturais”, “globalistas” e até de “banqueiros comunistas” (?!?!). É a guerra semiótica criptografada incompreensível para a esquerda, que tenta liquidar rapidamente o problema estereotipando o clã Bolsonaro como “napoleões de hospício”.

Faltavam poucos minutos para acabar a aula de Teorias da Comunicação na Universidade. Surge na porta um grupo de alunos pedindo minha permissão para dar um recado importante para aquela turma. Um estudante de Psicologia, uma de Naturologia e outro de Engenharia. Vinham passar uma lista de assinatura para os interessados em participar do Congresso Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE) previsto para julho em Brasília, prometendo reunir 15 mil jovens de todo o País.
Permissão dada, os estudantes fizeram um sério discurso não só sobre a ameaça dos cortes dramáticos das verbas nas Universidades Públicas como também a ofensiva organizada do governo Bolsonaro contra a própria ciência e conhecimento no Brasil – afrontamento ao ensino laico, intimidação de professores em sala de aula através de vídeos postados em redes sociais, a Bíblia como referência ao ensino de História, Geografia etc.
O que naquele momento só me colocava no papel de um perigoso corruptor de jovens: terminava uma aula coincidentemente sobre Escola de Frankfurt, um histórico e perigoso núcleo de “marxistas culturais” em seu plano conspiratório de dominação do mundo. Dizem até que o frankfurtiano Theodor Adorno teria composto as letras das maiorias das músicas dos Beatles, num plano maligno de destruição dos valores ocidentais... – clique aqui para ler esse bestiário.
Temos que admitir: a extrema-direita, que chegou ao poder através de inédita e sofisticada guerra semiótica pelas vias da democracia formal, tem um forte, por assim dizer, tino conspiratório. E que isso se tornou numa vantagem em relação à esquerda dentro da guerra semiótica.
Há no discurso desse atual governo um tom de urgência como se a sua existência estivesse diariamente ameaçada por um entorno de conspirações perpetradas por globalistas, marxistas culturais, comunistas e LGBTs encastelados nos meios de comunicação e até no sistema financeiro – “banqueiros brasileiros comunistas”, como denunciou o ministro da educação Abraham Weintraub... seja lá o que possa dizer esse verdadeiro oximoro.

Weintraub: banqueiros brasileiros comunistas

O que sempre faltou para a esquerda?

Pois é isso que parece sempre ter faltado para as esquerdas, pelo menos até agora. Nos 13 anos que o PT esteve no Poder Executivo em Brasília, jamais passou pela cabeça dos serviços de Inteligência e Estratégia de Lula ou Dilma a possibilidade de qualquer tipo de articulação externa contra seu governo. Ou, pelo menos, a necessidade de teorizar a respeito. 
Um país da extensão territorial do Brasil, com o tamanho da sua população, os crescentes índices de desenvolvimento e ainda participando do BRICS (em 2015 a presidenta Dilma assinou, junto com líderes da Rússia, China, Índia, China e África do Sul, o memorando de criação de um Banco de Desenvolvimento do bloco) certamente despertaria a paranoia geopolítica dos EUA. 
Não obstante o tour das “revoluções coloridas” que seguiam o rastro das jogadas do jogo de xadrez geopolítico norte-americano (desde a Georgia em 2003), com a criação de revoluções populares híbridas a partir de “false flags” e “inside jobs” e muitos “não-acontecimentos”, o PT manteve-se aferrado a uma racionalidade republicana e o dever-ser de um imperativo categórico kantiano – uma racionalidade universal da Razão, do Direito e da Ética.
Será que jamais passou pela mente que o Brasil era naturalmente mais um endereço na turnê mundial de “revoluções coloridas”? 

Agradar a Casa Grande

E em todo esse tempo direcionou seus esforços para ser aceita na Casa Grande de banqueiros e barões da grande mídia e, com o seu apego ao “republicanismo” e “kantianismo”, provar que nunca foi assim tão incendiária e radical. 
Irmãos Koch ou Guerra Híbrida financiando os black blocs que faziam a linha de frente das manifestações de rua no Brasil a partir de 2013? O que pensar, então, sobre black blocs que depredavam as vidraças da concessionária Caltabiano de carros de luxo em São Paulo que, “coincidentemente”, era controlada pelo grupo americano McLarty cujo dono foi Chefe da Casas Civil do Presidente Clinton? E então, qual o significado dos papéis da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) vazados por Edward Snowden que indicavam que a Petrobrás estava sendo espionada pelos americanos?

Irmãos Koch e guerra híbrida: conspiratórios demais para a esquerda levar a sério

Se Kant existiu não podem existir conspirações...

Ora, isso é “teoria conspiratória” demais! Assim, a esquerda jamais seria levada à sério pelos editorialistas da grande imprensa... 
 Afinal, se a soberania é a base do Estado Moderno, como assinalava Kant, coisas como “conspirações” ou “guerras híbridas” jamais aconteceriam sob o imperativo ético dos direitos internacionais. Assim como na teologia cristã, Deus jamais permitiria almas penadas andarem entre os vivos. Nesse mundo apenas existiriam os Anjos do Senhor e as tentações do Demônio... mas os fantasmas existem e conspiram, indiferentes à existência de Deus ou do Diabo.
Desde 2013 com a primeira postagem intitulada “Apertem os cintos... a Esquerda sumiu!” (clique aqui) sob o calor das “Jornadas de Junho” das manifestações de rua, este Cinegnose alertava para essas “conspirações”. A partir desse ponto, uma série das análises das “bombas semióticas” (clique aqui) juntaram os pedaços que levaram à discussão sobre as estratégias mais gerais de “guerra híbrida” e “guerra semiótica”. Isso quando ainda esses conceitos não tinham virado moda no mercado de opiniões. 
Naquele momento, jovens nas ruas protestando era o “novo” na política. Somente agora cai a ficha para a esquerda e até para um STF acuado pelos corvos que alimentou: seu presidente Dias Toffoli chegou a falar em “ameaça externa” por trás dos movimentos organizados contra o Supremo.
Essa urgência conspiratória do Governo Bolsonaro tem o élan que sempre faltou às vestais da esquerda kantiana:  chegando ao poder, o clã Bolsonaro foi pular diretamente na jugular - Educação, Mídia, Religião e Ciência. 
Em outras palavras, diretamente nas agências de socialização: família e igreja (com o neopentecostalismo representado pela bancada da Bíblia no Congresso), Escola (corte de verbas, censura, vigilância e controle incipiente de focos de resistência e oposição) e grande mídia – que se passa de imparcial, mas, assim como a banca, espera que o governo entregue o prometido: as reformas neoliberais. 

Ideologia meritocrática gerou a mentalidade que apoiou o moralismo da anti-corrupção

PT não fez uma Revolução Cultural

O PT teve 13 anos para fazer uma revolução cultural no País se, desde o início, elegesse a Educação como o instrumento necessário de socialização para a cidadania e política. Ou seja, “pulasse na jugular” como faz nesse momento de forma perversa um governo de extrema-direita. 
Ao contrário, permitiu a concentração e internacionalização das universidades privadas, enquanto o ensino público se concentrou unicamente no crescimento (necessário) de universidades e escolas técnicas federais. 
Consequência? A inculcação da ideologia meritocrática, sob o estímulo dos créditos públicos do FIES e ProUni, que criaria  a mentalidade que facilmente apoiou o discurso moralista do combate à corrupção da “revolução popular híbrida” turbinada pela grande mídia, cujo desfecho apoteótico vimos no golpe de 2016 e o espetáculo bizarro ao vivo pela TV de deputados declarando seu voto pelo impeachment.
Sem vislumbrar a necessidade estratégica ideológica da Educação, apenas chocou o ovo da serpente.
A extrema-direita não é kantiana, mas conspiratória. Por isso, movido por essa urgência (imaginária ou real, pouco importa) elege a educação, a ciência e o conhecimento como alvos prioritários, enquanto gerencia o saco de maldades neoliberais.
É claro que o clã Bolsonaro (ainda difícil de ser degustado pela Casa Grande – banca financeira e grande mídia – pelo discurso grosseiro e ligações com o submundo criminoso das milícias) usa essas polêmicas sobre religião e criacionismo e a suposta guerra intestina entre militares e olavistas como parte de uma sofisticada guerra semiótica criptografada.
A esquerda usa expressões como “napoleão de hospício”, “governo taleban”, “presidente que não pensa”, “presidente tosco” para liquidar rapidamente uma questão mais profunda. Certamente, o entorno desse governo é formado, isso sim, por napoleões de hospício que pegaram carona na onda Bolsonaro como o empresário Luciano Hang, da Havan, a deputada Joice Hasselmann ou a biruta de aeroporto governador João Dória Jr.
Mas o núcleo duro, o clã Bolsonaro, está muito consciente dessa guerra criptografada: a necessidade de embaralhar cada vez mais informações e mensagens com mentidos e desmentidos para criar a cortina de fumaça necessária para fazerem aquilo que realmente importa e a razão deles estarem em Brasília – sequestrar o Estado via juros extorsivos da dívida pública e transformá-lo no banco particular para a banca encher o próprio bolso.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Esquerda desarmada diante das operações psicológicas "alt-right" sábado, dezembro 29, 2018 Wilson Roberto Vieira Ferreira.


Fotos de Bolsonaro e do futuro ministro da Casa Civi, Onix Lorenzoni, cuja angulação e recorte sugerem ao fundo expressões como “anta” ou “traição governa”; vídeo do capitão reformado lavando roupas no tanque; outro vídeo do presidente eleito com a faca na mão em um churrasco debochando do próprio atentado que sofreu. Tudo material distribuído pela assessoria do presidente, pautando a grande mídia e a indignação da esquerda, como matéria-prima para os protestos que acabam virando apenas “metamemes”. Continua em ação uma estratégia muito mais de comunicação do que de propaganda. Uma operação psicológica baseada nos mecanismos de dissonância e ambiguidade diante da qual a esquerda está paralisada e desarmada, incapaz de compreender a linguagem “alt-right”, a ultradireita alternativa, surgida diretamente de sites como o “4chan” (EUA) ou do “Corrupção Brasileira Memes”(CBM, Brasil).  Uma linguagem cuja mão de obra criadora é farta: a geração NEET (Not currently engaged in Employment, Education or Training) ou “Nem-Nem”, cuja desesperança e niilismo ganharam expressão política depois de anos de animações politicamente incorretas como Os Simpsons, Beavis and Butt-head, South Park, American Dad e o Rei do Pedaço.

“Por que a ultradireita está ganhando espaço no mundo todo? Porque são metódicos, são militares, têm disciplina. Por que nós da esquerda somos todos fodidos? Porque é todo mundo desorganizado, tudo muito ‘hare hare’ demais”. 
(Sabrina Bittencourt, ativista por trás das denúncias do guru Prem Baba e do médium João de Deus, Carta Capital, 26/12/2018)

Desde que o ator britânico Hugh Grant foi flagrado pela polícia, na famosa Sunset Boulevard, fazendo sexo oral em plena luz do dia com uma prostituta chamada Divine Brown, em uma BMW branca conversível, a gestão de Relações Públicas de crise e de imagem não foi mais a mesma.
Em 1995, Grant estava em Hollywood (graças ao sucesso do filme anterior Quatro Casamentos e um Funeral) para atuar em uma comédia piegas romântica chamada Nove Meses, com Julianne Moore. E a sua famosa foto da ficha policial com ombros retraídos, sorriso tímido e óculos casualmente pendurados na gola da camisa polo foi a “redenção divina” (desculpe o trocadilho...) para Grant em Hollywood – sem arranhão posterior na carreira, criou uma dissonância politicamente incorreta: o britânico fleumático e tímido, ator de comédias românticas, preso por atos obscenos em local público.
A alta audiência do pedido de desculpas ao vivo na TV feito no talk showde Jay Leno, fez o programa ultrapassar o “Late Show With David Latterman”, virando o principal atração do gênero nos EUA; a fama do escândalo fez Divine Brown ficar rica e comprar uma mansão em Beverly Hills; e até a então esposa de Hugh Grant, Elizabeth Hurley, virar estrela de cinema, separando-se do ator só em 2000.
Evento proposital ou involuntário, mas a verdade é que a foto do tímido galã britânico fichado pela polícia ao lado da foto de uma prostituta teve dois elementos repercussivos, muito mais do que o escândalo em si: ambiguidadedissonância.
1995: ainda a tática de ambiguidade e dissonância estava restrito ao Marketing e Relações Públicas

Armas semióticas

Mas isso foi em tempos em que estratégias de Relações Públicas como essas se limitavam ao chamado “marketing de guerrilha” de marcas como Benetton ou táticas do “falem bem, falem mal, mas falem de mim” que impulsionavam carreiras de atores e artistas pop.
Hoje fazem parte do arsenal das armas semióticas das guerras híbridas colocado em prática nas diversas “primaveras” do Leste Europeu, Oriente Médio e Brasil, a partir de 2013. O paradoxal é que a tática de criação de ambiguidades e dissonância não é propriamente uma estratégia de propaganda.
Como afirma o antropólogo Piero Leiner, professor da Universidade Federal de São Carlos/SP e estudioso das estratégias militares, “é muito mais uma estratégia de criptografia e controle de categorias, através de um conjunto de informações dissonantes" – clique aqui.
Desde o início, a campanha de Bolsonaro à presidência foi considerada tosca e amadora, com recursos escassos, uma estética pobre do material de divulgação e dona de um discurso limítrofe, incapaz de articular três frases sem um erro de concordância. 
Nunca foi uma campanha clássica de propaganda – sob a aparência de cacos de conceitos ideológicos (meritocracia, Estado Mínimo, menos imposto, etc.), a parte da comunicação se resumiu a memes, vlogs, a ridicularização de qualquer um que se opunha, e uma postura geral “ensaboada” – provocar, xingar e sair correndo. 
Mas, principalmente, provocações que causavam dissonâncias, confundiam a opinião pública e pareciam descoordenados, fazendo os opositores (principalmente a esquerda) reagirem como estivesse diante de uma turba de fascistas hidrófobos, alucinados e cheios de ódio. Mas são disciplinados, cuja tática está fundamentada nas operações psicológicas das estratégias militares da Guerra Híbrida.

Loucos do "Brasil Profundo" ou organizada Operação Psicológica?

“Caneladas” e expressões subliminares

Um exemplo foram as famosas “caneladas” a qual Bolsonaro se referia sobre as supostas divergências de opinião entre ele e as figuras de comando da campanha – p. ex., divergências sobre a questão do 13o salário e a CPMF com o vice General Mourão e o economista Paulo Guedes. Resultado: uma blitzkrieg de ocupação da pauta da grande mídia e da “secada” da esquerda contra seu rival. Enquanto isso, o também suposto programa de governo do candidato era colocado entre parêntesis no debate.
Após a vitória eleitoral e nesse momento de governo de transição, ainda continua a todo vapor a criação de dissonâncias e ambiguidades com o propósito de gerar uma verdadeira cortina de fumaça para a opinião pública.
É o caso das fotos divulgadas pela assessoria de comunicação do futuro governo, feitas durante as reuniões do governo de transição, que criaram mensagens inusitadas que dão margem a duplo sentido. Em pelo menos três imagens, o termo “transição governamental” inscrito no cenário de fundo ganhou novas configurações em fotos com as presenças de Bolsonaro e do futuro ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni (DEM-RS).
O recorte das fotos sugere a palavra “anta” atrás de Bolsonaro; e atrás de Onix, surge “transão” e “traição governa”. Tudo por conta do ângulo tomado pela lente e pelo recorte do plano. O detalhe é que as fotos foram feitas pela própria equipe do governo, em ambiente em que a imprensa não tem acesso.
Imagens que fizeram a delícia da oposição e viralizaram nas redes sociais. Um fotógrafo espera uma carreira inteira para clicar imagens com poder simbólico como essas... Mas a assessoria de comunicação consegue divulgar no atacado fotos que nada mais que ilustram as próprias críticas da oposição: subliminarmente, um fotógrafo denuncia um governo promíscuo, traiçoeiro e liderado por uma anta...
Uma variação dessa estratégia foi a divulgação de um vídeo do “mito” lavando roupa suja no tanque no Natal em Marambaia, RJ. 
Ou ainda o vídeo (também divulgado pela assessoria do presidente) em que Bolsonaro, com uma faca na mão em um churrasco, brincando aponta para um dos atendentes e debocha: "Olha aqui. Se eu fizer um corte desse aqui em você, você vai ser presidente da ONU”, disse Bolsonaro aos risos em meio às gargalhadas dos apoiadores ao redor. Provocativamente, o capitão da reserva faz escárnio do próprio atentado que o catapultou à presidência.


Alimentando o inimigo

É como se a estratégia de comunicação do clã Bolsonaro fosse alimentar continuamente a oposição com matéria-prima para memes (como por exemplo, a apropriação da foto de Marambaia em tom laranja para ironizar o Caso Queiroz que “tinge de laranja a posse da presidência”) e para o wishful thinking das esquerdas sobre supostas fissuras internas na equipe do governo ou auto sabotagem subliminar de profissionais na assessoria do presidente.
Dessa forma, o clã Bolsonaro alimenta não só a pauta da grande mídia como também a própria oposição – provoca, ao que a esquerda responde se apropriando das imagens e audiovisuais, para criar metamemes.
O fato é que a esquerda parece desarmada ou incapaz de lidar com essa estratégia, muito mais de comunicação do que de propaganda – um tipo de linguagem que se tornou a vanguarda da chamada “Alt-right”, a direita alternativa nos EUA, iniciada no site 4chan. Uma estratégia alimentada por aquilo que o escritor que quadrinhos americanos Dale Beran chama de “ideologia da desesperança” – clique aqui.
E no Brasil, a misteriosa aquisição do site Corrupção Brasileira Memes (CBM) pelo Movimento Brasil Livre (MBL), para, como nos EUA como 4chan, criar um discurso de alopração generalizada, niilista, que integra também a nova direita brasileira.
Dale Beran: de onde veio a "alt-right"?

Nova direita e a geração “Nem-nem”

Para Dale Beran, o 4chan, de comunidade on-line nerd para compartilhamento de animes, videogames e HQs, nos últimos anos tornou-se a usina do discurso da vanguarda da ultradireita – o inventor dos memes como usamos hoje e o próprio método de intercalar gifs e imagens com diálogos em aplicativos de mensagens. O chamado estilo “4chaniano” marcou profundamente comportamentos e interações.
Para Beran, há um quê de “Senhor das Moscas” (livro de William Golding, de 1954) nos valores dessa ultradireita “4chaniana” – uma sociedade anárquica e agressiva de adolescentes, ou pelo menos de adultos com mentes de garotos: “jovens adultos”. “Um tipo de bandeira de livre expressão libertária, em que meninos-homens isolados afirmavam seu direito de fazer ou dizer o que quer que fosse, desprezando sentimentos alheios”, afirma Beran.
Dessa forma, postar suásticas, pornografias, xingamentos raciais e demais conteúdos perniciosos para outras pessoas e organizar “raids” (ataques surpresa em sites, fóruns e salas de bate papo) é apenas “for the lulz”, zoeira niilista e desesperançada.


O combustível (ou a mão de obra) da ultradireita está na chamada geração NEET (Not currently engaged in Employment, Education or Training) – jovens sem emprego, estágio ou que simplesmente não estudam. Um preocupante e crescente fenômeno social que aqui no Brasil chamam-se os “nem-nem”, que já compõe um quarto da população de jovens na faixa de 15 a 29 anos.
Sites como o 4chan viram uma espécie de Clube da Luta– filme de David Fincher de 1999 sobre homens que recobram sua virilidade por meio da violência depois de terem sido aviltados pela cultura corporativa moderna. E para os “jovens” nem-nem da ultradireita, o inimigo a ser “zoado” (o culpado pelas sua condição de “impotência”) é a cultura politicamente correta globalista – feministas, ONU, ativistas de esquerda, ecologistas, coletivos de defesa dos direitos de minorias etc.
Seja Trump nos EUA ou Bolsonaro no Brasil, seus eleitores não foram atraídos por promessas, mas por uma total desesperança. Bolsonaro presidente?... for the lulz! Rsrsrsrsrs...
E daí se o ângulo da foto do novo presidente figura a palavra “anta” ao fundo? Como afirma Paulo Nogueira Batista Jr. em seu artigo “Falsos Idiotas” (clique aqui), Bolsonaro mostra traços de genialidade ao comportar-se como um perfeito idiota. A simulação da idiotice cai como uma luva na rede de valores niilistas dos desesperançados da geração nem-nem.
Anos de humor e sarcasmo niilista de Os Simpsons, Beavis and Butt-head, South Park, American Dad e o Rei do Pedaço encontraram a tradução política com o alt-right americano e brasileiro.
Agora, só nos resta apertar os cintos enquanto a esquerda está paralisada e em choque. Até entender o que significa abandonar o seu discurso confortável de “luta e resistência” para descer no mesmo campo semiótico onde a ultradireita ganha por WO.