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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Após Roda Viva, rejeição de Bolsonaro é recorde; com apoio de Lula, Haddad vai ao 2o turno

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Bolsonaro viu sua rejeição chegar a 57%, o maior patamar já registrado. A pesquisa mostra também que o apoio do ex-presidente Lula pode levar Fernando Haddad ao segundo turno da eleição.
Na semana em que foi sabatinado no programa Roda Viva, da TV Cultura, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) oscilou negativamente em todos os os cenários estimulados de primeiro turno na pesquisa Ipespe. O presidenciável também viu sua rejeição chegar a 57%, o maior patamar já registrado. A pesquisa mostra também que o apoio do ex-presidente Lula pode levar Fernando Haddad ao segundo turno da eleição.
Segundo o levantamento, Bolsonaro tem entre 19% e 22% das intenções de voto nos cenários estimulados de primeiro turno. O patamar confere ao deputado a liderança em todas as situações em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não está presente. Lula tem 31% no cenário que considera sua candidatura. É o maior patamar já registrado pelo petista da série de pesquisas, iniciada em 15 de maio.

Já o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), manteve o teto de 10% em duas das quatro simulações de primeiro turno. Excluindo a simulação que considera a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), Alckmin ocupa a segunda posição no primeiro turno em todos os demais cenários, tecnicamente empatado com outros candidatos, mas numericamente atrás da ex-senadora Marina Silva (Rede).
O levantamento XP/Ipespe também mostra a manutenção de taxa elevada do grupo de brancos, nulos e indecisos. Na pesquisa espontânea, eles somam 62% dos eleitores. Nos cenários estimulados, esse percentual varia entre 18% (com Lula candidato) e 35% (sem candidato apresentado pelo PT).
Com os resultados dos cenários estimulados, se a eleição fosse hoje, não seria possível cravar quem seria o adversário de Bolsonaro no segundo turno. No cenário mais indefinido, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados: Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, mediante apoio de Lula. O ex-prefeito de São Paulo salta do patamar de 2% das intenções de voto para 13% com a simples inclusão da informação de que seria o nome apoiado por Lula.
Registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo código BR-06820/2018, o estudo tem margem máxima de erro de 3,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

PSB, Lula e Ciro: o jogo avança e a mídia se desespera, por Rodrigo Viana.

Colunistas ligados ao PSDB uivam de raiva: o lulismo está vivo! Abaixo, uma tentativa de entender o quadro eleitoral, depois que Lula/PT deram um xeque em Ciro.
(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
A velha mídia, aliada a Alckmin e ao PSDB, passou as últimas 24 horas tentando vender a ideia de que Lula e PT são malvados e terríveis, ao isolar politicamente Ciro Gomes na sucessão presidencial. O PT obteve uma aliança “de fato” com o PSB – que era cobiçado pelo PDT para uma aliança formal com Ciro. Sim, foi uma derrota imensa para o candidato pedetista. Mas alto lá!
No capa do site UOL, mantido pela multimilionária família Frias, os petistas são acusados por um colunista de “truculência”; outro comentarista pago pelos Frias diz que Lula “esquarteja” Ciro.
Hum, que eu saiba essa gente não tem qualquer afinidade com Ciro ou a centro-esquerda. O barato deles é banco e PSDB. Cumprem o papel de um flamenguista dando palpite nas contratações do Vasco. São parte da máquina de propaganda de Alckmin. De todo jeito, não percebem que, com ódio desmedido e exagerado, só reforçam o poder do líder que esperavam (a essa altura) ver destruído e deprimido numa cela de Curititba.
Se você é de esquerda – e tem simpatias por Ciro/PDT, Lula/PT, Manuela/PCdoB ou Boulos/PSOL – não precisa entrar nessa narrativa criada pela direita. Mesmo que considere um erro o movimento feito pelo PT, ou uma pena que Ciro não consiga se viabilizar. Vamos aos fatos.
1 – Ciro tentou construir sua candidatura na centro-esquerda, ocupando algum lugar entre PT e PSDB no espectro político. Acabou espremido dos dois lados. Alckmin tirou-lhe o Centrão. E agora o PT impede Ciro, sim, de contar com o PSB. Reparemos que ninguém acusou Rodrigo Maia (DEM) de truculento ou esquartejador, ao fingir que levaria o Centrão até Ciro, para depois depositar as legendas fisiológicas no colo dos tucanos. Maia foi apresentado como “habilidoso” e “pragmático”. Lula, não. É um maquiavélico malvado. Sei.
Acusar o PT por construir seu espaço (de forma até heróica, numa conjuntura absolutamente adversa) é tão desonesto quanto cobrar de Ciro uma fidelidade absoluta a Lula. Os dois, legitimamente, tentam erguer suas candidaturas. Nessa composição, Lula preso tem sido mais feliz do que Ciro solto. Mas os dois estão no mesmo campo. Os adversários tentam cavar entre eles uma vala de mágoas instransponível. Vejamos se o povo vai entrar nessa.
2 – O movimento de atrair o PSB facilita a vida de governadores “socialistas” no Nordeste, e une anda mais o lulismo naquela região, abrindo caminho para o candidato petista que vier a ocupar a vaga de Lula na urna, em outubro. É do Nordeste que virão os votos decisivos pra levar esse candidato ao segundo turno. De outro lado, o movimento cria também ruídos ruins com a militância petista, ao tirar de campo a candidatura ao governo de Pernambuco de Marília Arraes (construída de baixo pra cima, no PT local), e priorizar o acordo pelo alto com o PSB pernambucano. Isso é um fato, e a médio prazo enfraquece o PT. Mas o jogo é pesado, e maior.
3 – Parece-me que, nos próximos dias, Ciro dará o troco. Duvido que ele caminhe docilmente para uma aliança com o PT, aceitando a vaga de vice na chapa de centro-esquerda. Não é o perfil dele. E não haverá, portanto, outro movimento possível para o PDT que não seja um acerto com Marina Silva.
Ciro e Marina, juntos, podem criar um terceiro campo, efetivo, na campanha. Em 2014, isso já aconteceu com a chapa Eduardo/Marina. Resta saber se o discurso desenvolvimentista de Ciro poderá ser soldado às pretensões de uma Marina cada vez mais nas mãos dos banqueiros.
Em 2014, os 15% ou 20% de uma aliança desse naipe não seriam suficientes para levar a chapa ao segundo turno. Em 2018, com 15% Ciro/Marina poderiam causar estragos tanto ao lulismo como ao candidato puro sangue dos bancos – Geraldo Alckmin.
4 – Os analistas que comparavam essa eleição de 2018 com a de 1989 parecem ter quebrado a cara. Não teremos a pulverização absoluta daquela disputa. Na prática, teremos: Alckmin/Centrão (com bom tempo na TV, mas carregando o peso do governo Temer nas costas); PT/Lula (com menos tempo na TV, mas ainda a carregar a herança dos anos de bonança do lulismo); Bolsonaro (com quase nada na TV, mas com o discurso anti-sistema a tiracolo), Marina/Ciro (juntos, poderiam dessa vez construir uma terceira via, num país tão cansado de polarizações); e Alvaro Dias/Lava-Jato (o senador mostra uma resiliência surpreendente para captar votos, sobretudo no sul do país, com um discurso moralista).
5 – Não me alinho entre os que consideram Bolsonaro já derrotado. O fato de estar isolado, e com poucos segundos na TV, não significa fraqueza pra ele. Ao contrário, ajuda a compor o discurso de “contra tudo que está aí”. Bolsonaro, para se diferenciar de Alckmin, tenderá a aprofundar o discurso extremista. E esse discurso hoje pode ser suficiente para lhe dar entre 15% e 20% dos votos, levando o candidato fascista ao segundo turno. O pior que podemos fazer é tratar com desdém ou ironia essa candidatura. Ela está aí porque representa uma porção significativa de brasileiros. De outro lado, quanto mais forte e coeso for o eleitorado de Bolsonaro no primeiro turno, mais difícil será para ele sair do isolamento na segunda volta da eleição.
6 – Pela lógica e pelos números das pesquisas, parece claro que um candidato petista recolha pelo menos metade dos votos de Lula, no caso de este ser mesmo barrado pela Justiça do golpe; isso daria a este candidato cerca de 15% dos votos, de saída, permitindo a ida ao segundo turno. Parece-me que Jacques Wagner (e não Haddad) teria mais chance de ser o depositário desses votos, porque é no Nordeste que o lulismo tem sua maior fortaleza.
7 – Alckmin pode ter imensas dificuldades (apesar da força na TV), se Bolsonaro resistir na extrema-direita (minha aposta é de que resistirá), e se Álvaro Dias mantiver a candidatura lavajatista, impedindo o PSDB de avançar no eleitorado conservador do sul.
8 – Tudo indica que chegaremos a outubro com quatro candidaturas disputando duas vagas ao segundo turno, todas elas na casa de 10% a 20% dos votos: Bolsonaro, Lula/PT, Marina/Ciro e Alckmin. Os dois primeiros têm eleitorados mais consolidados. O tucano é o que terá mais dificuldades (pela herança temerista). E Ciro/Marina só terão chance se estiverem juntos.
9 – Álvaro Dias é uma incógnita, e o PSDB terá que decifrar essa esfinge, para não ser devorado de forma surpreendente.  O PCdoB, pela lógica, pode compor a chapa com o PT. Mas não fará isso apenas na base da sedução e dos compromissos históricos. Manuela vice pode ser um caminho. Mas não descartemos a possibilidade de ela se manter na disputa até o fim, se a legenda detectar que o PT age com arrogância na negociação.
10 – No geral, teremos um país dividido como sempre. Nordeste e Norte mais fechados com o lulismo. Sul e São Paulo radicalmente contra a centro-esquerda. Rio e Minas decidirão a eleição, e dessa vez o lulismo está mais frágil nessas duas unidades da federação. Mesmo que perca nos dois estados, o PT precisa colher (entre cariocas e mineiros) ao menos metade dos votos para sua candidatura nacional, para ter chances eleitorais.
11 – Minha aposta hoje é de que Lula não será candidato, mas a direita pagará um preço altíssimo por desmoralizar o sistema eleitoral, impedindo o líder de estar na urna; se a direita vencer, o próximo governo será fraco e marcado pelo signo da ilegitimdade.
12 – Essa eleição é marcada pelo signo do “anti-sistema”. Nesse clima, ganham força Bolsonaro e aquele que representar o líder injustiçado pelo sistema (Lula).
13 – O quadro é extremamente volátil, mas se fosse apostar diria (na contramão do que afirmam os analistas da mídia velha) que a maior probabilidade é de um segundo turno com Bolsonaro e um candidato do PT. As colunas desesperadas de Merval, implorando que Lula reveja sua estratégia, mostram que a direita “liberal” sabe das dificuldades imensas que enfrentará. As colunas também desesperadas dos garotos dos Frias, que uivam de raiva diante da operação vitoriosa do PT junto ao PSB, indicam o mesmo. O lulismo está vivo. E forte. Mais forte, no entanto, é o caos e o desmonte da política.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Diferente de Getúlio, Lula entrou pra história sem precisar sair da vida, por Rodrigo Perez Oliveira.

Lula discursou durante uma hora em rede nacional, se defendeu das acusações. Não foi uma defesa para a justiça, mas sim para o tribunal moral da nação. Não foi um discurso para o presente. Foi um discurso para a história

10/04/2018 08:57
Ricardo Stuckert/Fotos Públicas


Que Lula há muito tempo deixou de ser homem e se tornou uma instituição é consenso à direita e à esquerda. O que está em jogo, em disputa, é o significado da instituição, o que ela representa.



Lula é o maior corrupto da história do Brasil ou a principal liderança popular que esse país já teve?



A disputa está aí. No atual estado da situação não sobrou muito espaço para meio termo. Ou é uma coisa ou é a outra. Cada um que escolha seu lado.



Na condição de instituição, todo gesto de Lula tem dimensão simbólica, é lido e interpretado por todos, por detratores e admiradores. Lula pega o microfone e o país paralisa em frente à TV. Os admiradores choram. Os jornalistas a serviço da mídia hegemônica silenciam. Ninguém fica indiferente a uma instituição desse tamanho.



Lula sabe perfeitamente que está sendo observado, conhece muito bem o tamanho que tem e explora com extrema habilidade sua capacidade de fabricar símbolos.



Aqui neste ensaio, trato de uma parte muito pequena da biografia de Lula, mas que talvez seja, na perspectiva simbólica, a mais importante. Talvez seja até mais importante que os oito anos de seu governo.



Falo das 34 horas em que Lula esteve no sindicato dos metalúrgicos, sob os olhares do mundo, construindo a narrativa de seu próprio martírio.



Não falo em “resistência”, pois desde a condenação no Tribunal da Quarta Região, em 24 de janeiro, que o destino de Lula já estava selado. Os advogados cumpriram sua função, recorrendo a todas as instâncias e tentando um habeas corpus, mas todos já sabiam que Lula seria preso.



Por isso, seria ingênuo dizer que o que aconteceu em São Bernardo do Campo foi um ato de resistência. Lula é um político experiente demais para resistir em causa perdida.



Alguns companheiros e companheiras, no auge da emoção, tentaram usar a força. Lula fugiu da custódia dos trabalhadores e se entregou à Polícia Federal, pois sabe que contra o braço armado do Estado ninguém pode. Lula sabe que aqueles que ali estavam eram trabalhadores e trabalhadoras, pais e mães de família. Não eram soldados. Não eram guerrilheiros. A resistência não era possível.



Lula sabe que seria impossível sustentar aquela mobilização durante muito tempo e por isso não resistiu. Mas daí a se entregar resignado como boi manso para o abate a distância é grande, muito grande.



Penso mesmo que Lula fez mais que resistir, já que a resistência seria quixotesca, irresponsável. Lula pautou a própria prisão, saiu da posição de simples condenado pela justiça para se tornar o dono da narrativa. Lula foi sujeito do próprio encarceramento, deu um nó nas forças do golpe neoliberal.



Muitos achavam que Lula deveria ter fugido para uma embaixada amiga e de lá partido para o exílio no exterior. Confesso que também pensei assim. Mas Lula é muito mais inteligente que todos nós juntos.



Lula sabe que já viveu muito, sabe que não lhe sobra muito tempo de vida. O que resta agora é a consolidação da biografia, o retorno às origens, seu renascimento como ícone da esquerda brasileira, imagem que ficou um tanto maculada pelos oito anos em que governou o Brasil.



É que no capitalismo não existem governos de esquerda. Governo de esquerda só com revolução e Lula nunca foi revolucionário, nunca prometeu uma revolução.



Todo governo legitimado pelas instituições burguesas será sempre burguês. No máximo, no melhor dos cenários, será um governo de centro sensível às demandas populares. O lulismo foi exatamente isso: uma prática de governo de centro sensível às necessidades dos mais pobres. O lulismo transformou o Brasil pra melhor, com todos os seus limites, com todas as suas contradições.



Mas para encerrar a vida em grande estilo carece de algo mais. Era necessária a canonização política. E só a esquerda canoniza líderes políticos. A direita é dura, cinza, sem poesia.



O golpe neoliberal conseguiu reconciliar Lula com as esquerdas, o que há poucos anos parecia algo impossível de acontecer.



É que pra ser canonizado pelas esquerdas nada melhor que ser perseguido pelo poder judiciário, habitat histórico das elites da terra. Basta lançar no google os sobrenomes da maioria dos nossos juízes, procuradores e desembargadores e veremos os berços de jacarandá que embalaram os primeiros sonhos dos nossos magistrados.



É claro que Lula não planejou a perseguição. É óbvio que ele não queria ser perseguido. Se pudesse escolher, estaria tendo um final de vida mais tranquilo, talvez afastado da política doméstica e atuando nas Nações Unidas. Mas já que a vida deu o limão, por que não espremer, misturar com açúcar, cachaça, mexer bem e mandar pra dentro?



Lula fez exatamente isso: uma caipirinha com os limões azedos que seus adversários togados lhe deram.



Primeiro, ele fez questão de esgotar todos os mecanismos legais. A sentença de Moro, os votos dos desembargadores, os votos dos Ministros da Suprema Corte não são palavras ao vento. São “peças”, para falar em bom juridiquês, que ficarão arquivadas e disponíveis para a consulta, para análise.



Imaginem só, leitor e leitora, os historiadores que no futuro, afastados da histeria e das disputas que hoje turvam nossos sentidos, examinarão a sentença de Sérgio Moro, verão que o juiz não foi capaz de determinar em quais “atos de ofício” Lula teria beneficiado a OS para fazer por merecer o tal Triplex do Guarujá.



É como se Moro estivesse falando: “não sei como fez, mas que fez, ah fez”.



E o voto dos desembargadores do TRF 4, atravessados de juízos de valor, quase sem relar no mérito da sentença?



E o voto de Rosa Weber? Por Deus, o que foi aquele voto de Rosa Weber?



“Sei que estou votando errado, mas vou continuar votando errado só porque a maioria votou errado. Uma maioria que só vai votar porque eu vou votar errado também”.



Lula, ao se negar a fugir, obrigou cada um desses togados a deixar impressos na história os rastros da própria infâmia.



Uma vez decretada a prisão, o que fez Lula?



Deu um tiro no peito? Se entregou em São Paulo? Foi pra Curitiba? Fugiu?



Não!



Lula se aquartelou no sindicado mais simbólico da redemocratização brasileira, o sindicado que representa as expectativas que nos 1980 apontavam para um Brasil mais justo, mais solidário.



No apogeu da crise que significa o colapso do regime político fundado na redemocratização, Lula decidiu encenar o seu martírio onde tudo começou.



Naquele que talvez seja o último grande ato de sua vida pública, Lula voltou às origens.



Protegido pela massa de trabalhadores, Lula não cumpriu o cronograma estipulado por Sérgio Moro. Cercado por uma multidão, o Presidente operário transformou o sindicato dos metalúrgicos numa embaixada trabalhista.



A Polícia Federal, o braço armado do governo golpista, disse que não usaria a força. A Polícia Federal sabia que o povo resistiria, que sem negociação não tiraria Lula do sindicado sem deixar uma trilha de sangue.



Lula negociou e, nos limites dados por sua posição de condenado pela justiça, venceu e humilhou a instituições ocupadas pelo golpe neoliberal.



Lula não estava foragido. O mundo inteiro sabia onde ele estava e mesmo assim o Estado brasileiro não foi capaz de prendê-lo no prazo determinado pela justiça golpista. Durante um pouco mais de 30 horas, Lula foi um exilado dentro do Brasil, como se São Bernardo do Campo fosse um República independente, a “República Popular dos Trabalhadores”.



Lula fez de uma missa em homenagem a Dona Marisa Letícia um ato político e aqui temos mais um lance simbólico do Presidente operário: restabeleceu as pontes entre a esquerda brasileira e a Igreja Católica, aliança que tão importante nos anos 1970, quando sob as bênçãos da Teologia da Libertação foi fundado o Partido dos Trabalhadores.



No palanque, junto com o Padre, estavam Lula e as futuras lideranças da esquerda brasileira. Lula dividiu seu espólio em vida, tomou pra si esse ato mórbido ao abençoar Boulos, Manuela e Fernando Haddad.



Lula unificou em vida a esquerda brasileira. Não só unificou, mas pautou, apresentou o programa, cantou o caminho das pedras.



Lula deixou claro que o povo mais pobre precisa comer melhor, precisa consumir, viajar de avião, estudar na universidade. Lula, o operário que durante a vida inteira foi humilhado por não ter diploma de ensino superior, foi o professor de milhões de brasileiros que sonham com um país melhor.



É como se Lula estivesse dizendo: “num país como o Brasil, a obrigação mais urgente da esquerda é transformar o Estado burguês em agente provedor de direitos sociais”.



Lula discursou durante uma hora em rede nacional, se defendeu das acusações. Não foi uma defesa para a justiça, mas sim para o tribunal moral da nação. Não foi um discurso para o presente. Foi um discurso para a história.



Não, meus amigos, acuado pelas forças do atraso, Lula não deu um tiro no próprio peito.



Lula mandou trazer cerveja e carne e fez um churrasco com seus companheiros e companheiras. Foi carregado pelos seus iguais, foi tocado, beijado. Saliva, suor, pele.



Lula não deu um tiro no próprio peito.



Getúlio é gigante, sem dúvida, mas também era herdeiro das oligarquias. Lula é o único trabalhador que, vindo da base da sociedade, conseguiu governar e transformar o Brasil. Lula já é maior que Getúlio.



Diferente de Getúlio, Lula entrou pra história sem precisar sair da vida.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Sobre a fase 2 do golpe, as eleições e o passaporte, blog do Renato Rovai.

A eleição de outubro será a marca de corte de uma nova etapa do golpe, a sua fase 2. Muito mais dura, muito mais violenta, muito mais anti-democrática, muito mais objetiva em relação aos objetivos que levaram à grande articulação para derrubar Dilma.
O que se está vendo até agora não é nem o café pequeno do grande banquete que vem sendo preparado para contentar não só as elites econômicas, como os mais variados interesses que se uniram neste projeto.
rua e ninja
Até as eleições, Temer e seus aliados vão tomar cuidado. Porque eles sabem que têm necessidade da desculpa das urnas para dar alguma legitimidade ao que virá.
Mesmo que seja uma legitimidade ilegítima, a mídia já prepara o discurso do dia seguinte eleitoral.
O PT será o maior derrotado nas urnas (e ao que tudo indica isso de fato ocorrerá) e a interpretação será a de que o Brasil quer seguir em frente. Não está mais disposto a olhar para trás. E que os votos no PT deram esse recado.
A interpretação permitirá, entre outras coisas, agir de forma muito mais violenta com os movimentos sociais, que serão tratados como braço armado do petismo.
A fase 2
Entre os acordos do golpe, o mais importante é o econômico. Ele prevê privatizações em massa, entrega do Pré-Sal, reforma da previdência, com ampliação do tempo de trabalho, e reforma trabalhista, que deve aumentar a jornada de trabalho e permitir contratações com imensa flexibilidade, o que enterrará a CLT.
Os dois últimos pontos são altamente tóxicos do ponto de vista social e vão ser fundamentais, quando de fato se tornarem propostas no Congresso, para engrossar o caldo das ruas.
Esses manifestações se forem crescendo poderão parar o país num grande Fora Temer. E o governo, cujo ministro da Justiça, Alexandre Moraes, é “especialista” em lidar com movimentos sociais, sabe disso.
E tem uma fórmula que considera imbatível para lidar com o problema. Bombas, porrada, prisões arbitrárias e a transformação dos atos em imensas zonas de conflito, para amedrontar os mais cuidadosos.
Depois das eleições, haverá uma enxurrada de prisões de lideranças sociais em todo o país. Num primeiro momento as secundárias, para buscar a desarticulação dos movimentos, mas se isso não for suficiente, a mira vai se deslocar para gente como Boulos, Stédile, Wagner da CUT, presidentes de sindicatos importantes, lideranças dos movimentos de mulheres, a garotada do Levante, do MPL, da UNE etc.
Até agora, por exemplo, o governo Temer não deu explicação alguma para o caso do capitão do Exército que estava infiltrado em movimentos de jovens. Como se aquilo não representasse uma grave ameaça à democracia.
A mídia e os nossos tão atentos repórteres e colunistas desses veículos tradicionais, também ignoraram o fato.
Mas esse é um pedaço importante do rabo que deixa à vista o pitbull do golpe.
Esses agentes estão atuando em todos os cantos do país não só para passar informações, como para criar tumultos e plantar provas que levarão vários manifestantes à cadeia.
A prisão dessas lideranças será justificada sempre como em defesa da ordem e da democracia. E a partir de outubro/novembro estará ancorada no discurso do resultado eleitoral. Na história da minoria que quer bagunçar com o país.
A perseguição terá outros capítulos
Se as lideranças sociais da cidade serão presas e se no campo pode vir a ocorrer a eliminação pura e simples de muitas delas, o clima de terror não está limitado a esses grupos.
Em setores médios, por exemplo, haverá uma imensa caça às bruxas daqueles que não estiverem dispostos a fazer a lição de casa do golpe.
Nas redações dos veículos tradicionais ainda há uma parcela de 10% a 20% de jornalistas que são corretos. A grande maioria, infelizmente, ou faz cara de paisagem ou assumiu o discurso dos donos dos veículos, que estão entre os principais acionistas do que virá.
Os jornalistas corretos serão intimidados a se calar ou a aderir. Caso não aceitem, serão demitidos. O medo, colocará muitos em situação de submissão. A coragem, fará muitos se tornarem donos do próprio nariz em novos veículos de resistência que serão criados.
Mas a situação dessa nova mídia, mais independente e livre, também não será fácil. O envolvimento do poder judiciário com muito do que virá não será algo apenas para inglês ver. Como nunca foi nos golpes que o Brasil já viveu. E a judicialização será o caminho para derrotar a blogosfera.
Alguns blogueiros já estão gastando mais tempo com advogados do que com produção de reportagens e artigos. E a tendência é a intensificação deste caminho por parte não só do governo, mas de todos os setores que compõem a nova aliança de poder.
Artistas e grupos culturais dissonantes também serão acossados, como já ficou claro na perseguição a Aquárius. Haverá ainda imensa asfixia econômica às universidades públicas e instituições de pesquisa. Exatamente para limitar a ação dos setores de opinião mais independentes.
Programas sociais
O governo não vai desmontar todos os programas sociais de uma vez. Vai fazê-lo aos poucos e garantindo que restem exatamente aqueles que permitirão maior controle da base atingida.
Essa estratégia será utilizada para fortalecer o campo político aliado nas regiões onde as ações dos governos Lula e Dilma provocaram maiores transformações, em especial no Norte e no Nordeste.
Programas que hoje são gerenciados de forma técnica serão municipalizados para se transformarem em moeda eleitoral. O governo federal entrará com os recursos. E os aliados municipais garantem o cabresto. Até porque o PMDB sabe que fortalecer o cabresto municipal é a sua chance de continuar à frente do governo central.
Se isso vier a dar certo, em pouco tempo boa parte das bases sociais do Lulismo poderão voltar à dependência do passado e acabarão não tendo muita condição de reagir à tutela dos coronéis locais.
Como já ensinou o velho Marx, o lumpesinato não faz a revolução. E sequer consegue resistir.
Nas grandes cidades, o aumento do desemprego e da injustiça social também vai produzir novos bolsões de miséria. E uma imensa nova geração de lúmpens.
A Lava Jato e 2018
É fato que essa agenda não é assim tão simples de se impor por conta das contradições da sociedade e dos conflitos internos dos grupos que se aliaram para o golpe. Mas é este o projeto que está na mesa. É o projeto que será tentado não num parto natural, mas à fórceps.
É isso que com um detalhe aqui ou acolá passa pela cabeça de todos que se uniram nessa aventura monstruosa de colocar a democracia brasileira em risco.
Na cabeça desse grupo não há espaço para perder as eleições de 2018, mesmo que seja necessário dar um novo golpe, que seria a fase 3, implantando um semi-presidencialismo e unificando todas as eleições para 2020.
A Lava Jato, depois da denúncia contra Lula, já chegou onde deveria. E a própria denúncia contra Lula, pode ter decretado o seu fim.
A vaidade de Deltan Dellagnol parece ter sido fatal para a operação. E já há quem trabalhe com a hipótese de que o bad boy com cara bom moço foi encorajado a fazer uma peça acusatória, mesmo que sem sentido e frágil, para que pudesse vir a ser desmoralizado depois.
Não há outra explicação para os textos de um certo blogueiro da Veja que não seja a voz de um ministro do Supremo com o qual ele compartilha longos telefonemas. E ao mesmo tempo os interesses de um certo ministro das Relações Exteriores que ele chama de amigo. E de quem se orgulhava de compartilhar da “intimidade da família”.
O blogueiro saiu atirando na acusação de Dallagnol mesmo sem lê-la, como pode ser conferido no seu primeiro texto sobre o tema.
Sinto informar, mas enganou-se redondamente quem comemorou a ação como um ato de honestidade intelectual. O que se deve depreender daquilo é a tentativa de fazer a Lava Jato subir no telhado. Mas não sem antes empurrar Lula do telhado das acusações que ele vem enfrentando com dignidade e coragem de admirar.
Voltando às eleições
O campo progressista tem pouca margem de atuação neste momento. O momento é muito mais de esperar os erros do lado de lá para tentar ganhar alguma força do que sair agindo na base da louca, como se diz no Nordeste.
É quase certo que as urnas de outubro trarão notícias terríveis para o PT e muito ruins para os outros partidos aliados dos governos Lula e Dilma.
Mas mesmo neste mar revolto, algumas coisas deveriam ser tentadas. E há o que se tentar.
Em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Fortaleza, por exemplo, que são grandes e simbólicas, há em menor ou maior dose, alguma chance de vitória do campo progressista. Ou mesmo de derrotas menos impactantes.
Se a hipótese de que uma derrota fragorosa da esquerda pode levar ao endurecimento das ações do governo faz sentido, seria razoável buscar com todas as forças acordos ainda no primeiro turno que evitassem, por exemplo, que candidaturas progressistas morressem abraçadas já nesta fase inicial.
Um movimento nacional de unificação de candidaturas com o objetivo de defender a democracia e tentar garantir desde já alguma unidade para o que virá deveria ser tentado e colocado como ponto central das articulações nos próximos dias.
E os movimentos sociais é que deveriam chamar os partidos para sentarem e construírem acordos, porque mais do que os partidos, quem vai pagar a conta principal da repressão na fase 2 do golpe serão os movimentos.
Mesmo se isso vier a acontecer será muito difícil sair dessa eleição cantando vitória. Mas não é disso que se trata agora. É de buscar criar um campo de alianças mais solidário, generoso e capaz de resistir.
Que entenda o momento atual com a dimensão que ele tem e não como um pequeno freio de arrumação que pode garantir a alguns um pouco mais de espaço no futuro breve.
Se o golpe for bem sucedido na sua fase 2 vai sobrar muito pouco para o campo progressista nos próximos cinco a dez anos. E pode ser ainda pior. Talvez isso permita empinar um projeto baseado numa ação de força para até 15, 20 anos.
Um projeto com base num sistema de exceção um pouco mais sofisticado, mas na mesma linha do Brasil ame-o ou deixe-o é o que se vai tentar.
E aí, amigos, como já disse o Jânio de Freitas, talvez o  passaporte atualizado seja muito mais do que um capricho, mas uma necessidade para conseguir resistir e sobreviver.

 


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Por que eu choro por Nice… , por Renato Rovai.


       O atentado em Nice ataca o coração das liberdades, como todos os atentados e todas as guerras.          








A França é mais uma vez vítima da barbárie. E como em todos ataques terroristas a países que estão ou estiveram na linha de frente de guerras absolutamente criminosas mundo afora haverá, no campo da esquerda, quem vai preferir relativizar o ocorrido.

Os mortos de Nice não valem mais do que os de Cabul ou Bagdá e nem tão pouco as lágrimas pelos que lá tombaram são mais puras que as que rolaram quando a foto do menino Aylan Kurdi se espalhou pela Internet.

E por isso mesmo não se pode relativizar nesses momentos. O choro pelas vítimas de Nice é justa. E a indignação pela França ter sido mais uma vez vítima de atentados é absolutamente compreensível.
atentado Nice
Engana-se quem imagina que o terrorismo aponta seus dedos sujos de sangue para a França apenas porque ela é aliada dos EUA.
Não é a França aliada de guerras insanas que está sendo atacada, mas a França das liberdades.
Quem ganha com atentados como esse não é a esquerda que se contrapõe ao neoliberalismo e ao corte dos direitos, mas a direita, à la Le Pen, que quer a expulsão de imigrantes e a força bruta contra as lutas sociais.
O atentado em Nice ataca o coração das liberdades, como todos os atentados e todas as guerras.
É disso que se trata. E por isso chorar por Nice não é tolinho, como alguns vão dizer por aí. É chorar pelos mortos, pela dor, mas também pelo mundo das liberdades que está cada dia mais perdendo a guerra simbólica.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Quando o problema é com você?, por Fabrício Longo.


Você
Você diz que faz sua parte mas não admite culpa por nada. Você acha que todos problemas do mundo são “globais”, que “é cada um por si”. V-O-C-Ê. Você se incomoda com essa palavra. Você acha injusto quando ela aparece para te lembrar da sua participação nas coisas. Você grita, esperneia, diz que não. Você não vê que tudo que afeta a mim, a nós e a eles é seu também. É nosso. Geral sim, só que por inclusão. Não adianta tentar se omitir…
Outra semana, outro tiro. Outro estupro de alguém que pediu, outro suicídio do cara muito gordo para caçar sexo no aplicativo, outro negro atirado às masmorras do nosso sistema carcerário ou executado porque estava sem camisa no lugar e na hora errados. Quantos gays não se dão ao respeito? Quantas travestis metem medo só de olhar? Quem provocou ou deu a entender que merecia uma lampadada? Quem estava pedindo para morrer em uma boate? Quem é o culpado? O que você tem com isso? Por que qualquer coisa pode acontecer desde que não atinja VOCÊ?
Parece que sempre que a palavra “você” é usada, as pessoas levam tudo para o lado pessoal. Faz sentido, já que “você é você”. Entretanto, em geral os assuntos tratados são aqueles que todo mundo insiste em considerar “dos outros”, os problemas sociais que até conquistam a nossa solidariedade mas não nos afetam diretamente. Então o que existe de ruim quando o destinatário é “você”? Se você – de fato – não tem “culpa no cartório”, porque essa generalização incomoda tanto? A carapuça serviu? Será que lá no fundo você não sabe que também é parte do problema? Desculpe, mas é o que parece!
Qualquer coisa direcionada a “você”, pode mesmo ser para você. Por mais inteligentes, empáticos, bonzinhos, legais, desconstruídos, críticos, estudados ou maravilhosos que podemos ser, não estamos livres de errar e especialmente de errar sem perceber. Então alguém vem e aponta este erro, o que muitas vezes pode não ser feito da maneira mais educada, mas independente das palavras, a gente se irrita e se ofende com a POSSIBILIDADE de estar errado, inclusive ao desconsiderar que isso não seria nem inédito e nem necessariamente ruim. A pessoa do outro lado não é forçosamente uma inimiga e pode ser que você não seja mesmo o destinatário.
Que seja esse “você”, que funciona como figura de linguagem, apenas para instigar o leitor a pensar sobre si, ainda que ele possa concluir não ter nada com aquilo. Até mesmo a mais generosa das pessoas cedo ou tarde vai esbarrar em algum limite, em alguma “parede” daquilo que pode ou não pode fazer ou entender. Ou seja, é impossível que uma mensagem abrangente, sobre um problema comum, tenha destinatário definido. A não ser que ela venha com nome e sobrenome, tanto pode ser você quanto qualquer vizinho. Eu, tu, eles, nós, vós, eles.
Tanto a política praticada por movimentos sociais quanto o discurso de ódio funcionam – conscientemente ou não – com a mesma lógica de campanhas publicitárias. Assim como no jornalismo, o que se diz e principalmente COMO se diz importa, já que é capaz de conduzir as emoções de quem lê. É assim, entre títulos mirabolantes, memes, fotos, likes e vídeos que a comunicação vai construindo e ao mesmo tempo refletindo o que pensa a sociedade. É um processo eternamente circular. Evidentemente que as grandes corporações de mídia e as celebridades possuem grande responsabilidade, já que seu alcance e poder de influência é maior. Porém não significa que nós, eu e você, os “pobres mortais”, não precisemos pensar sobre o que falamos entre amigos ou publicamos em nossas redes.
Hoje não atirei em ninguém e nem estuprei ninguém.
Não acho que tenha sido racista.
Hoje.
Eu certamente possa me revoltar se for acusado de alguma coisa através de uma generalização sem destino definido, mas preciso ter a consciência de que posso ter contribuído para algum desses fatos chocantes através de atitudes que eu considerava inofensivas. Claro, pode até ser “mania de perseguição” de alguém “do outro lado”, mas aí se nenhum argumento conseguir me convencer do erro eu posso ao menos pedir desculpas ou tentar não fazer mais.
Para se sustentar, qualquer coisa precisa de uma base. Até algo “instintivo” como o ódio, a intolerância, a raiva ou o “gosto pessoal” precisa disso. As ideias devem estar disseminadas por toda a população. E somos mesmo todos iguais. Todos humanos, todos falhos, todos células de um corpo gigante consumindo o planeta.
Se um problema não te afeta, talvez o problema seja VOCÊ.
Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.