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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Queixo aerodinâmico, olho de pitomba… e governo de segunda-mão, por Mouzar Benedito.





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Se beber, não dirija — é o que todo mundo recomenda. Quem bebe deve usar táxi, se tiver grana. Se não tiver, que use o transporte público. Mas como fazer isso se, por exemplo, muitas estações de metrô em São Paulo não têm banheiro público?
Um dia desses, bebi cerveja e fui pra casa, de metrô. Quando cheguei na estação a que me destinava, era uma dessas sem banheiro público. Com a bexiga cheia, onde urinar? Não dava para esperar chegar em casa. Andei por uma rua escura e cometi o ato de mijar num muro. Ao fazer isso — reparem — a gente “empurra” a bunda pra frente, e lembrei-me de uma expressão usada para quem tem bunda murcha: bunda de mijar no muro. É o contrário de bunda de tanajura.
Aí fiquei me lembrando de outras expressões para identificar pessoas, a partir de detalhes do corpo. Boca de chupar ovo, por exemplo, é quem tem boca pequena. Olho de peixe morto é quem tem os olhos lânguidos, algo a ver com o que os japoneses chamam de sampaku (em que a pupila fica mais para o alto, aparecendo embaixo dela o branco dos olhos). No Nordeste, dizem que gente assim tem olho de cabra morta. Já saindo das características físicas da pessoa, olho gordo é o do cobiçoso, e olho de seca pimenteira é o do invejoso, de mau-olhado, que provoca doenças em crianças bonitas, faz murchar flores etc.
Cambito de sabiá é quem tem pernas finas. Orelhas de abano (no Nordeste, orelha de abanar fogo) é quem tem orelhas côncavas, salientes. Quem tem pernas curtas, é bunda baixa.
Queixo de graviola é quem tem o queixo torto. Por falar em queixo, um dia um amigo estava impressionado com uma moça que falava sem parar e eu disse a ele: “Repare como ela tem o queixo fino”. Ele perguntou o que tinha isso a ver com o tanto que ela falava e eu respondi: “Pessoas que falam muito e rápido geralmente têm o queixo aerodinâmico. Ao abrir e fechar a boca, mexendo o maxilar inferior, esse tipo de queixo enfrenta menos atrito com o ar. Quem tem o queixo fino, aerodinâmico, tende a falar mais”, brinquei. Repeti essa teoria besta algumas vezes por aí e teve quem acreditasse.
Existem também expressões citando partes do corpo, adjetivando pessoas com certas características, que podem ter ou não a ver com aspectos físicos dessas partes. Por exemplo: língua de trapo, para quem fala demais e faz fofoca; bunda mole para covardes; mãos de fada para quem cozinha muito bem; olhos de lince para quem enxerga longe; braço de ferro para fortões; perna de pau pra jogador de futebol ruim; cabeça oca ou cabeça de bagre para quem não sabe pensar, cabeça de vento é o “cuca fresca”, pessoa que não leva as coisas a sério, são um tanto irresponsáveis, pode-se dizer…
Bom, relacionei algumas coisas dessas, tanto com o sentido de identificar uma pessoa pelas características físicas como essa tendência (politicamente incorreta?) de adjetivar partes do corpo.
Vamos ver algumas expressões relacionadas ao nariz, para começar. Nariz tem dois “buracos” embaixo, né? Mas algumas pessoas têm nariz com esses “buracos” bem visíveis para quem está em frente a elas. Não são embaixo dele. Quem tem o nariz assim é identificado como nariz de chover dentro. E quem anda de nariz empinado é nariz de cheirar peido. Narigudo é venta de tucano. Já o nariz achatado, no Nordeste, é chamado de venta de bezerro novo.
Aliás, o sertanejo nordestino é pródigo nessas qualificações. Chama de galo de raça o sujeito avermelhado, alto, de pescoço comprido, geralmente loiro. Por falar em pescoçudo, dizem no Sertão do Nordeste que o sujeito tem pescoço de garrafão. Testa grande é testa de carneiro mocho. Unha de peba é quem não corta as unhas.
Ainda falando de características do rosto, o caipira (isso vale pra muitas partes do Brasil) chama de cara de mamão macho quem tem o rosto comprido e fino, descarnado. Quem tem no rosto marcas de varíola, no sertão do Nordeste, é cara de areia mijada. Já quem tem marcas de muitas espinhas é cara de batata estragada.
Sujeito muito feio pode ser cara de milagre, cara de ex-voto ou cara de promessa.
Olho de cachimbo apagado é quem um olho vazado e olho de pitomba é quem tem olhos grandes ou salientes.
Boca de moela é o desdentado, o banguela. Boca mole, dizem por aí, é quem não sabe guardar segredo, conta tudo. Boca aberta é o sujeito lerdo, meio burro, que demora a entender as coisas. Aqui vale uma observação: boboca não é uma palavra derivada de bobo, vem do tupi boboc, que significa boca aberta. É uma gíria indígena.
Voltando ao sertão do Nordeste, dente de preá é quem tem dentes miúdos e encavalados. Ruivo é bigode de arame. Mas se for ruivo barbudo, pode ser chamado também de barba de sovaco de ovelha. Se a barba do sujeito for alourada, ele é barba de arroz doce. Já o sem barba, mas de cabelos avermelhados, é cabelo de espiga de milho.
Quem tem os cabelos espetados é cabelo de espetar caju. E a cabeça grande? Na minha terra pode ser, entre outras coisas, cocão. No Nordeste é cabeça de comarca ou cabeça de nós todos. Quem tem cabeça chata é cabeça de bater sola.
Maracujá de gaveta é manjado, é quem tem a pele do rosto muito enrugada.
Mudando para outras áreas do corpo, comecemos por quem tem pernas tortas. Garrincha é um exemplo, o jogador ganhou esse apelido porque tinha as pernas que os outros moleques achavam que pareciam pernas desse passarinho, também chamado de cambaxirra ou corruíra. Mas quem tem as pernas arcadas o sertanejo chama de perna de arco de barrica. Quem tem os pés virados para dentro é pé de papagaio.
Menino de barriga grande (com vermes?) é barriga de bezerro enjeitado ou barriga de soro azedo.
E o sujeito pálido, de aspecto cadavérico? Esse, a olha que maldade, chamam de desertor de cemitério.
Para terminar, pensei em que parte do corpo que pode ser usada para identificar certos políticos. A maioria deles, talvez. É a mão, concluí.
Para começar, temos aí um governo de segunda-mão, que ganhou o poder de mão beijada, com a simpatia e o apoio de adeptos da mão armada. Nele, vemos políticos conhecidos pela mão-de-gato, habituados a ter a mão aberta com o dinheiro público, no qual metem a mão e fingem que só os outros é que fazem isso. Eles são uma mão na roda para o poder econômico.
Antes de eleições, aparecem de mãos postas, com juras, prometendo dar uma mão aos necessitados. Com um caixa 2 feito com grana de quem molhou as suas mãos, também molham a mão de eleitores safados, e depois de eleitos os mãos-leves lavam as mãos para os problemas do povo. Deixam a gente na mão. E o que vem aí? Mãos largas para uns (adivinhe quem), e mão-de-ferro para educação, saúde, essas bobagens, e para aposentados, esses inúteis…
Bom… Tem dois tipos de aposentados, né? Os nossos e os deles. Mãos largas para os deles, que se aposentaram bem novos (com tempo de aproveitar a vida, não é?) e ganhando obviamente umas vinte vezes mais do que os nossos, que para merecer uma merreca devem trabalhar até ficar caquéticos.
Como dizia Augusto dos Anjos, a mão que afaga é a mesma que apedreja.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Cultura Inútil: Honrados, dignos e virtuosos, por Mouzar Benedito.




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Por Mouzar Benedito.


Cadê eles? Estão no governo? No Congresso? No Judiciário? Nas redações de jornais e revistas? Nas emissoras de rádio e TV? Nas igrejas?

Nesses lugares todos tem gente posando como se tivessem essas qualidades e exigindo-as dos outros.

Na política, uma mesma coisa pode ser considerada “qualidade” e elogiada como virtude, se seu detentor for do seu partido, ou excomungada como grande defeito se for seu adversário. Por exemplo: se o cara é do tipo exigente e centralizador, para seus seguidores é um bom político, de pulso firme; para seus adversários, é autoritário, ditador. Se o político ouve outras pessoas antes de tomar uma decisão, é um democrata, segundo seus seguidores, ou um frouxo vacilante, segundo os opositores.

Nas tais “mídias sociais” isso é cotidiano. Manipulam, vociferam defendendo honra, dignidade e virtudes que os próprios vociferadores não têm. E fechando os olhos para os desmandos de seus partidários…

Um bom exemplo desses “virtuosos” está numa historinha contada pelo Barão de Itararé:

O Dr. Lins estava danado da vida porque lhe haviam passado uma nota falsa de dois cruzeiros.
— Não se pode mais ter confiança em ninguém! — dizia ele. — Foi o trocador do ônibus que me deu a nota. Que ladrão!
— Quer me mostrar a pelega? — pergunta um amigo.
— Já não a tenho mais. Passei-a adiante.

Ditados populares e pensamentos de famosos


Fui à caça do que pensadores disseram sobre essas qualidades. E também de ditados populares sobre o assunto.

Mas antes de transcrever todos eles aqui, lembro-me de um sujeito que periodicamente aparecia na minha terra e pedia comida, cada dia numa casa. Era o Barbino, com um conceito muito especial que até hoje não entendi. Ele só aceitava comida se tivesse carne. Se não tivesse, devolvia o prato, falando bravo: “Cumê sem carne, Deus num põe virtude”. Quem puder, que me explique.

Agora, aí vão pensamentos e ditados.

Millôr Fernandes: “Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos”.

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O povo (ditado popular): “A virtude tem muitos pregadores, mas poucos mártires”.

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Henry Toreau: “Existem 999 professores de virtude para cada pessoa virtuosa”.

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Joaquim Nabuco: “O naufrágio da honra é quase irreparável”.

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Almeida Garrett: “Aí, virtude. Que homens, que leis dos homens te conhecem?”.

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Hermann Melville: “Falam da dignidade do trabalho. Bah! A dignidade está no ócio”.

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Ambrose Bierce: “Epitáfio é uma inscrição num túmulo que mostra que as virtudes adquiridas pela morte têm efeito retroativo”.

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O povo (ditado): A honra é como vidro: quebrando, não solda mais.

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O povo, de novo: “Não há erva tão ruim que não tenha a sua virtude”.

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O povo, mais uma vez: “A mentira só é vício quando faz mal; se faz bem, é uma grande virtude”.

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Carlo Dossi: “A virtude é como o percevejo. Para que exale seu odor, é preciso esmagá-la”.

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Anatole France: “A virtude, tal como os corvos, aninha-se nas ruínas”.

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Mário Quintana: “A verdade é que os bichos, quando imitam as pessoas, perdem toda a dignidade”.

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Ludwig Borne: “As virtudes e as raparigas possuem a máxima beleza até saberem que são belas”.

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Três ditados populares: “Onde não há honra, não há desonra”. “Onde a honra é o mais, tudo o mais é o menos”. “A honra é como o vidro: quebrando, não solda mais”.

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François Chateaubriand: “Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso”.

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Rubem Alves: “Amores novos não combinam com a dignidade dos velhos”

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Aristóteles: “Não possuímos virtudes antes de as colocar em prática”.

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Camilo Castelo Branco: “A desonra que se estorce numa esteira é que nunca se reabilita”.

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Camilo Castelo Branco, de novo: “A virtude, quando há dinheiro, é azul sobre ouro”.

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Camilo Castelo Branco, mais uma vez: “Se houvessem virtudes perfeitas, essas desconheceriam os escrúpulos, que são de per si os prelúdios das imperfeições”.

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Ditados populares: “Honra e proveito não cabem num saco”. “Muitas vezes a dignidade proíbe o que a lei permite”. “A virtude remoça os velhos, o vício envelhece os moços”.

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Nietzsche: “É por nossas virtudes que somos punidos”.

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Nietzsche, de novo: “Todas as virtudes têm sua época; a quem hoje é inflexível, a sua honestidade provoca-lhe muitas vezes remorsos: porque a inflexibilidade é uma virtude que pertence a uma idade diferente da da honestidade”.

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François La Rochefoucauld: “A virtude não iria tão longe se a vaidade lhe não fizesse companhia”.

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Rochefoucauld, de novo: “As virtudes perdem-se no interesse como as águas do rio se perdem no mar”.

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Rochefoucauld, mais uma vez: “As nossas virtudes, a maior parte das vezes, não passam de vícios disfarçados”.

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Ditados populares: “Quando a miséria entra pela porta, a virtude sai pela janela”. “A fome é inimiga da virtude”. “Melhoramos em virtude quando pioramos em saúde”.

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Mahatma Gahdhi: “A dignidade pessoal e a honra não podem ser protegidas por outros, devem ser zeladas pelo indivíduo em particular”.

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Louis Saint-Just: “As virtudes indomáveis dão lugar a costumes atrozes”.

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Berilo Neves: “A virtude é a salvação das feias. Não custa evitar o pecado quando não se tem com quem pecar”.

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Padre João de Lucena: “Tão formosa é a virtude que aqueles que lhe querem muito nada querem dela”.

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Elizabeth Taylor: “O problema das pessoas que não têm defeitos é que, com certeza, têm virtudes terríveis”.

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Marguerite Yourcenar: “O nosso maior erro consiste em tentarmos colher de cada pessoa em particular as virtudes que elas não têm, e de nos esquecermos de cultivar as que de fato são suas”.

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Ditados populares: “Entre a honra e o dinheiro, o segundo é o primeiro”. “Mais vale merecer honra e não ter, do que, tendo-a, não merecer”. “Honra demais é orgulho”.

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Padre Manuel Bernardes: “Que são as dignidades? Essa real: por fora brasões, telas e luzes; por dentro, ripas de pinho e lixo”.

* * *

Machado de Assis: “A virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo é pródigo”.

* * *

Machado, de novo: “O cancro é indiferente às virtudes do sujeito; quando rói, rói. Roer é seu ofício”.

* * *

Ariano Suassuna: “Eu digo sempre que das três virtudes chamadas teologais, sou fraco na fé e fraco na qualidade, só me resta a esperança. Eu sou o homem da esperança”.

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Nelson Rodrigues: “O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes”.

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Madame de Riccoboni: “A aparência das virtudes é muito mais sedutora do que as próprias virtudes, e quem se vangloria de as possuir tem grande vantagem sobre quem realmente as possui”.

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Ramón Campoamor y Campoosorio: “Na sua essência, a virtude é metade opinião e outra metade aparência”.

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Manuel Bernardes: “Os olhos enfermos ofendem-se da claridade da virtude”.

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Manuel Bernardes, de novo: “O que é dotado de verdadeira virtude tem os seus males por fora, e os seus bens por dentro”.

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Ditados populares: “A honra é a bússola dos homens de bem”. “A honra se lava é com sangue”.

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Jacinto Benavente y Martinez: “Quando uma virtude acha recompensa, já começamos a duvidar que seja virtude”.

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Jacques Bossuet: “As virtudes que se ostentam são vãs e falsas virtudes”.

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Virgílio: “A virtude é mais apreciada se resplandecer num corpo belo”.

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Ralph Emerson: “O que é, afinal, uma erva daninha senão uma planta da qual ainda se não descobriram as virtudes?”.

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Gonçalves de Magalhães: “A natureza humana é tão misteriosa que uma virtude nos faz chorar e uma grande desgraça nos faz rir”.

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Medeiros de Albuquerque: “A virtude é uma palavra que só enche a boca dos que não podem gozar o vício; é a prédica dos impotentes; é a prédica dos invejosos”.

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Capistrano de Abreu: “O termômetro da dignidade poucos graus vai acima do zero; mas abaixo a graduação não tem fim”.

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Charles Darwin: “A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana”.

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Confúcio: “A humildade é a única base sólida de todas as virtudes”.

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Confúcio, de novo: “O homem que é firme, paciente, simples, natural e tranquilo está perto da virtude”.

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Blaise Pascal: “Uma indiferença pacífica é a mais sábia das virtudes”.

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Platão: “As grandes naturezas produzem grandes vícios, assim como grandes virtudes”.

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Ditado popular: “Homem honrado, antes morto que injuriado”.

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Marie Eschenbach: “A virtude também é uma arte. Eis porque ela tem duas espécies de discípulos: os que a praticam e os que a admiram”.

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Miguel de Cervantes: “A virtude é mais perseguida pelos maus do que amada pelos bons”.

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Napoleão Bonaparte: “Para governar é preciso aproveitar-se dos vícios dos homens, não de suas virtudes”.

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Frei Luís de Sousa: “É tempo perdido animar para a batalha quem fica fora dela, e aconselhar virtude a quem não é primeiro em segui-la”.

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Eça de Queiroz: “Quem sem descanso apregoar a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba às vezes virtuoso”.

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Ditado popular: “Fazer bem é virtude, mas é também egoísmo”.

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Khalil Gibran: “Quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes”.

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William Shakespeare: “Uns venceram por seus crimes, outros fracassaram por suas virtudes”.

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Shakespeare, de novo: “As falhas dos homens eternizam-se no bronze, as suas virtudes escrevemos na água”.

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Ditado popular: “As chagas da dignidade nunca cicatrizam”.

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Marguerite Valois: “Seremos perfeitamente virtuosos quando já não houver carne nos nossos ossos”.

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Georges Perros: “Ócio, pai de todos os vícios e filho de todas as virtudes”.

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Clara Luce: “A coragem é a escada por onde sobem as outras virtudes”.

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Ditado popular: “Homem que com sua honra não sonha, vem-lhe de ter pouca vergonha”.

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Marquês de Maricá: “Em matérias e opiniões políticas os crimes de um tempo são algumas vezes virtudes em outro”.

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Maricá, de novo: “Todas as virtudes são restrições; todos os vícios, ampliações da liberdade”.

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Thomas Hobbes: “As duas virtudes cardinais da guerra: força e fraude”.

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Ditado popular: “A adversidade descobre a virtude”.

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Eugene Delacroix: “A adversidade restitui aos homens todas as virtudes que a prosperidade lhes tira”.

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Silva Alvarenga: “No meio é que a virtude tem firme o seu lugar; quem vai pelos extemos não a deseja achar”.

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Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

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Ditado popular: “O vício e a virtude são vizinhos”.

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Molière: “Todos os vícios, quando estão na moda, passam por virtudes”.

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Molière, de novo: “Prefiro um vício cômodo a uma virtude que fatigue”.


Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Herói: tem para todos os gostos Ou: "O juiz é um herói?", por Mouzar Benedicto.



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Por Mouzar Benedito.

Vi recentemente uma revista que trazia na capa a foto do juiz Sérgio Moro e o título “Herói do Brasil”. E tem quem defenda sua candidatura a presidente da República. Antes dele, outro magistrado, Joaquim Barbosa, então ministro do STF, também foi chamado de herói e chegou a entrar nas pesquisas de intenção de votos para presidente. E pular da condição de “herói” para a política não é incomum
Estranho? Bom… Independente de entrarem ou não para a política, fico intrigado com o conceito de herói e essa necessidade de dar esse epíteto a alguém, seja por que motivo for, a não ser aquele mais primário que me foi ensinado.
Muitos brasileiros parecem necessitar de heróis e nomeiam alguns deles pelos mais variados motivos.. Sempre achei que mais esquisito é chamar de heróis alguns esportistas glorificados. Ganham milhões para praticar um esporte e ainda são chamados de heróis?
No meu aprendizado dos tempos de criança, herói era um indivíduo, como está definido no Dicionário Houaiss, “notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade etc.”. Nelson Rodrigues uma vez escreveu: “Os heróis morrem em combate. Não dá tempo ao destino flagrá-los na cama ou na cadeira de balanço”. Corresponde mais ou menos ao que eu pensava “antigamente”.
Mas vi no próprio Dicionário Houaiss, que a palavra herói pode ser empregada também em muitos outros casos. Por exemplo: indivíduo notabilizado por suas realizações (“os heróis da ciência”), indivíduo que desperta enorme admiração; ídolo, indivíduo que em certos acontecimentos é o centro das atenções, e muitas outras. Então vale para tudo quanto é situação que eu achava que rebaixava o peso simbólico do heroísmo.
Tem uma coisa: tudo depende do lado que você está. O bandido de uns é o herói de outros. Basta lembrar dos bandeirantes: nomes de ruas e estradas, eles são “heróis” que desbravaram o Brasil e expandiram suas fronteiras, conquistaram territórios. Mas desbravaram por cobiça, caçavam índios aos milhares para escravizar e matavam os que não lhes serviam.
E os desbravadores do oeste do Estados Unidos? Búfalo Bill, para os índios de lá, não era nada mais do que um dos maiores bandidos que havia. Vale para quase tudo quanto é colonizador.
De qualquer forma lembro o que disse Bertolt Brecht: “Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis”.
O Barão de Itararé, que se autointitulou Herói de Dois Séculos, ironizava os “nobres” brasileiros com títulos de conde, barão, visconde… Para ganhar tais títulos, era preciso (teoricamente) ter participado de batalhas, mas aqui eles compravam esses títulos ou ganhavam simplesmente como presentes do imperador. Então, durante a Revolução de 1930, em que chegou-se a noticiar uma grande batalha que na verdade nunca ocorreu, entre paulistas e gaúchos, na cidade de Itararé, no Vale do Ribeira, ele se declarou herói dessa batalha, deu a ele mesmo o título de Duque e depois, como prova de “modéstia” se rebaixou a Barão. Por ter nascido no final do século XIX, acrescentou ao epíteto “herói” o complemento “de dois séculos”.
Ao fazer uma apresentação de uma reedição facsmilar de seu Almanhaque de 1949, em 1991, lembrei dessa história e previ que suas frases gozadoras entrariam também pelo século XXI, brinquei que ele viraria “Herói de três séculos”, o que mantive como título de um livrinho que escrevi sobre ele.
Apesar de escrever bastante sobre política e políticos — “que são datados, perdem a validade de uma geração para outra” — suas máximas sobreviveram e continuam valendo, pois — por exemplo — ainda há muitos políticos que continuam achando que “o feio em eleição é perder”, e que a política é um vale-tudo.
Pensando nisso tudo, catei por aí um monte de frases sobre heróis, e as apresento aqui, começando por uma do próprio Barão: “Há heróis de dois tipos: os que a pátria chora porque morreram e os que a pátria chora porque não morreram”.
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Umberto Eco: “O verdadeiro herói é sempre herói por engano; sonhou ser covarde honesto como os outros”.
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Herbert Spencer: “O culto dos heróis é o mais forte onde a liberdade humana é menos respeitada”.
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Lygia Fagundes Telles: “Não separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo bonitinho como nas experiências de química. Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa…”.
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Jean de La Bruyère: “Não construam estátuas aos vossos heróis, é melhor erguer estátuas às suas vítimas”.
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Ivan Teorilang: “Nos bancos de escola, antes de se glorificar nossos heróis do passado por seus feitos em guerra, se deveria dar muito mais ênfase ao aprendizado da diplomacia, pois é a partir daí que as guerras seriam ganhas, sem nenhum derramamento de sangue”.
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Nelson Mandela: “É muito fácil enfraquecer e destruir. Os heróis são os que pacificam e constroem”.
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Renato Russo: “Não preciso de modelos, não preciso de heróis, eu tenho meus amigos”.
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Cazuza: “Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder”.
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Bette Davis: “Voltemos aos tempos felizes, em que havia heróis”.
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André Malraux: “Não existe herói sem plateia”.
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Sêneca: “Tirai do gênero humano a sua vaidade e a sua ambição, e acabareis de vez com os heróis e os patriotas”.
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Rui Barbosa: “O heroísmo não está na embriaguez impulsiva da cegueira diante dos perigos: está na indiferença diante da morte pela verdade, pela liberdade, pela honra, pelo bem”.
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Menotti Del Picchia: “Não há heroísmos: há consagrações”.
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Eugène Ionesco: “Pensar contra o nosso tempo é um ato de heroísmo. Mas dizê-lo é um ato de loucura”.
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Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa): “Se ninguém condecora o sol por dar luz, para que condecora quem é herói?”.
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Ditado popular: “A loucura é a origem das façanhas de todos os heróis”.
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Marquês de Maricá: “Se os homens não tivessem alguma coisa de loucos, seriam incapazes de heroísmo”.
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Maricá, de novo: “Mudai os tempos, os lugares, as opiniões e circunstâncias, e os grandes heróis se tornarão pequenos e insignificantes homens”.
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Charles Chaplin: “Quem mata um homem é chamado de assassino. Quem mata milhares é chamado de herói”.
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Chaplin, de novo: “A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhes dadas pela sociedade, não pela natureza”.
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Rubem Alves: “As razões de poder transformam crimes em heroísmo”.
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Provérbio africano: “Até que os leões inventem as suas próprias histórias, os caçadores serão sempre os heróis das narrativas de caça”.
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Laurence Sterne: “A temeridade muda de nome quando obtém êxito. Então chama-se heroísmo”.
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P. Bona: “O primeiro grau do heroísmo é vencer o medo”.
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Paul Claudel: “Os indivíduos só são heróis quando não podem agir de outra maneira”.
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Millôr Fernandes: “Chama-se de herói o cara que não teve tempo de fugir”.
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Leon Eliachar: “Herói é o sujeito que teve a sorte de escapar vivo”.
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Jean Giradoux: “O homem em tempo de guerra chama-se herói. Pode não ser mais corajoso e fugir a toda pressa. Mas, ao menos, é um herói que bate em retirada”.
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Giradoux, de novo: “Os heróis são aqueles que tornam magnífica uma vida que já não podem suportar”.
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Albert Camus: “O heroísmo de pouco vale. A felicidade é mais difícil”.
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Ralph Emerson: “Todo herói torna-se um chato”.
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Giacomo Leopardi: “A paciência é a mais heroica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência de heroísmo”.
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Charles Bukowski: “A raça humana exagera em tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância”.
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Ditado popular: “A adversidade faz heróis”.
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Victor Hugo: “O infortúnio, o isolamento, o abandono e a pobreza são campos de batalha que têm heróis”.
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Ditado popular: “A mal desesperado, remédio heroico”.
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Luigi Pirandello: “Toda a gente pode ser um herói de vez em quando, mas um cavalheiro é algo que se é sempre ou não se é”.
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Eleanor Roosevelt: “Não temos de nos tornar heróis do dia para a noite. Só um passo de cada vez, tratando cada coisa à medida que surge, vendo que não é tão assustadora como parecia, descobrindo que temos a força para a superar”.
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Gustave Le Bon: “O heroísmo pode salvar um povo em circunstâncias difíceis, mas é apenas a acumulação diária de pequenas virtudes que determina a sua alma”.
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Oscar Wilde: “Antigamente canonizávamos nossos heróis. O método moderno é vulgarizá-los”.
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Nietzsche: “Não desfaças o herói que está em sua alma”.
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Armando Nogueira: “Heróis são reféns da glória. Vivem sufocados pela tirania da alta performance”.
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François La Rochefoucauld: “Há heróis no mal, como no bem”.
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Simón Bolívar: “Do heroico ao ridículo não há mais do que um passo”.
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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.