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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Globo cria "crocodilo napolitano" na Copa da Rússia quarta-feira, por Wilson Roberto Vieira Ferreira.



Em 2009 o jornal inglês “The Telegraph” contou a pitoresca história de um mafioso napolitano que ameaçava comerciante locais com um imenso crocodilo. Qualquer um deles poderia ser a próxima refeição do bicho se não lhe pagasse proteção. É melhor ser temido do que amado, como afirmava Maquiavel? Depois de pouca mais de uma década de pauta diária com Mensalão e Lava jato, intimidação virou um “modus operandi” tautista da Globo. Traquejo tão natural que até invadiu outras editorias. Assim como a hábito do cachimbo entorta a boca. Até na cobertura da Copa da Rússia. Às vésperas do jogo das oitavas do Brasil contra o México, a Globo colocou sob suspeita o árbitro italiano em possíveis conspirações no VAR (árbitro de vídeo) e, de quebra, requentou notícia antiga sobre suposto envolvimento de jogador mexicano com cartéis de drogas. A Globo apresentou o juiz e o jogador para o seu “crocodilo napolitano” intimidando-os caso se intrometessem em seus interesses? Na verdade a mensagem da Globo não foi para nenhum dos dois. Foi para os seus potenciais inimigos internos. Principalmente porque, ao contrário da Copa de 2014, agora o sucesso da Seleção é estratégico para Globo e mercado publicitário.

Conta-se que em 2009 a polícia italiana encontrou um crocodilo, com quase dois metros, na casa de um chefe da máfia napolitana. O mafioso justificou dizendo que era de estimação, alimentado com ratos e coelhos vivos. Mas era de conhecimento de todos que ele usava o imenso réptil para intimidar os comerciantes locais a “pagar favores”.

Os comerciantes eram “convidados” pelo mafioso a visitarem sua casa, para serem apresentados ao bicho que vivia preso em um terraço. E ficavam sabendo que se não pagassem os “favores”, seriam a próxima refeição do crocodilo. Mas apesar de tudo, o mafioso acabou sendo detido mesmo por posse ilegal de animal selvagem... – clique aqui.

“É mais seguro ser temido do que amado”, escreveu Maquiavel. Intimidar surte efeitos mais imediatos do que criar legitimidade.

E a TV Globo, convertida em partido política de oposição na última década, entende bem essa máxima maquiavélica: pavimentou o seu poder (o quarto poder) por décadas com muita intimidação, na melhor tradição dos mafiosos locais napolitanos.

Exemplos recentes não faltam como, por exemplo, para manter o Judiciário com rédeas curtas: transmissões ao vivo das sessões do STF; dizer quem era quem do TRF-4, em rede nacional no JN, na véspera de julgar o recurso de Lula; a repercussão do tuite do General Villas Boas (exigindo dos juízes que atendessem ao “clamor da sociedade” sob ameaça velada de um golpe militar), também no JN às vésperas do julgamento do pedido de habeas corpus de Lula no STF, são alguns dos “crocodilos napolitanos” que a Globo exibe para aqueles que potencialmente possam importunar seus interesses.

Globo mantém Judiciário em rédeas curtas


O linchamento é a próxima refeição...

O linchamento midiático pelo “clamor popular”, em rede nacional, poderá ser a “próxima refeição” do crocodilo do chefe mafioso.

A prática tornou-se tão recorrente e sistemática que acabou virando um modus operandi tautista (tautologia + autismo midiático) da emissora. Não importa editoria, tema ou notícia: se há alguém, uma situação ou um resultado que potencialmente possam contradizer sua narrativa interesseira, certamente será levado pela Globo a fazer uma visita ao crocodilo do terraço.

Nem a Copa da Rússia e os adversários da seleção brasileira escaparam do “convite” intimidatório. Aliás, como vimos em postagem anterior, mesmo um evento esportivo como a Copa de futebol na Rússia é alvo do tautismo crônico da Globo: diante da ameaça do tradicional vilão do cinema e do telejornalismo (a “estranha” Rússia, terra dos soviéticos, comunistas, hackers que ameaçam eleições de outros países etc.) ser humanizado ou ocidentalizado demais pelas transmissões ao vivo, o viés do jornalismo esportivo passou a descrever russos como “frios”, que “não saem nas ruas”, vítimas da “ditadura” de Putin em um país “intolerante à diversidade sexual”, e assim por diante – clique aqui.

Pois o “crocodilo napolitano” da Globo reapareceu nos dias que antecederam a partida das oitavas de final entre a Seleção e o México.


Agora o Brasil precisa ser campeão!

Como todos sabemos, a necessidade do sucesso da Seleção na atual conjuntura político-econômica brasileira é fundamental. Ao contrário de 2014, cuja Copa no Brasil foi conduzida pela grande mídia como um evento que caminhava para a catástrofe (e o “mineiraço” dos 7 X 1 da goleada alemã foi o ato final conveniente por essa narrativa midiática), nesse momento Globo e mercado publicitário aguardam ansiosamente a melhor performance do Brasil na Copa da Rússia.

 Primeiro, para criar alguma atmosfera otimista para um negócio publicitário que vive mais da percepção do que da realidade - depois que foram saqueados pelos brasileiros a panaceia dos saldos do FGTS como solução de curto prazo.

E segundo para uma função, por assim dizer, de “cimento ideológico”: num País de 14 milhões de desempregados e outros tantos de “desalentados”, repentinamente promovidos a micro-empreendedores, a Seleção é a vitrine do discurso mérito-empreendedor. Por exemplo, na campanha publicitária do Itaú a Seleção não é uma equipe, mas um conjunto de técnicos e jogadores “que fazem a diferença” – jargão individualista do dicionário do mérito-empreendedorismo.

Por isso, nada melhor do que fazer a arbitragem e os adversários jogadores mexicanos fazerem uma visitinha ao “crocodilo” global nos dias que antecederam o jogo das oitavas.


Juiz e mexicano sob suspeitas

De início, colocando o árbitro italiano Gianluca Rocchi sob suspeita, sugerindo bizarras conspirações. Para começar, repetindo na cobertura de TV e no portal “Globo.com” a informação de que o italiano tinha sido o assistente do V.A.R (árbitro de vídeo) do “polêmico” Brasil 1 X 1 Suíça, quando a Seleção reclamou de faltas e pênalti não marcados. Além de ter “tomado bolada de Neymar e ter dado cartão amarelo ao jogador” na vitória do Real sobre o PSG de 3 X 1 na Liga dos Campeões.

Para depois requentar e expandir uma notícia que a própria emissora tinha dado discretamente no ano passado: na véspera do jogo, no programa “Fantástico”, retomou de forma sensacionalista a notícia de que o jogador Rafa Márquez (veterano na sua quinta Copa do Mundo) é investigado pelo Tesouro americano por suposto envolvimento com cartéis mexicanos de drogas.  Em uma matéria bem editada, mostrando o jogador nos treinos do seleção, trajando camisetas sem patrocinadores – “nenhuma marca quer se envolver com um jogador suspeito”, deixou bem clara a reportagem.

Porém, o leitor pode perguntar: mas o crocodilo napolitano da Globo tem assim tanto poder de intimidação num evento internacional como a Copa na Rússia?

Afinal, a própria imagem da emissora e seus jornalistas no exterior não é nada boa. Por exemplo, em tuite do jornalista inglês Jonathan Wilson (cobrindo a Copa pelo jornal The Guardian) escreveu: “Não tenho nada contra o Brasil, mas quanto mais cedo a TV Globo sair desse torneio, melhor. Milhares deles, barulhentos e rudes no que deveria ser uma área de trabalho”... Tão chatos que os 197 jornalistas enviados para a Rússia foram multiplicados em milhares na cabeça de Wilson.

"... como são irritantes!"

A impressão do jornalista inglês foi confirmada pelo colega Marcus Speller em outro tuite: “Pode ser que a minha paciência esteja encolhendo mas... Jesus, como são irritantes!”.

É claro que essa prática mafiosa de intimidação não tem nenhum efeito em um grande evento internacional como esse. Na verdade o “crocodilo napolitano” é para consumo interno. É apenas um lembrete, um reforço subliminar, para mostrar aos potenciais e possíveis inimigos internos (do passado, presente e futuro) do que a emissora é capaz.

Martelar o seu modus operandi, simular que seus atos intimidatórios tenham alguma repercussão internacional: “tenham medo de nós, seus ímpios! Um dia poderemos voltar o nosso canhão contra vocês!”.

Ou também podemos encarar como um mero repique do tautismo crônico do jornalismo da emissora: afinal o hábito do cachimbo entorta a boca – após anos do martelo do Mensalão e Lava Jato diário na pauta do jornalismo, o “crocodilo napolitano” acaba se esgueirando para outras editorias.


Certamente, é nesse pano de fundo que deve ser interpretado o overacting do jogador queridinho da emissora e do mercado publicitário: Neymar Jr. Numa conjuntura na qual o cimento ideológico do mérito-empreendedorismo precisa ser injetado entre milhões de desempregados, a imagem de um jogador “que faz a diferença” caçado por árbitros e jogadores suspeitos  é o melhor exemplo de “superação” criado para incautos bestificados e desempregados sem esperança.

"Transparência emocional"

Enquanto o mundo ri dos memes impagáveis que circulam nas redes sociais, aqui o mercado alisa a cabeça do jogador enquanto mesas de debates da SporTV falam que Neymar Jr. tem apenas “transparência emocional”...

Talvez Neymar Jr. seja vítima do “jequismo” da Globo e de seus rudes e grosseiros jornalistas. Assim como eles, Neymar joga para o público brasileiro na esperança de criar alguma empatia publicitária com ele.

Afinal, quem sabe até ele e seu pai empresário tenham medo de que a Globo, um dia, faça um convite para visitar o “crocodilo napolitano”.
Com informações do The Telegraph, Jornal GGN, G1, The Guardian.

Sobre Jair Bolsonaro, “posso estar errado”, por Juan Arias.


Jair Bolsonaro participa de evento em Brasília nesta quarta.
Jair Bolsonaro participa de evento em Brasília nesta quarta. EFE

No lúdico Brasil, que já viveu as trevas da ditadura e a queima das liberdades no altar do autoritarismo, pode-se brincar com tudo, menos com a democracia




Faltam três meses para as eleições presidenciais. Sem Lula candidato, o ex-paraquedista militar Jair Bolsonaro aparece em primeiro lugar nas pesquisas. Por sua biografia, o líder da extrema direita gera desconfianças quanto a sua fidelidade à democracia e às liberdades civis caso chegue ao Planalto. Tanto é que até o famoso economista Paulo Guedes, escolhido por Bolsonaro como possível ministro da Fazenda e fiador do candidato perante o mercado financeiro, chegou a ter dúvidas sobre seu compromisso com a democracia.
Em uma entrevista ao jornal Valor Econômico, despertou temores por sua resposta à seguinte pergunta "Se o senhor sentir que o Bolsonaro tem proposta que não represente compromisso com a democracia, se afastaria dele?". Depois de ter confirmado que nesse caso "seguramente" se afastaria, e após ressalvar que não acredita que ele "seja capaz de dar esse passo", acrescentou, deixando no ar uma dúvida assustadora: "Posso estar errado".
Guedes não é um economista qualquer. Doutorado pela Universidade de Chicago e fundador do think tank brasileiro Instituto Milenium, é considerado como um dos maiores pensadores do liberalismo econômico neste país. Apresenta-se como um duro crítico tanto da esquerda como da direita brasileira, sobre a qual escreveu que "afundou-se com a redemocratização, associada ao autoritarismo político e à insensibilidade social do regime militar".
Surpreende que um intelectual que critica a direita por seu autoritarismo e seu compromisso com a ditadura seja o responsável por pensar a política econômica do ultradireitista e ex-militar Bolsonaro, sobre quem admite que pode se enganar a respeito de sua integridade democrática.
Guedes está convencido de que nas próximas eleições nenhum candidato dos velhos e tradicionais partidos políticos, nem sequer os não comprometidos em escândalos de corrupção "terão a chance de derrotar os outsiders nas urnas". Com isso daria a entender que considera Bolsonaro um outsider da política. Isso depois de ter militado em sete ou oito partidos, de estar há 27 anos como deputado no Congresso Nacional (tempo em que só aprovou dois projetos de sua autoria) e de não existir em sua biografia e na de sua família nada destacado fora da militância política.
Talvez, no entanto, o guru econômico de Bolsonaro tenha razão em não colocar a mão no fogo sobre o compromisso do candidato com a democracia. Algumas de suas propostas, como a de cogitar um general do Exército como vice e de colocar outros quatro generais em postos-chaves de seu eventual Governo, e a mais recente, de querer elevar de 11 para 21 o número de ministros do Supremo Tribunal Federal, algo que já aconteceu no Brasil durante a ditadura – em 1965, Castello Branco ampliou de 11 para 16 o total de ministros da Corte –, começam a delinear seu perfil autoritário. Isso levanta sérias dúvidas sobre o respeito democrático que poderia demonstrar caso chegue à presidência.
Sem dúvida, muitos dos que já anunciam seu voto no ex-capitão do Exército consideram que o Brasil precisa de um governo forte e até militar, que ponha ordem nas instituições. Para eles, as dúvidas do famoso economista Guedes, que admite a possibilidade de estar enganado quanto à vocação democrática de Bolsonaro, não fariam senão confirmar suas convicções de querer votar num candidato autoritário. Acham que numa ditadura há menos violência e menos corrupção. Não sabem que no Chile a Suprema Corte acaba de obrigar a família de Augusto Pinochet a devolver cinco milhões de dólares que o ex-ditador tinha escondido. A corte chilena também condenou ex-militares à prisão pela tortura e assassinato do cantor Victor Jara, que cometeu o crime de cantar.
Entretanto, muita gente, inclusive jovens universitários, flerta com a candidatura de Bolsonaro não só por estar convencida da sua fé democrática, como também chega a pensar que só ele seria capaz de sanear a doente democracia brasileira. Esses deveriam ser levados à dúvida aristotélica ao ouvirem seu próprio economista dizer que espera que o candidato seja fiel aos valores democráticos, mas que admite, ao mesmo tempo, que pode estar enganado.
No lúdico Brasil, que já viveu as trevas da ditadura e a queima das liberdades no altar do autoritarismo, pode-se brincar com tudo, menos com a democracia. Fechada sua porta, não existe por trás dela nada além da barbárie e da miséria que arrasta consigo.
As urnas estão às portas. Os brasileiros, cuja jovem democracia dentro de um continente com tentações autoritárias foi sempre respeitada e até admirada no mundo livre, deverão hoje, mais que no passado, pensar duas vezes na hora de escolher quem deverá defender e ampliar os valores da democracia e das liberdades que parecem ter começado a rachar. Não se pode esquecer que o preço das feridas na carne das liberdades recai sempre e em todas as partes sobre a cabeça dos mais pobres e desamparados.

Água no Brasil: Insípida, incolor, inodora e com agrotóxicos, por Marco Antonio Delfino


Água no Brasil: Insípida, incolor, inodora e com agrotóxicos

O chamado "PL do Veneno" está pronto para ser votada em Plenário e, na prática, representa uma flexibilização perigosa das regras de controle dos agrotóxicos no Brasil



Na última semana, Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, por 18 votos a nove, o PL 6.299/2002, também conhecido como “PL do Veneno”. A proposta está pronta para ser votada em Plenário e, na prática, representa uma flexibilização perigosa das regras de controle dos agrotóxicos no Brasil. Os defensores do projeto apontam a suposta necessidade de modernizar a legislação brasileira, que estaria “atrasada” em relação ao cenário internacional. Mas será que é adequado copiar leis estrangeiras sem levar em conta as diferentes características dos países?
A funesta realidade brasileira foi desconsiderada pela Comissão Especial ao aprovar o PL 6299/2002. Como importar e utilizar técnicas de avaliação de risco de uso de agrotóxicos de “primeiro mundo” com uma estrutura de “terceiro mundo”? Como permitir a liberação de agrotóxicos carcinogênicos (que causam câncer), mutagênicos (que causam mutação genética) e teratogênicos (que causam má-formação fetal) sem que tenhamos a devida infraestrutura para monitorar os riscos envolvidos?


Um exemplo ilustra o problema: o monitoramento da atrazina na América do Norte. O agrotóxico, banido da Europa em 2004, é um herbicida usado nas culturas de cana-de-açúcar, milho e sorgo. O produto possui elevada persistência em solos e alto potencial de escoamento superficial, motivo pelo qual é o principal agrotóxico encontrado em água para consumo humano nos EUA e Canadá. Estudos relacionam a atrazina à mudança de sexo em sapos e danos ao meio ambiente aquático. A exposição crônica estaria associada à perda de peso, degeneração muscular e danos cardiovasculares.
Nos EUA e Canadá, programas específicos monitoram os resíduos de atrazina na água. Nos Estados Unidos, cerca de 150 municípios são monitorados de forma intensiva. Durante os picos de utilização, a coleta de água é feita semanalmente. Nos demais períodos, a coleta é quinzenal. Nos demais municípios do país, a coleta é trimestral.
E no Brasil? O último relatório disponível do Ministério da Saúde sobre monitoramento de agrotóxicos em água para consumo humano é de 2014. O relatório tem dados de apenas 13% dos municípios brasileiros. Em outros termos, 87% dos municípios brasileiros não têm sua água monitorada para resíduos de agrotóxicos.
Segundo as “Orientações técnicas para monitoramento de agrotóxicos para consumo humano” do Ministério da Saúde, a frequência das amostras deveria observar “a periodicidade de uso de agrotóxicos e a sazonalidade das culturas (período de chuvas ou início da seca)”. No entanto, não há dados disponíveis sobre a periodicidade mínima ou dos municípios prioritários. E o mais importante: todas as amostras deveriam ser remetidas para um único laboratório, o Laboratório da Secção de Meio Ambiente do Instituto Evandro Chagas (IEC).
No ano de 2018, o laboratório do IEC, em resposta a questionamento sobre a capacidade de análise, respondeu que não dispunha de todos os padrões necessários para realizar os exames relacionados aos 27 princípios ativos de agrotóxicos necessários para cumprimento das exigências do Ministério da Saúde.
Diante desse quadro, a pergunta retorna: com esta estrutura, como evitar que agrotóxicos carcinogênicos, mutagênicos e teratogênicos possam estar presentes na sua água? O risco de que substâncias altamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente contaminem solos e mananciais é real, caso o PL 6.299/02 seja aprovado da forma como está.
Nunca é demais lembrar: agrotóxico sem controle, monitoramento e fiscalização adequados é veneno.
Marco Antonio Delfino é procurador da República, coordenador do Grupo de Trabalho Agrotóxicos e Transgênicos do Ministério Público Federal.

Por que Lula já ganhou?, por Juan Arias



Lula
Lula discursa no Fórum Social Mundial de Salvador (BA) em março deste ano AFP

A tragicomédia judicial do domingo serviu para deixar mais a descoberto a fragilidade de todo o sistema jurídico brasileiro, que ameaça contagiar o restante das instituições



O dia de ontem, 8 de julho, foi apelidado de “domingo da loucura judicial”. E é possível que seja lembrado como a data em que Lula ganhou uma batalha maior que a de sua libertação. Graças a tudo o que se mobilizou em torno de sua luta judicial, cuja condenação em segunda instância o impede de disputar as eleições presidenciais apesar de estar à frente nas pesquisas, o Brasil descobriu que seu sistema judicial está podre.


Foi a importância da figura política e mítica de Lula posta em discussão o que levou toda a cadeia jurídica, da primeira instância ao Supremo, a descobrir a urgência de uma reforma que não pode esperar mais, sob pena de uma convulsão social. Lula continua na prisão e é possível que novas condenação caiam sobre sua cabeça, embora ninguém seja capaz de profetizar seu futuro. O que é certo mesmo é que Lula, inocente ou culpado, fez ver que o rei supremo da Justiça está nu. Foi ele quem atiçou o fogo, e os ratos, que sempre existiram, começaram a sair de suas tocas.
Não foi um simples plantonista, entre ingênuo e malicioso, que provocou a tempestade, com seu desejo de não ficar atrás na corrida de egos que atravessa, por exemplo o Supremo. Se Dias Toffoli, por sua conta e risco, com uma decisão monocrática que contradizia a do colegiado do Supremo, tirou da prisão José Dirceu, condenado a 30 anos, por que ele não poderia libertar Lula?
A tragicomédia judicial do domingo serviu para deixar mais a descoberto, se possível, a fragilidade de todo o sistema jurídico brasileiro que ameaça contagiar o restante das instituições. O caso Lula poderá um dia ser estudado como o revulsivo que revelou que não dá mais para esperar a reforma da Justiça, a começar pelo Supremo, cada vez mais se revelando, com o espetáculo pouco exemplar do protagonismo dos altos magistrados, o ponto crucial de toda a insegurança política e até social que agita o Brasil.
Já não resta dúvida de que o espetáculo oferecido pelos ministros da alta corte chegou ao ápice. A guerra de egos entre os 11 juízes supremos é evidente até para os analfabetos do país. Hoje magistrados como Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Barroso e Carmem Lucia são mais protagonistas em nível popular que muitos atores das novelas, o que é uma aberração democrática.
Ou o Brasil recompõe a legalidade jurídica ou a crise política já em curso com ameaças de volta aos tempos obscuros do autoritarismo acabará se agravando. É nas águas da insegurança jurídica que melhor se reproduzem as bactérias de todos os totalitarismos.
Uma das tarefas mais urgentes do novo presidente da República será pôr ordem nos tribunais e mudar um Supremo que parece estar agindo mais na pequena política partidária do que na defesa da Constituição. É urgente uma reforma profunda da instituição que deveria ser a coluna mestra das demais instituições. É urgente renovar o sistema de escolha dos magistrados para que não acabem sendo meros seguidores de quem os nomeou. É urgente despojar o Supremo das funções meramente judiciais que o levam às vezes ao limite do ridículo, tendo que julgar um habeas corpus de um condenado por ter roubado um par de tênis usados. É urgente retirar-lhes a vaidade de que votos intermináveis e crípticos sejam televisionados. Se por um lado isso pode ser visto como uma abertura democrática, acaba sendo um caldo de cultura da vaidade dos togados.
É possível que sem o caso Lula, que ainda não sabemos como será resolvido pessoalmente, os reis do Supremo seguissem protegidos pela reverência de suas togas capazes de ocultar pequenas e mesquinhas misérias que acabam envenenando não só a política, como também a confiança na Justiça. Lula, embora através do paradoxo de sua condenação, está servindo para que todo o Brasil, dada a notoriedade de seu caso penal, esteja descobrindo que a deusa grega da justiça está arrancando a venda de seus olhos ficando livre para tentações inconfessáveis.

O gol contra das elites brasileiras Por Joaquim Ernesto Palhares.


09/07/2018 09:54
 

Finda a Copa do Mundo, o Brasil retoma o cotidiano de desmontes. Estamos, após o mundial, muito mais pobres e desprotegidos. Três exemplos bastam, aprovação da PL do Veneno, a entrega dos 70% do pré-sal às estrangeiras e, claro, a venda da Embraer nesta semana.

A festa do agrotóxico – impedida em vários países, por isso eles jogam agrotóxico nas nossas terras – foi garantida por parlamentares que ignoraram todos os laudos científicos apresentados contra o projeto de lei. Estamos falando de comida envenenada, de trabalhadores envenenados, de imensas extensões de terra envenenadas.

A entrega do pré-sal, que analisamos na última semana, é outro descalabro que passou durante a Copa, levando à publicação da Carta do ex-presidente Lula, indignado, como todos estamos, com o roubo do pré-sal, um patrimônio de todos nós, sobretudo, das novas gerações.

O terceiro exemplo da virulência do desmonte, perpetrado durante o mundial, foi a venda da Embraer que, juntamente com a Petrobrás, atuava no centro do projeto de desenvolvimento nacional e econômico dos governos Lula, abordado, aliás, no livro organizado pelo economista Pedro Chadarevian a pedido da editora Routledge, para explicar ao público acadêmico internacional o que aconteceu e está acontecendo no país (mais aqui).

O terceiro desmonte foi a venda da Embraer, imenso golpe à política de desenvolvimento nacional dos anos Lula, assim como a Petrobras, um patrimônio nacional, segunda maior em exportações e uma das propulsoras de pesquisas em tecnologia. Um verdadeiro gol contra do Brasil, à favor da norte-americana Boeing, com direito a escancarado apoio das Organizações Globo.

Vivemos em tempos de mudança. Ao contrário da “ponte do futuro” de Temer que nos trouxe a esse brejo, o desenvolvimento tecnológico é o único caminho para entrarmos no século XXI. Em junho, a National Science Foundation (NSF) dos Estados Unidos publicou um relatório sobre os Indicadores de Ciência e Engenharia dos Estados Unidos que merece atenção, confira aqui (em inglês)

Em 2015, os Estados Unidos investiram 2,74% do PIB em pesquisa em desenvolvimento; a China, que já ultrapassou os norte-americanos em número de publicações científicas, investiu 2,07% naquele ano. Em 2014, quando ainda havia governo, nós investíamos 1,17% do PIB.

Segundo reportagem da Câmara dos Deputados, em 2014, foram injetados R$ 8,4 bilhões em Ciência e Tecnologia; em 2018, o governo programava investir apenas R$ 2,7 bilhões. Vejam o que aconteceu, na prática, de janeiro até agora, conforme detalha a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC):

"Dos cerca de R$ 1,6 bilhão gastos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), R$ 83 milhões foram utilizados pela Secretaria de Telecomunicações (Setec), enquanto a Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação obteve pouco mais de R$ 19 mil. Também sob a rubrica da pasta, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) recebeu, até o momento, de R$ 740 mil, dos quais R$ 680 mil serviram para cobrir apenas despesas correntes, sobrando R$ 60 mil para investimentos" (leia mais na RBA).

Enquanto as potências mundiais investem em Ciência e Tecnológica, nós estamos deixando de investir. O estrangulamento do setor, pelo corte de verbas, alia-se ao desmonte de toda uma estrutura – puxadas pela Petrobras e Embraer – de criação, desenvolvimento e geração de tecnologia nacional. As decisões de Temer, sem exceção, visam impedir a entrada do Brasil no século XXI. Um ataque evidente à soberania nacional.

E por falar em soberania nacional, não deixem de ler a entrevista exclusiva de Celso Amorim, “López Obrador é um exemplo para América Latina”, sobre a eleição de AMRO no México. Em sua avaliação, a vitória de Obrador “desmente o argumento de que a onda progressista na região se esgotou. Este é o primeiro governo de esquerda no México nos últimos 90 anos”.

Amorim também comenta a visita de Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, ao Brasil. Para o chanceler, essa visita tem dois objetivos: garantir um maior isolamento da Venezuela e que o petróleo brasileiro seja explorado pelas multinacionais.

“A posição dos Estados Unidos como potência hegemônica não se explica nas posições de Donald Trump. Estou falando dos interesses do chamado ´Estado profundo´ que existe nos Estados Unidos, onde estão os interesses dos grandes grupos econômicos, da comunidade de inteligência, da indústria militar. Todos esses fatores vão trabalhar para isolar a Venezuela”, aponta.

“Sabemos que a criação dos BRICS (bloco de novas potências, com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) causou uma grande preocupação a esse “estado profundo” norte-americano. E além de tudo isso, é preciso considerar o descobrimento do Pré-Sal, e a decisão de mantê-lo sob o controle da Petrobras”, complementa. (Leia a íntegra da entrevista aqui).

Daí a importância das eleições em outubro próximo. A direita, não tenhamos dúvidas, não terá pudores em abraçar a ultradireita até porque, bem lembra Gilberto Maringoni em “O empresariado ligou o foda-se”, para eles “pouco importa se as mãos de quem dirigirá o país estiverem sujas de sangue, se há apologia de Brilhante Ustra, ou se há pregação misógina, homofóbica ou de ódio aos pobres. Isso é bobagem. Estamos falando de negócios”.

O mais grave é que não apenas o empresariado ligou o botão de foda-se. No alto de suas cadeiras, a Corte Suprema não apenas assiste ao desmonte do país, como dele participa. Vê, a olhos nus, a democracia ser corroída no seio de suas instituições e nada faz. Ou melhor, faz: acelera ou retarda o processo histórico, esquivando-se do papel central que lhe cabe: proteger a democracia e, sobretudo, a soberania do Brasil.

Não é preciso, nessa altura do campeonato, salientar o quanto é fundamental a luta da mídia alternativa nesse contexto. Dependesse das Organizações Globo, o Brasil inteiro estaria jogando contra a nossa soberania. Torcendo pela Boieng, pela Exxon, pela Shell, os patrões da elite brasileira. Uma das elites mais imbecis da nossa história.

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Boas leituras,

Joaquim Ernesto Palhares

Diretor da Carta Maior

Notícias internacionais sobre o Brasil; Notícias do Mundo; e Artigos, por Carlos Eduardo Silveira.

CM8 Internacional - 09/07/2018


09/07/2018 09:40
AFP
Créditos da foto: AFP
AS REPERCUSSÕES INTERNACIONAIS SOBRE A LIBERTAÇÃO/PRISÃO DE LULA

NOTÍCIAS DE JORNAIS

Página 12, Argentina

Lula livre, o grito do domingo no Brasil. Uma manobra político-judicial impediu a libertação do ex-presidente e o PT fala em "sequestro". Um juiz ordenou a libertação do ex-presidente pela manhã e, à noite, um magistrado superior o rejeitou. O dia viveu horas de tensão motivadas pela politização dos tribunais. Houve mobilizações populares. "Isso não vai acabar bem, isso é uma vergonha." Lapidar, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, avaliou a manobra a que Luiz Inácio Lula da Silva foi exposto ontem depois que um juiz ordenou que ele fosse preso, contrariando a decisão de um colega que havia determinado sua libertação durante férias judiciais três meses antes das eleições presidenciais.

https://www.pagina12.com.ar/127167-lula-libre-el-grito-del-domingo-en-brasil

Diário de Notícias, Portugal

Solta Lula, não solta Lula: Brasil em dia de caos jurídico. Cinco decisões contraditórias em sete horas. Um juiz desembargador de turno mandou soltar o antigo presidente três vezes. Outros magistrados rebateram-no duas vezes. Polícia sem saber o que fazer.
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-jul-2018/interior/solta-lula-nao-solta-lula-brasil-em-dia-de-caos-juridico-9566186.html?target=conteudo_fechado

Público, Portugal

Editorial. Brasil, quando o caos contagia a Justiça. O poder político estilhaçou-se e as sequelas da crise contaminam o sistema judicial. O caminho do caos é uma má notícia para os brasileiros, mas uma boa nova para a extrema-direita de Bolsonaro.
https://www.publico.pt/2018/07/09/mundo/editorial/brasil-quando-o-caos-contagia-a-justica-1837311

Público, Portugal

Libertação de Lula da Silva suspensa em braço-de-ferro entre juízes. Pedido de habeas corpus para a libertação do antigo Presidente brasileiro foi aceite por juiz desembargador do tribunal de Porto Alegre. Depois foi suspensa pelo relator da Lava-Jato do mesmo tribunal, até uma nova ordem reforçar a primeira decisão e ordenar a saída de Lula no prazo de uma hora.
https://www.publico.pt/2018/07/08/mundo/noticia/tribunal-da-ordem-para-libertar-lula-da-silva-de-imediato-1837289

Le Monde, França

Lula permanece preso após um breve imbróglio judicial. O presidente de um tribunal de apelações durante a noite manteve a detenção do ex-líder. Um pouco antes, outro magistrado causou sensação ao ordenar sua libertação.

https://www.lemonde.fr/ameriques/article/2018/07/09/bresil-apres-un-bref-imbroglio-judiciaire-lula-reste-en-prison_5328132_3222.html

El País, Espanha

O ex-presidente do Brasil Lula da Silva permanecerá na prisão após um conflito judicial por sua libertação. O líder do Partido dos Trabalhadores, condenado a 12 anos de prisão, está entre os favoritos para as eleições presidenciais em outubro próximo

https://elpais.com/internacional/2018/07/08/actualidad/1531064863_141675.html

Le Monde, França

A três meses de uma das eleições presidenciais mais incertas do Brasil, um juiz do Tribunal de Apelação de Porto Alegre no domingo (8 de julho) ordenou a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , encarcerado desde o início de abril por corrupção. Depois a decisão foi revertida.

https://www.lemonde.fr/ameriques/article/2018/07/08/une-cour-d-appel-bresilienne-ordonne-la-liberation-de-l-ex-president-lula-un-magistrat-conteste_5328086_3222.html

L’Humanité, França

A Corte de Apelação ordenou a libertação de Lula. A surpresa equivale à injustiça sofrida.

https://www.humanite.fr/bresil-la-cour-dappel-ordonne-la-liberation-de-lula-657879

La Repubblica, Itália

Clash entre juízes por Lula. "Libertem-no". Mas a decisão é negada por outro magistrado. O ex-chefe de Estado, que tem de cumprir uma sentença de doze anos, continua preso apesar de um vigoroso conflito judicial.

http://www.repubblica.it/esteri/2018/07/08/news/brasile_corte_d_appello_ordina_scarcerazione_lula-201231737/

La Vanguardia, Espanha

Um juiz ordena a libertação do ex-presidente Lula, preso por corrupção. A decisão judicial estipula que a liberação deve ter lugar “de acordo com o regime de urgência”.

http://www.lavanguardia.com/internacional/20180708/45772445816/lula-brasil.html

La Vanguardia, Espanha

Um juiz revoga a ordem de libertação de Lula e exige manter a prisão. O magistrado anulou a ordenação horas depois que outro juiz federal ordenou a libertação do ex-presidente brasileiro

http://www.lavanguardia.com/internacional/20180708/45774122679/lula-da-silva-juez-excarcelacion.html

El Mundo, Espanha

Guerra judicial por Lula: um juiz pede novamente sua libertação depois que outro revogou sua ordem

http://www.elmundo.es/internacional/2018/07/08/5b42316e468aebc3248b45f5.html

ABC, Espanha

Um juiz ordena a libertação de Lula da Silva, mas outro magistrado revoga a ordem.

https://www.abc.es/internacional/abci-juez-ordena-liberar-expresidente-brasileno-lula-silva-preso-corrupcion-201807081745_noticia.html

The New York Times, EUA

Um juiz no Brasil decidiu no domingo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria libertado da prisão enquanto continua a recorrer de uma condenação por corrupção, uma decisão inesperada que desencadeou um tumulto legal e político imediato.   ordem foi a última reviravolta na tumultuada preparação para a eleição presidencial do Brasil em outubro. Mesmo da prisão, Lula lidera as pesquisas.

https://www.nytimes.com/2018/07/08/world/americas/brazil-lula-release.html?rref=collection%2Fsectioncollection%2Fworld&action=click&contentCollection=world&region=rank&module=package&version=highlights&contentPlacement=10&pgtype=sectionfront

Los Angeles Times, EUA

Juízes duelam no Brasil sobre a libertação do antigo presidente Lula da prisão. Lula, cuja condenação fazia parte da investigação anticorrupção em todo o país conhecida como Lava Jato, começou a cumprir sua sentença em 7 de abril, mas ele garante ser inocente e diz que o caso contra ele é politicamente motivado.

http://www.latimes.com/world/la-fg-brazil-lula-jail-20180708-story.html

Libération, França

Lula permanece preso depois de cancelar o pedido de libertação. Uma ordem para a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu como uma bomba no domingo, no Brasil, antes de ser cancelada algumas horas depois, destacando a desordem política do país a três meses das eleições presidenciais, a mais incerta de sua história.

http://www.liberation.fr/planete/2018/07/08/bresil-lula-reste-en-prison-apres-l-annulation-d-un-ordre-de-liberation_1665032

El Espectador, Colômbia

Guerra judicial no Brasil. Lula da Silva, entre liberdade e prisão. Poucas horas depois que um juiz ordenou a liberdade "imediata" do ex-presidente brasileiro, outro magistrado anulou a decisão. O que acontecerá agora com o popular líder brasileiro?

https://www.elespectador.com/noticias/el-mundo/lula-da-silva-entre-la-libertad-y-la-carcel-articulo-798924

El Espectador, Colômbia

Lula continuará na cadeia depois de um duro embate jurídico no Brasil. Lula, de 72 anos, lidera todas as pesquisas com três meses para as eleições presidenciais, apesar de sua prisão e de estar virtualmente desqualificado.

https://www.elespectador.com/noticias/el-mundo/lula-continuara-en-la-carcel-tras-un-duro-embate-juridico-en-brasil-articulo-798964

RFI, França

Imprensa internacional chama briga de juízes sobre libertação de Lula de “telenovela”. A imprensa internacional repercutiu a decisão do desembargador Rogério Favreto de soltar o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (8). Televisões, jornais e emissoras de rádio do mundo inteiro acompanharam os anúncios contraditórios feitos durante o dia, tentando explicar ao público estrangeiro o imbróglio político-judicial brasileiro.

http://m.br.rfi.fr/brasil/20180708-imprensa-internacional-chama-briga-de-juizes-sobre-libertacao-de-lula-de-novela

Esquerda.net, Portugal

Tribunal manda libertar Lula da Silva. A decisão do juiz desembargador Rogério Favreto foi publicada este domingo e afirma que “a ilegal e inconstitucional execução provisória da pena imposta ao Ex-Presidente Lula não pode lhe cassar os seus direitos políticos, tampouco restringir o direito aos atos inerentes à condição de pré-candidato ao cargo de Presidente da República",

https://www.esquerda.net/artigo/tribunal-manda-libertar-lula-da-silva/56075

Euronews, Portugal

Guerra aberta entre juízes brasileiros por causa de Lula da Silva. Rogério Favreto, o juiz desembargador de plantão do Tribunal Federal da 4ª Região, de Porto Alegre (Rio Grande do Sul), ordenou, pela segunda vez este domingo que o antigo presidente do Brasil fosse libertado de imediato.

http://pt.euronews.com/2018/07/08/tribunal-ordena-libertacao-de-lula-da-silva

Sputnik News, Rússia

Em domingo de despachos, prisão de Lula volta a agitar cenário político. A política brasileira foi agitada hoje pela decisão de um desembargador de colocar em liberdade o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril em Curitiba. Mas, antes que a determinação pudesse ser cumprida, outro desembargador ordenou a manutenção da prisão, provocando intensas manifestações.

https://br.sputniknews.com/brasil/2018070811668832-prisao-presidente-lula/

Al Jazeera, Catar

Juiz de apelação impugna decisão de libertar Lula no Brasil

https://www.aljazeera.com/news/2018/07/brazil-appeals-court-orders-president-lula-release-180708162958434.html

Global Times, China

Juiz brasileiro bloqueia decisão de libertar Lula.

http://www.globaltimes.cn/content/1110001.shtml

El Telégrafo, Equador

Presidente do Tribunal intervem na batalha judicial e mantem Lula preso.

https://www.eltelegrafo.com.ec/noticias/mundo/8/juez-orden-liberacion-lula-brasil




El Mercúrio, Chile


Presidente do tribunal intervém em batalha judicial e mantém Lula na prisão O embate jurídico legal entre dois magistrados foi encerrado hoje pelo juiz Thompson Flores, que determinou que o ex-presidente continue preso.

http://www.emol.com/noticias/Internacional/2018/07/08/912567/Jefe-de-tribunal-interviene-en-batalla-judicial-y-mantiene-a-Lula-en-prision-preventiva.html

La Jornada, México


O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva estava cético sobre sua possível libertação da prisão, disse o deputado Wadih Damous, do PT, depois de encontrá-lo na cela onde ele está detido. "Desde que dei a ele a notícia de que tínhamos obtido essa ordem (de sua libertação), ele era muito cético, não acreditava que pudesse ser cumprido, não afetou a moral porque nem sequer a via como viável", disse o parlamentar. em coletiva de imprensa em Curitiba.

http://www.jornada.com.mx/ultimas/2018/07/08/lula-se-muestra-esceptico-sobre-su-liberacion-7368.html

ARTIGOS

Eric Nepomuceno – Política (Página 12, Argentina)

“Um dia de tensão absoluta”

https://www.pagina12.com.ar/127169-un-dia-de-tension-absoluta

Emir Sader – Política (Página 12, Argentina)

“O Estado de Direito, um campo de guerra”

https://www.pagina12.com.ar/127170-el-estado-de-derecho-un-campo-de-guerra

Pablo Gentilli – Política (Página 12, Argentina)

“Lula deve ser libertado. Já!”

https://www.pagina12.com.ar/127168-lula-debe-ser-libre-ya

Nicolás Trotta – Política (Página 12, Argentina)

“A mecha acesa”

https://www.pagina12.com.ar/127082-la-mecha-encendida

Celso Amorim: "López Obrador é um exemplo para a América Latina", por Darío Pignotti.

Nesta entrevista com Carta Maior, Amorim analisa a chegada de um líder popular e progressista ao Palácio Nacional (equivalente ao Planalto brasileiro), e considera que isso terá um impacto considerável no tabuleiro regional




05/07/2018 10:29
 
“Com a vitória de Andrés Manuel López Obrador, o México passa a ser um exemplo para o Brasil e para a América Latina em geral”, afirma o ex-chanceler Celso Amorim, ao fazer um primeiro balanço do resultado das eleições mexicanas do último domingo.
Nesta entrevista com Carta Maior, Amorim analisa a chegada de um líder popular e progressista ao Palácio Nacional (equivalente ao Planalto brasileiro), e considera que isso terá um impacto considerável no tabuleiro regional.
Carta Maior: O fundador do Movimento de Regeneração Nacional (Morena) é considerado um Lula mexicano. O que você acha dessa comparação?
Celso Amorim: Vejo semelhanças entre eles, embora também existam diferenças, já que o Brasil e o México não são idênticos, as circunstâncias políticas atuais não são idênticas às de há 16 anos.
Entre as diferenças, há uma que favorece López Obrador, que é o fato de que ele teve uma muito boa eleição parlamentar, coisa que não aconteceu nas eleições brasileiras de 2002, quando não obtivemos nem 30% do Parlamento.  
Outra diferença, essa a favor do Brasil, é que nós estamos a uma boa distância dos Estados Unidos, enquanto o México tem três mil quilômetros de fronteiras com essa potência hegemônica. Como se diz sempre, “pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.
Para o México, não é fácil se desfazer das diretrizes de Washington. Para o Brasil, porém, era relativamente mais fácil rejeitar alguns imperativos de Washington, como ocorreu com o não à ALCA – o projeto de Área de Livre Comércio da América Latina.
O tema migratório nos Estados Unidos aparece esporadicamente na agenda do Brasil, como está ocorrendo agora, com as crianças brasileiras separadas de seus pais. Por outro lado, para o México esse tema é um assunto central da sua agenda, onde as imposições de Donald Trump são muito agressivas, como se vê no caso do muro.
Agora estamos falando das semelhanças, e creio que este López Obrador de 2018 é comparável ao Lula de 2003, que o rol que o México pode desempenhar agora na América Latina tem pontos parecidos ao desempenhado pelo Brasil há 16 anos.
Assim como Lula, López Obrador demonstrou um compromisso com os pobres, com o desenvolvimento, demonstrou sua disposição de levar adiante uma política industrial, de desenvolvimento, de impulsar uma política energética diferente da realizada pelo atual governo, haverá um distanciamento do neoliberalismo, e também um combate mais sistemático à desigualdade social.
López Obrador é um homem que vem do sul do México, a região que mais sofreu com a globalização.
Carta Maior: De que forma López Obrador pode influir no equilíbrio de forças da região?
Celso Amorim: A chegada de López Obrador é muito importante porque a América Latina estava precisando de um novo equilíbrio de forças. Nós celebramos o seu triunfo e ao mesmo tempo estamos alertas sobre a reação que este triunfo causará nas forças de direita. Nós sabemos que essas forças estão atuando para impedir uma vitória de Lula nas eleições de outubro no Brasil, mesmo com ele tendo um apoio esmagador do povo.
Seria extraordinário se Lula vencesse em outubro, já que seria a primeira vez que Brasil e México teriam governos progressistas ao mesmo tempo.
Por outro lado, a vitória de López Obrador pode demonstrar a falência deste modelo neoliberal exagerado, como é o caso atual do México, com um alinhamento econômico total com os Estados Unidos. E não nos esqueçamos do fato de que o México foi utilizado pelos grandes meios de imprensa como um exemplo do sucesso desta globalização, um exemplo que logo se ampliou ao modelo de integração da Aliança do Pacífico.
Este triunfo progressista demonstrará ao povo as diferenças de um modelo de desenvolvimento com inclusão em comparação ao cenário de terra arrasada causado pela globalização neoliberal. Uma globalização que deixou milhões de mexicanos na pobreza e obrigou muitos deles a emigrar em busca de trabalho.
Carta Maior:  A morte anunciada da onda progressista era um mito.
Celso Amorim: Efetivamente, essa vitória desmente o argumento de que a onda progressista na região se esgotou. Este é o primeiro governo de esquerda no México nos últimos 90 anos. A posse de López Obrador, em dezembro será um fato marcante.
Os processos históricos são complexos, nem sempre são simétricos e tampouco evoluem de forma linear, há ondulações. Creio que esta vitória demonstra que o progressismo continua vigente.
Ademais, em toda a região há dezenas de milhões de pessoas estão vendo o que acontece no México, inclusive o Brasil.
Se levarmos em conta que no Brasil e no México, os países mais populosos da América Latina, há um apoio grande a líderes de centro-esquerda, isso nos indica que esse movimento está muito vigente.
Claro que não podemos desconhecer o surgimento de uma direita e uma ultradireita em vários países.
Estamos diante de um processo novo, que deu lugar a um fascismo neoliberal, que no caso do Brasil se encarna na candidatura de Jair Bolsonaro.
Tradição diplomática
As escolas diplomáticas do Itamaraty, no Brasil, e de Chapultepec, sede chancelaria mexicana, são as mais reconhecidas da América Latina. Durante décadas, o serviço exterior do país asteca foi um protagonista do tabuleiro regional: recebeu dezenas de milhares de exilados sul-americanos durante as ditaduras, apoiou os processos de paz nas guerras civis da América Central e nunca rompeu relações com Cuba, apesar das pressões estadunidenses. Com a assinatura do Tratado de Livre Comércio da América no Norte, em 1994, essa fortaleza diplomática começou a se perder, com chanceleres que passaram a assumir uma posição mais obediente com relação a Washington, e perdendo o interesse pela América Latina.
Carta Maior: Você acha que López Obrador se reencontrará com as velhas bandeiras diplomáticas do seu país?
Celso Amorim: Não conheço as novas gerações de diplomatas mexicanos, mas é verdade que o México tem uma tradição que se viu historicamente em sua defesa do desarmamento mundial, sua posição a favor de Cuba na Organização dos Estados Americanos, seu respeito ao princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros estados.
Creio que com López Obrador, o México voltará a ter uma política externa mais autônoma, defensora de sua soberania, e isso é particularmente importante nestes momentos em que os Estados Unidos realizam uma aberta pressão contra a Venezuela, observada na semana passada durante a visita do vice-presidente Mike Pence ao Brasil e ao Equador.
Carta Maior: Pode ampliar essa resposta?
Celso Amorim: É possível que os Estados Unidos queiram levar o governo brasileiro a uma posição mais intolerante e intervencionista contra a Venezuela. Mike Pence veio ao Brasil para garantir um maior isolamento da Venezuela, além de garantir que o petróleo seja explorado pelas multinacionais.
A posição dos Estados Unidos como potência hegemônica não se explica nas posições de Donald Trump. Estou falando dos interesses do chamado “Estado profundo” que existe nos Estados Unidos, onde estão os interesses de grandes grupos econômicos, da comunidade de inteligência, da indústria militar. Todos esses fatores vão trabalhar para isolar a Venezuela.
Também devemos incluir neste cenário o triunfo do candidato conservador na Colômbia, Iván duque, e o fato de que Bogotá se transformou em um membro associado da OTAN, que é algo preocupante, porque militariza mais as rivalidades entre Colômbia e Venezuela, uma tensão que se atenuou durante os anos da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e que está sendo reativada agora, com os governos neoliberais.
Por tudo isso, é importante que López Obrador atue como um fator que opere contra essas tendências negativas que alimentam a tensão e reforçam a pressão contra a Venezuela. E também a respeito de Cuba.
Carta Maior: Venezuela e Cuba como peças chaves na geopolítica do hemisfério.
Celso Amorim: Creio que a mudança no México é uma esperança neste momento de transição em Cuba, com o novo presidente Díaz-Canel, e quando Trump parece querer terminar com o descongelamento das relações, que havia sido iniciado por Obama. Com um México diplomaticamente mais independente haverá espaço para que Cuba avance com as reformas democratizantes sem ter que se render aos padrões neoliberais, e tampouco à pressão do presidente Trump.
Durante o governo do presidente Lula houve apoio a Cuba através de projetos econômicos, para facilitar uma maior inserção internacional a partir do comércio, sem ter que renunciar aos seus avanços sociais. Inclusive, eu considero que essa política de Lula para com Cuba foi um dos fatores que causaram a moléstia desse “Estado profundo” que controla o poder nos Estados Unidos.
Carta Maior: De que forma esse “Estado profundo” respondeu às políticas de Lula?
Celso Amorim: Estou convencido de que há fatores internacionais interessados na prisão do presidente Lula. Não creio que todas essas coisas ao redor do processo e da prisão sejam casuais. Há grupos que não se contentaram com a posição independente do Brasil diante do Oriente Médio, com relação à integração latino-americana, a criação do Conselho de Defesa da Unasul, a posição com relação ao Irã, a política para com a África. Sabemos que a criação dos BRICS (bloco de novas potências, com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) causou uma grande preocupação a esse “estado profundo” norte-americano.
E além de tudo isso, é preciso considerar o descobrimento do Pré-Sal, e a decisão de mantê-lo sob o controle da Petrobras.