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terça-feira, 5 de março de 2019

“O diabo venceu, sim”: teólogo dá razão a Gaviões da Fiel, cujo desfile escandalizou evangélicos, por Joaquim de Carvalho.


Desfile da Gaviões da Fiel
O teólogo Tiago Santos, que estudou no Seminário Teológico Batista do Rio Grande do Sul e é fundador da igreja Abrigo, em Porto Alegre, publicou um texto que está tendo muita repercussão, sobretudo entre os evangélicos. Ele foi pastor batista por oito anos. E fez bacharelado e mestrado em instituições luterana e católica.
Tiago escreveu sobre o enredo da escola de samba Gaviões da Fiel, que levou à avenida a mensagem “O Diabo Venceu”.
Evangélicos se escandalizaram, e por isso o teólogo decidiu explicar por que o carnavalesco da Gaviões deu uma demonstração de que entende mais de Cristianismo do que aqueles que seguem Silas Malafaia e similares.
Leia o texto:
Sobre a polêmica do carnaval quero registrar aqui que o diabo venceu, sim!
Quando a igreja fez arminha com a mão, o diabo venceu.
Quando os pastores e missionários, mesmo atuando nas comunidades mais pobres e obtendo o seu sustento do salário dos trabalhadores, apoiam a retirada de direitos destes para favorecerem os mais ricos, o diabo venceu.
Quando a igreja ri de uma criança que morre, o diabo venceu.
Quando a igreja comemora que uma líder social é assassinada a tiros numa emboscada, o diabo venceu.
Quando a igreja zomba de um líder político que precisa deixar o país sob ameaça de morte, o diabo venceu.
Quando a igreja vive uma expectativa que entremos em guerra com outro país para atender interesses geopolíticos de superpotências, o diabo venceu.
Quando a igreja se torna o principal grupo social do país a espalhar mentiras na internet, o diabo venceu.
Quando a maior preocupação da igreja, em um país extremamente desigual, é que meninos vistam azul e meninas rosa, o diabo venceu.
Quando a igreja fica em angustiante silêncio frente ao racismo, a xenofobia, ao feminicídio, a homofobia, o diabo venceu.
Quando a igreja considera armar toda a população como forma de buscarmos a paz, o diabo venceu.
Quando a igreja considera justo que fazendeiros que já tanto têm esmaguem os povos indígenas para lhes tomar o pouco que resta, o diabo venceu.

Bancada evangélica acusa Gaviões da Fiel de estimular intolerância religiosa: “Não é arte, é crime”, por Congresso em Foco


A Frente Parlamentar Evangélica reagiu à apresentação feita pela escola de samba Gaviões da Fiel, em seu desfile na madrugada do último domingo (3). A escola trouxe imagens que remetem a uma luta entre Satanás e Jesus Cristo, na qual o primeiro sai como vencedor.  Para os integrantes da bancada evangélica, a Gaviões da Fiel estimula a intolerância religiosa e, em vez de arte, pratica um crime.
“Entendemos que aquela apresentação não é arte, é crime. Nenhum direito é absoluto, logo o direito à manifestação artística não se sobrepõe à inviolabilidade da consciência e da crença. As palavras do coreógrafo Edigar Junior revelam qual era o propósito: ‘O foco era chocar. … Alcançamos nosso objetivo que era mexer com a polêmica Jesus e o diabo e a fé de cada um.’”, diz trecho da nota de repúdio divulgada pela frente, presidida interinamente pelo deputado Lincoln Portela (PR-MG).
A escola reeditou este ano o samba-enredo de 1994, “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”, e alega que a figura retratada na comissão de frente não era Jesus, mas Santo Antão, um monge cristão que viveu no Egito no século III. A frente diz que vai lutar para que recursos públicos não financiem espetáculos dessa natureza e indica que vai tomar providências legais contra  a escola.

A polêmica suscitou uma onda de críticas à agremiação nas redes sociais por parte de religiosos. O assunto virou um dos mais comentados do Twitter no Brasil.
Confira a íntegra da nota da bancada evangélica:
“A Frente Parlamentar Evangélica – FPE manifesta profunda indignação e repúdio ao espetáculo da ‘Gaviões da Fiel’, no carnaval de São Paulo, com uma apresentação pública ofensiva e desrespeitosa a todos nós, cristãos, ao vilipendiar e escarnecer o Senhor Jesus Cristo e a nossa fé.
Entendemos que aquela apresentação não é arte, é crime. Nenhum direito é absoluto, logo o direito à manifestação artística não se sobrepõe à inviolabilidade da consciência e da crença. As palavras do coreógrafo Edigar Junior revelam qual era o propósito: ‘O foco era chocar. … Alcançamos nosso objetivo que era mexer com a polêmica Jesus e o diabo e a fé de cada um.’
Manifestações dessa natureza estimulam o desrespeito e a intolerância, caminho inverso àquele que nós, brasileiros, estamos buscando consolidar continuadamente.
Lutaremos para que o dinheiro público, fruto de impostos pagos por um povo tão sofrido e carente de políticas públicas de excelência, especialmente na área da educação, da saúde e do enfrentamento à criminalidade e à violência, não financie espetáculos que configurem crime e que não estimulem o respeito e a tolerância fundamentos de uma nação democrática, plural e majoritariamente religiosa.
Com fundamento na Constituição brasileira exerceremos as medidas adequadas.
Brasília – DF, 04 de março de 2019.
Deputado Federal LINCOLN PORTELA
Presidente em Exercício da Frente Parlamentar Evangélica – FPE"